AGRONEGÓCIO
Presidente Lula Sanciona Lei que Regula Geração de Energia Offshore no Brasil, com Vetos
Publicado em
14 de janeiro de 2025por
Da Redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, com vetos, o Projeto de Lei nº 576, de 2021, que estabelece as diretrizes para a exploração do potencial energético offshore no Brasil. A energia gerada offshore utiliza turbinas eólicas instaladas em plataformas fixas ou flutuantes no fundo marinho, sendo uma fonte limpa e renovável que aproveita a força dos ventos, especialmente em alto-mar, onde as condições são mais favoráveis e constantes. Este tipo de geração eólica é mais produtivo do que as instalações terrestres, uma vez que os aerogeradores são de maior porte. A Lei foi publicada em uma edição extra do Diário Oficial da União (DOU) em 10 de janeiro de 2025.
A sanção presidencial representa um avanço significativo, estabelecendo o marco regulatório para o desenvolvimento da energia offshore no país. A norma define diretrizes para a exploração do potencial energético em áreas sob domínio da União, incluindo o mar territorial, a zona econômica exclusiva e a plataforma continental, com ênfase na produção de energia elétrica renovável.
Incentivos e Sustentabilidade Ambiental
O texto aprovado também prevê incentivos para o fortalecimento da indústria nacional, criação de empregos e aumento da segurança energética do Brasil, alinhando aspectos econômicos e ambientais. A Lei exige que as atividades de exploração sejam sustentáveis, com medidas para o descomissionamento de empreendimentos e a recuperação das áreas afetadas. Além disso, estabelece a obrigatoriedade de consultas às comunidades impactadas, respeitando as práticas tradicionais marítimas e a cultura local.
As receitas geradas pela exploração, provenientes de bônus de assinatura, taxas de ocupação e participação proporcional sobre a energia gerada, serão compartilhadas entre a União, estados e municípios. Os recursos serão direcionados prioritariamente para pesquisa, inovação tecnológica e desenvolvimento sustentável.
Potencial de Crescimento e Inovação
O Brasil ocupa atualmente a sexta posição no ranking mundial de produção de energia eólica. A implementação desta nova Lei abre a possibilidade de um avanço significativo na geração de energia limpa, atendendo a uma demanda crescente e contribuindo para a redução de custos, além de impulsionar a indústria local. Vale destacar que a energia offshore é uma novidade no Brasil, uma vez que o país ainda não possui plataformas instaladas devido à ausência de uma legislação específica.
Vetos Presidenciais
O presidente vetou os artigos 22, 23 e 24 da Lei sancionada, por entender que esses dispositivos não estavam relacionados diretamente à geração de energia eólica offshore e não faziam parte do projeto original. Tais artigos propunham a manutenção de matrizes energéticas mais poluentes, como as termelétricas a carvão e gás, além de ajustes nos índices de correção tarifária, o que poderia prejudicar a população e gerar custos bilionários para as finanças públicas.
Compromisso com a Transição Energética
Com esta sanção, o Brasil reforça seu compromisso com a transição energética, posicionando-se como um líder global no desenvolvimento de energias renováveis. A medida alinha o país com as principais tendências globais de sustentabilidade ambiental, promovendo o desenvolvimento econômico e a redução das desigualdades regionais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
El Niño e fertilizantes mais caros ameaçam desempenho do agro e podem reduzir produção brasileira até 2027
Published
28 minutos agoon
2 de junho de 2026By
Da Redação
Depois de impulsionar a economia brasileira nos últimos anos, o agronegócio começa a enfrentar um cenário mais desafiador. A combinação entre a possível formação do fenômeno El Niño, o aumento dos preços dos fertilizantes, juros elevados e a queda nas cotações de commodities agrícolas acende um sinal de alerta para produtores e analistas do setor.
Embora a agropecuária tenha registrado crescimento de 2% no primeiro trimestre de 2026, segundo dados do IBGE, especialistas avaliam que o desempenho tende a perder força nos próximos meses, com reflexos mais significativos sobre a produção e a rentabilidade em 2027.
Crescimento do agro perde impulso após ciclo excepcional
O resultado positivo do início do ano foi sustentado principalmente pela colheita de grãos, especialmente da soja, cuja produção se concentra nos primeiros meses do calendário agrícola.
No entanto, o setor parte agora de uma base de comparação elevada. Em 2025, o agronegócio brasileiro registrou expansão de 12%, impulsionado por uma combinação favorável de fatores climáticos, recordes de produção e elevado volume de abates na pecuária.
Segundo analistas do mercado, aquele cenário foi marcado por uma conjuntura excepcional, difícil de ser repetida nos próximos anos.
Além disso, a ampla oferta global de grãos e os elevados estoques internacionais vêm pressionando os preços das commodities agrícolas. A valorização do real frente ao dólar também reduz a receita dos exportadores brasileiros em moeda nacional, afetando especialmente produtores de soja, milho, algodão e café.
El Niño pode atrasar plantios e comprometer safra de 2027
A principal preocupação do setor está relacionada à possível formação do El Niño nos próximos meses. Meteorologistas indicam elevada probabilidade de consolidação do fenômeno entre junho e julho deste ano.
Caso confirmado, os impactos sobre a agricultura brasileira deverão ocorrer principalmente durante o plantio da próxima safra, com reflexos diretos na produção de 2027.
O El Niño altera os padrões climáticos no país, provocando estiagens em importantes regiões produtoras do Centro-Norte e excesso de chuvas no Sul.
Entre as áreas mais vulneráveis estão os estados que compõem o Matopiba — Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — além de Mato Grosso e Pará, regiões estratégicas para a produção de soja, milho, algodão e pecuária de corte.
No Sul do país, especialmente no Rio Grande do Sul, o excesso de precipitações pode comprometer culturas como o arroz e dificultar operações de campo.
Especialistas alertam que, embora a maior parte da safra atual já esteja implantada, o fenômeno poderá provocar atrasos no calendário agrícola, necessidade de replantio e aumento dos custos operacionais dos produtores.
Fertilizantes mais caros elevam custos de produção
Outro fator que preocupa o setor é a escalada dos preços dos fertilizantes, impulsionada pelas tensões geopolíticas e pelos conflitos no Oriente Médio.
Embora os efeitos sobre os preços dos alimentos ainda não sejam imediatos, os produtores já enfrentam aumento significativo nos custos para aquisição dos insumos que serão utilizados nas próximas safras.
A elevação dos preços pode levar muitos agricultores a reduzir a quantidade aplicada nas lavouras ou optar por fertilizantes de menor concentração nutricional, alternativas que comprometem o potencial produtivo das culturas.
Além da redução da eficiência agronômica, o uso de produtos menos concentrados também aumenta despesas logísticas, uma vez que exige maiores volumes para atingir os mesmos níveis de fertilização.
Como consequência, crescem os gastos com transporte, armazenagem, operações mecanizadas e consumo de combustível.
Juros altos ampliam pressão sobre produtores rurais
O cenário de crédito mais caro também contribui para aumentar a cautela no campo.
Com taxas de juros elevadas, muitos produtores enfrentam dificuldades para financiar custeio, investimentos e aquisição de insumos. O encarecimento do crédito reduz a capacidade de expansão das áreas cultivadas e limita a adoção de tecnologias capazes de elevar a produtividade.
Esse ambiente de maior restrição financeira pode comprometer a competitividade de parte do setor, especialmente entre médios e pequenos produtores.
Pecuária entra em nova fase do ciclo produtivo
Na pecuária bovina, o mercado passa por um movimento conhecido como virada de ciclo pecuário.
Após anos de abates elevados, incluindo grande participação de matrizes, os produtores iniciaram um processo de retenção de fêmeas para recomposição dos rebanhos e ampliação da produção futura de bezerros.
Embora seja um movimento natural da atividade, a mudança reduz temporariamente a oferta de animais para abate, influenciando a dinâmica do mercado de carne bovina nos próximos anos.
Perspectiva para o agronegócio exige atenção redobrada
As projeções indicam que o agronegócio brasileiro continuará desempenhando papel fundamental na economia nacional, mas enfrentará um ambiente mais complexo do que o observado nos últimos ciclos.
A combinação entre riscos climáticos, custos elevados de produção, crédito mais caro e pressão sobre os preços das commodities exige planejamento estratégico, gestão eficiente e maior adoção de tecnologias para preservar margens e garantir competitividade.
Para especialistas, os impactos mais relevantes desse novo cenário deverão ser sentidos ao longo de 2027, quando os efeitos do El Niño e dos fertilizantes mais caros poderão refletir diretamente sobre os volumes produzidos e os resultados econômicos do setor.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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