AGRONEGÓCIO
PRO Carbono lidera agricultura regenerativa e impulsiona descarbonização do agronegócio na América Latina
Publicado em
23 de dezembro de 2025por
Da Redação
A descarbonização do campo em foco
A transição para cadeias agrícolas de baixo carbono se tornou um dos principais desafios globais diante das metas climáticas. Com o objetivo de medir e reduzir emissões, especialmente as do Escopo 3, a Bayer promoveu a quarta edição do Carbon Science Talks, realizada na sede da Amcham Brasil, em São Paulo. O evento reuniu empresas, pesquisadores e produtores rurais para discutir caminhos que tornem a agricultura mais sustentável e rastreável.
A companhia destacou os avanços do PRO Carbono, iniciativa que se consolidou como uma das principais plataformas de agricultura regenerativa da América Latina, com resultados científicos e econômicos comprovados.
Parcerias científicas e resultados no campo
Com o apoio de 47 especialistas e 19 instituições — entre elas Embrapa, Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) e Instituto Nacional de Tecnologia Industrial (INTI) —, a Bayer desenvolveu, ao longo de cinco anos, metodologias e ferramentas para quantificar emissões, orientar boas práticas agrícolas e comprovar seus impactos ambientais e produtivos.
O PRO Carbono integra atualmente mais de três mil produtores rurais no Brasil, Argentina e Paraguai, cobrindo três milhões de hectares de soja, milho e algodão — o maior banco de dados sobre agricultura regenerativa da região.
As áreas participantes registraram aumento médio de 11% na produtividade anual, 9% mais estabilidade produtiva e 50% de incremento no sequestro de carbono, mesmo sob condições climáticas adversas. Já as lavouras de soja apresentaram pegada de carbono 50% menor que a média nacional, podendo atingir reduções de até 70% com práticas de manejo aprimoradas.
Desde o início do programa, as ações do PRO Carbono já removeram 1,39 milhão de toneladas de CO₂eq da atmosfera — o equivalente ao reflorestamento de 231 mil hectares. Segundo Marina Menin, diretora de Negócios de Carbono da Bayer para a América Latina, “os produtores com maior adoção de práticas regenerativas alcançaram remoções médias de 2,1 tCO₂eq por hectare/ano, superando a média científica global de 1,4 tCO₂eq”.
Evolução para uma plataforma regional
Durante o evento, a Bayer anunciou a expansão do PRO Carbono, que passa de programa a plataforma regional de soluções regenerativas. A iniciativa agora reúne mais de 20 projetos voltados à mensuração de carbono, suporte técnico e comprovação de impactos ambientais em larga escala, conectando produtores, indústrias e mercados comprometidos com cadeias de valor sustentáveis.
Um exemplo é a parceria entre Bayer e Viterra, que atua na cadeia da soja argentina, envolvendo 1.200 produtores e dois milhões de hectares. No primeiro ano, as áreas monitoradas apresentaram pegada de carbono 35% menor que a média nacional, com potencial de redução superior a 60%. A próxima etapa prevê a expansão do projeto para o Paraguai.
“O controle de emissões de carbono deixou de ser um tema apenas ambiental e se tornou um atributo estratégico de competitividade”, afirmou Marcos Quaine, líder de Sustentabilidade da Viterra Conosur.
Tecnologia e ciência como pilares
A plataforma PRO Carbono é sustentada por um ecossistema digital que oferece precisão e rastreabilidade. Entre as ferramentas, destacam-se:
- Footprint PRO Carbono, desenvolvida com a Embrapa, para cálculo e emissão de relatórios auditáveis sobre pegada de carbono em soja, milho e algodão;
- PROCarbon-Soil (PROCS), que estima o potencial de sequestro de carbono no solo e otimiza decisões de manejo;
- Conecta PRO Carbono, sistema de medição, monitoramento, reporte e verificação (MMRV) que assegura credibilidade e transparência dos resultados ambientais.
“As soluções são baseadas em ciência e adaptadas à realidade agrícola da região, permitindo medir, comprovar e monetizar o impacto das práticas regenerativas”, destacou Marina Menin, da Bayer.
Finanças sustentáveis impulsionam a transição
Com o objetivo de tornar a agricultura regenerativa financeiramente vantajosa, a Bayer anunciou uma parceria com o Rabobank. A iniciativa oferece linhas de crédito com taxas reduzidas atreladas a indicadores de desempenho ESG.
Para acessar o programa, o produtor precisa cumprir três KPIs ambientais, sendo obrigatório o indicador de emissões de gases de efeito estufa (GEE) com plano de redução. Cada meta alcançada gera desconto progressivo na taxa de juros, que pode superar 0,6%, conforme a análise de crédito.
Segundo Taciano Custódio, head de Sustentabilidade do Rabobank América do Sul, “o PRO Carbono é um aliado estratégico para transformar métricas ambientais em vantagem competitiva e resiliência financeira para os produtores”.
Reconhecimento e impacto no setor
O sucesso do PRO Carbono reforça a liderança da Bayer na agricultura regenerativa e na construção de cadeias produtivas mais competitivas e sustentáveis. Em 2025, a companhia foi vencedora do Prêmio Eco 2025 da Amcham Brasil, que reconhece empresas que transformam sustentabilidade em vantagem estratégica.
Ao todo, a plataforma foi destaque em nove premiações do setor, com sete projetos selecionados para publicação e três premiados, consolidando sua relevância no avanço da descarbonização e competitividade do agronegócio latino-americano.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Carne, café e soja terão que comprovar origem a partir de 30 de dezembro
Published
4 horas agoon
5 de outubro de 2026By
Da Redação
Produtores, cooperativas e exportadores brasileiros que abastecem o mercado europeu têm menos de três meses para revisar as informações de origem dos produtos sujeitos ao Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR). A aplicação começa em 30 de dezembro para grandes e médios operadores abrangidos pela norma. A preparação exige identificar as áreas de produção, conferir fornecedores e reunir evidências de regularidade.
O regulamento alcança bovinos, cacau, café, óleo de palma, borracha, soja, madeira e determinados derivados. Para entrar no mercado europeu, os produtos incluídos precisam atender a dois critérios: estar livres de desmatamento posterior a 31 de dezembro de 2020 e ter sido produzidos conforme a legislação aplicável no país de origem.
Isso significa que uma autorização de supressão de vegetação concedida no Brasil não afasta, por si só, o critério europeu. O comprador responsável pela entrada da mercadoria no bloco terá de verificar tanto a legalidade da produção quanto o histórico da área.
A localização é uma das informações centrais. Para produtos agrícolas, o regulamento exige a geolocalização das áreas onde a matéria-prima foi produzida. Quando um lote reúne produção de diferentes propriedades, as respectivas origens precisam ser identificadas.
Na pecuária, a exigência envolve os estabelecimentos onde os bovinos foram mantidos. A organização dos dados, portanto, precisa alcançar as etapas anteriores ao fornecimento para o abate, conforme os requisitos aplicáveis ao produto.
O Cadastro Ambiental Rural (CAR) pode integrar o conjunto de informações utilizado na comprovação. Sua apresentação, entretanto, precisa estar acompanhada de dados e evidências verificáveis sobre a área, a produção e sua conformidade. Divergências entre coordenadas, documentos e registros dos fornecedores podem dificultar a análise.
A obrigação de realizar a chamada diligência devida, processo de coleta de informações e avaliação de riscos, recai principalmente sobre o operador que introduz o produto no mercado europeu pela primeira vez ou o exporta da União Europeia. O produtor brasileiro que fornece a uma empresa responsável pela exportação pode receber pedidos de informações necessários ao cumprimento dessas obrigações.
Essa diferença também importa para os prazos. A maior parte dos micro e pequenos operadores abrangidos terá até 30 de junho de 2027, mas isso não assegura automaticamente um prazo adicional ao pequeno produtor brasileiro. Quem abastece um comprador sujeito às regras em dezembro precisa organizar os dados conforme as necessidades dessa cadeia.
Há uma exceção no calendário: micro e pequenos operadores já alcançados pelo regulamento europeu da madeira deverão cumprir a EUDR a partir de 30 de dezembro de 2026.
O Brasil está classificado pela Comissão Europeia como país de risco padrão. Por isso, os produtos brasileiros não recebem, de forma geral, a simplificação da diligência reservada às origens de baixo risco. O operador deve avaliar as informações e adotar medidas para reduzir eventuais riscos de descumprimento.
Quando os dados obrigatórios não podem ser obtidos, o produto não pode ser colocado no mercado europeu pelo operador sujeito à regra. Os documentos da diligência devem ser conservados por cinco anos.
A lista de produtos também merece atenção. Segundo a Comissão Europeia, itens acrescentados ao alcance da norma em 2026, como café solúvel, determinados derivados do óleo de palma e línguas bovinas congeladas, estarão sujeitos às exigências a partir de 30 de dezembro de 2027.
Para preparar os próximos embarques, o primeiro passo é confirmar com o comprador quais produtos e operações estão abrangidos. Depois, conferir as localizações, relacionar cada fornecimento à sua origem e organizar o histórico das áreas e os documentos de legalidade. A revisão antecipada permite identificar lacunas antes que elas comprometam a comercialização.
Fonte: Pensar Agro
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