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Pressão contra “taxa do agro” reacende debate sobre custo da infraestrutura

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A cobrança conhecida no setor rural como “taxa do agro” voltou ao centro do debate em Mato Grosso após a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) pedir, nesta quarta-feira (04.03), medidas urgentes para reduzir o peso da contribuição sobre os produtores do Estado. A entidade defende o encerramento do adicional chamado Fethab 2 e a suspensão do reajuste previsto para o segundo semestre.

A expressão “taxa do agro” refere-se ao Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab), criado em 2000 para financiar obras de infraestrutura logística e habitacional no Estado. A contribuição incide principalmente sobre a comercialização de commodities agrícolas — como soja e milho — além de bovinos, e tornou-se uma das principais fontes de recursos para manutenção e pavimentação de rodovias estaduais, fundamentais para o escoamento da produção.

Diferentemente de um imposto tradicional, o Fethab é uma contribuição vinculada a um fundo específico. O valor é recolhido pelos produtores no momento da comercialização da produção e calculado com base na Unidade de Padrão Fiscal de Mato Grosso, indicador estadual corrigido periodicamente pela inflação.

Na prática, o mecanismo funciona como uma compensação fiscal: em troca do pagamento da contribuição, o produtor obtém isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços sobre essas operações. A arrecadação é destinada majoritariamente à infraestrutura logística — especialmente rodovias utilizadas pelo agronegócio — além de projetos habitacionais.

Com a expansão da produção agrícola nas últimas duas décadas, o fundo ganhou relevância crescente no financiamento da malha rodoviária estadual, considerada estratégica para o transporte de grãos até portos e centros de processamento.

A principal crítica da Aprosoja-MT recai sobre o chamado Fethab 2, um adicional criado posteriormente à contribuição original. Esse acréscimo tem vigência prevista até 31 de dezembro de 2026 e amplia o valor total pago pelos produtores.

Segundo a entidade, a combinação entre o adicional e a atualização anual pela UPF tem elevado o peso da cobrança na estrutura de custos da produção agrícola, especialmente em um momento de margens mais apertadas no setor.

A associação afirma que o cenário atual reúne fatores adversos como juros elevados, crédito mais restrito, aumento da inadimplência e problemas climáticos que afetaram a colheita em algumas regiões. Nesse contexto, a contribuição — indexada à inflação — passa a ter impacto crescente sobre a renda agrícola, sobretudo entre pequenos e médios produtores.

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Outro ponto de insatisfação citado pela entidade envolve as regiões onde rodovias estaduais foram concedidas à iniciativa privada. Nesses casos, produtores argumentam que acabam pagando duas vezes pelo transporte da produção: primeiro por meio do Fethab e, posteriormente, por pedágios nas estradas concessionadas.

Segundo a Aprosoja-MT, essa situação tem gerado forte pressão política dentro do setor, que cobra revisão do modelo de financiamento da infraestrutura logística.

Mecanismos semelhantes ao Fethab não são exclusivos de Mato Grosso. Alguns Estados produtores adotaram fundos de infraestrutura financiados por contribuições do próprio agronegócio, geralmente vinculadas à comercialização de commodities.

Em Goiás, por exemplo, foi criado o Fundo Estadual de Infraestrutura, com objetivo semelhante: financiar obras logísticas por meio de contribuições de produtores agrícolas, pecuaristas e mineradores. Em fevereiro deste ano, o governador anunciou a intenção de revogar a cobrança, diante das dificuldades enfrentadas pelo setor.

Outras unidades da federação discutem modelos parecidos, embora com estruturas diferentes de contribuição. A ideia central é utilizar parte da renda gerada pelo agronegócio para financiar estradas, pontes e logística rural — gargalos históricos da produção agrícola brasileira.

Isan Rezende

DESAFIOS – O presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos (Feagro-MT), Isan Rezende. lembra que em Mato Grosso, maior produtor de grãos do País, o Fundo tornou-se uma das principais fontes de financiamento da infraestrutura logística estadual.

“Nos últimos anos, a arrecadação anual do fundo tem oscilado entre cerca de R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões, impulsionada sobretudo pela contribuição incidente sobre a comercialização de soja, principal cultura agrícola do Estado”.

“O Estado cultiva mais de 20 milhões de hectares de soja e milho e depende fortemente de rodovias para transportar a safra até terminais ferroviários e portos do Arco Norte e do Sudeste. Por essa razão, qualquer mudança na contribuição envolve desafios fiscais”, reconhece isan, advertindo que eventuais alterações precisam respeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal, além de considerar compromissos já assumidos pelo governo estadual.

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Em julho do ano passado, após articulação com parlamentares, o governo de Mato Grosso decidiu congelar temporariamente o valor da contribuição até dezembro de 2025, fixando a UPF com base no índice vigente no início daquele ano. Para os produtores, porém, a medida apenas adiou um debate mais amplo sobre o modelo de financiamento da infraestrutura rural no Estado.

“O financiamento da infraestrutura logística é uma necessidade inegável em um Estado com a dimensão territorial e o volume de produção de Mato Grosso. No entanto, qualquer contribuição que recaia diretamente sobre o produtor precisa ser calibrada com cuidado para não comprometer a competitividade do setor. O agro mato-grossense já opera com custos elevados de transporte e, em um cenário de margens mais apertadas, o peso adicional de fundos ou taxas tende a impactar diretamente a capacidade de investimento no campo”, afirma o presidente do Instituto do Agronegócio.

“É importante que haja previsibilidade e transparência na aplicação desses recursos. O produtor aceita contribuir quando consegue perceber retorno efetivo na forma de estradas melhores, redução de gargalos logísticos e maior eficiência no escoamento da safra. O problema surge quando a cobrança cresce de forma automática, acompanhando índices inflacionários, sem que haja clareza sobre o ritmo das obras ou sobre os ganhos concretos de competitividade”, acrescenta.

“Por isso, o debate precisa avançar para um modelo mais equilibrado. O agronegócio pode participar do financiamento da infraestrutura, mas não pode ser o único responsável por sustentar esse sistema. Mato Grosso produz para o Brasil e para o mundo; portanto, a logística que sustenta essa produção deve ser tratada como uma agenda estratégica nacional, com participação mais ampla do poder público e de diferentes agentes econômicos”, conclui Isan Rezende.

Fonte: Pensar Agro

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Batata: safra de inverno amplia oferta e coloca preços em alerta

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A oferta de batata deve ganhar força entre agosto e setembro com o avanço da colheita de inverno em Vargem Grande do Sul, no interior de São Paulo. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), somente em agosto deverá ser retirado do campo o equivalente a 35% da safra regional, elevando o acumulado colhido para 50% até o fim do mês.

O aumento sazonal da disponibilidade pode manter as cotações pressionadas no curto prazo, especialmente se a colheita avançar simultaneamente em outros polos produtores. Para o agricultor, o cenário reforça a necessidade de acompanhar o ritmo de entrada do produto no mercado, a qualidade dos lotes e os custos de classificação, armazenamento e transporte.

Em julho, a produtividade média das lavouras de Vargem Grande do Sul ficou próxima de 30 toneladas por hectare, abaixo do potencial da região. Colaboradores consultados pelo Cepea atribuíram o resultado ao excesso de chuva registrado em maio e junho e à elevada frequência de dias nublados, que reduziu a luminosidade e prejudicou a fotossíntese das plantas.

Para agosto, a expectativa é de recuperação do rendimento para aproximadamente 40 toneladas por hectare, patamar próximo ao observado nos últimos anos. A melhora, combinada com a concentração da colheita, deverá ampliar o volume ofertado ao mercado.

O produtor, entretanto, ainda precisa manter atenção redobrada ao manejo fitossanitário. Houve registros de canela-preta depois de cerca de 60 dias da tuberização, favorecidos pela elevação das temperaturas, embora a doença tenha sido rapidamente controlada. A requeima, presente desde junho, intensificou-se em julho e também contribuiu para limitar a produtividade. Apesar dos problemas, a qualidade dos tubérculos colhidos é considerada satisfatória.

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O avanço regional da oferta ocorre em um ano de redução da produção brasileira. O levantamento de julho do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima a safra nacional de batata-inglesa de 2026 em 4,2 milhões de toneladas, queda de 8,3% em relação às 4,58 milhões de toneladas produzidas em 2025.

A retração é explicada principalmente pelas perdas de área. O país deverá colher 121,8 mil hectares, 9,4% menos que no ano passado. A produtividade média nacional, por outro lado, está estimada em 34,5 toneladas por hectare, crescimento de 1,2%.

A terceira safra, correspondente ao cultivo de inverno, deverá produzir 892,2 mil toneladas, recuo de 19,3% frente a 2025. A área destinada ao ciclo diminuiu 23,9%, para 22,1 mil hectares. O rendimento médio esperado, contudo, subiu 6,1% e alcança 40,3 toneladas por hectare.

Isso significa que o mercado pode enfrentar dois movimentos diferentes. No curto prazo, a concentração da colheita entre agosto e setembro amplia a oferta e pode pressionar as cotações recebidas pelo produtor. No conjunto do ano, porém, a disponibilidade nacional deverá ser menor que a registrada em 2025.

A queda de preços já apareceu no varejo. A batata-inglesa recuou 19,59% em julho no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A continuidade desse movimento dependerá do ritmo da colheita, do rendimento das lavouras e da qualidade comercial dos lotes que chegarem aos atacados.

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Apesar de produzir mais de 4 milhões de toneladas por ano, o Brasil não exerce papel central no mercado mundial. Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostram que o planeta produziu 390,4 milhões de toneladas de batata em 2024. O Brasil respondeu por aproximadamente 1,1% desse volume e ocupou a 18ª posição entre os países produtores. China e Índia lideram com ampla vantagem.

A produção brasileira é direcionada principalmente ao mercado interno. No comércio exterior, o maior desequilíbrio está nos produtos processados. Em 2025, considerando a pauta formada por batata-doce e batatas preparadas ou conservadas, o país exportou 36,5 mil toneladas e importou 345,7 mil toneladas — um volume importado quase 9,5 vezes superior ao exportado.

As compras externas foram lideradas por batatas preparadas e conservadas, especialmente produtos congelados destinados ao varejo e ao setor de alimentação. Argentina, Bélgica, Países Baixos e Egito estiveram entre os principais fornecedores. O déficit não significa falta de batata fresca no país, mas revela a dependência brasileira de produtos com maior grau de processamento industrial.

Para o produtor, a entrada no pico da safra exige atenção à comercialização. Mesmo com uma produção nacional menor em 2026, a concentração temporária da oferta pode reduzir preços e margens. Qualidade, produtividade, escalonamento da colheita e negociação antecipada serão determinantes para atravessar o período de maior disponibilidade.

Fonte: Pensar Agro

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