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Preocupação com as Contas Públicas Aumenta entre os Bancos, Afirma Banco Central

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O Banco Central informou, nesta quinta-feira (21), que uma pesquisa realizada com instituições financeiras do Brasil apontou um aumento significativo na preocupação com as contas públicas, com destaque para os chamados “riscos fiscais”. A informação consta no Relatório de Estabilidade Financeira, divulgado pelo órgão.

Nos últimos dias, o mercado financeiro esteve tenso, com o dólar e os juros futuros em alta, aguardando um possível pacote de cortes de gastos do governo, atualmente sendo finalizado pela equipe econômica. A principal preocupação dos bancos está relacionada ao impacto do aumento dos gastos públicos na trajetória da dívida do país, bem como os efeitos sobre o valor dos ativos, como o dólar, a inflação e as taxas de juros, incluindo a taxa Selic, que atualmente se encontra em 11,25% ao ano.

O mercado espera que o governo anuncie medidas capazes de conter as despesas, de forma a garantir a sustentabilidade das regras fiscais e equilibrar as contas públicas. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem uma reunião marcada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quinta-feira para tratar das possíveis medidas a serem adotadas.

Entre as principais medidas em estudo estão:

  • Mudança na fórmula de reajuste do salário mínimo: O governo deve alterar a forma de correção do piso salarial, que atualmente é ajustado pela inflação mais o crescimento do PIB. A nova fórmula manteria um aumento real (acima da inflação) de 0,6% a 2,5%. Para 2025, a previsão é de 2,5%, sendo que, sem a mudança, o reajuste seria de 2,9% devido ao crescimento do PIB do ano anterior.
  • Previdência dos militares: A proposta em discussão visa aumentar, de forma gradual, a idade mínima para que os militares se aposentem, passando de 50 para 55 anos. A transição para essa mudança ainda será debatida. Além disso, deve-se acabar com a “morte ficta”, ou seja, a pensão paga às famílias de militares expulsos, e aumentar a contribuição para o fundo de saúde para 3,5% da remuneração até 2026.
  • Nova regra para o abono salarial: O governo planeja restringir os critérios para concessão do abono salarial, que é um tipo de 14º salário pago a trabalhadores de baixa renda com carteira assinada. Atualmente, tem direito ao benefício quem recebe até dois salários mínimos. A proposta é reduzir esse limite para 1,5 salário mínimo. Essa medida, no entanto, não deve ter impacto imediato e provavelmente só será aplicada em 2026.
  • Fim dos supersalários: Está sendo estudada a possibilidade de cortar os salários acima do teto do funcionalismo público, deixando claro, por meio de legislação, que benefícios adicionais (penduricalhos) nos salários de servidores também devem ser incluídos no limite de remuneração.
  • Ministérios envolvidos nas discussões: Até o momento, representantes de 12 ministérios participaram das reuniões no Palácio do Planalto. As medidas discutidas envolvem principalmente as pastas de Trabalho e Emprego, Educação, Saúde, Desenvolvimento Social e Previdência Social, mas também incluem os ministérios da Defesa, Desenvolvimento e Comércio Exterior, Casa Civil, Comunicação Social, Advocacia-Geral da União, além das pastas econômicas: Fazenda, Planejamento e Gestão.
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O Impacto da Falta de Cortes

Analistas alertam que, caso o governo não adote os cortes de gastos obrigatórios, conforme estipulado na nova regra fiscal aprovada no ano passado, o espaço para gastos discricionários poderá se reduzir drasticamente. Isso afetaria políticas públicas essenciais, como bolsas de estudo, fiscalização ambiental e programas de saúde, como o “Farmácia Popular”. O Tribunal de Contas da União (TCU) prevê que, se nenhuma ação for tomada, esse espaço pode ser completamente comprometido nos próximos anos, o que resultaria em um paralisamento das operações do governo e das políticas voltadas à população.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Dependência de fertilizantes importados expõe vulnerabilidade do agronegócio brasileiro e pressiona custos no campo

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A elevada dependência de fertilizantes importados segue como um dos principais pontos de vulnerabilidade estrutural do agronegócio brasileiro, mesmo diante da posição de destaque do país no comércio global de alimentos. O tema ganha ainda mais relevância em um cenário de forte oscilação geopolítica e volatilidade nos mercados internacionais de insumos.

A avaliação é de Nivio Domingues, da Samba Export Brazil, especialista no mercado de insumos agrícolas e seus impactos sobre o custo de produção e a formação de preços dos grãos.

Brasil bate recorde, mas segue altamente dependente de importações

Em 2025, o Brasil atingiu a marca de 49,11 milhões de toneladas de fertilizantes entregues ao mercado interno, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). O volume representa um recorde histórico para o setor.

Apesar disso, a dependência externa permanece elevada: do total consumido, 43,32 milhões de toneladas foram importadas, o equivalente a 88,2% do mercado nacional.

A concentração é ainda mais crítica quando analisada por nutriente:

  • Potássio: 97% importado
  • Nitrogênio: 95% importado
  • Fósforo: 75% importado

Até fevereiro de 2026, a Rússia liderava como principal fornecedora individual de fertilizantes ao Brasil, respondendo por 22,1% das compras externas.

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Risco geopolítico afeta planejamento do agro brasileiro

A forte dependência externa expõe diretamente cadeias produtivas estratégicas do agronegócio, como soja, milho, café e proteínas animais, a decisões tomadas fora do país.

O impacto desse risco ficou evidente a partir de 2022, com o início da guerra na Ucrânia, que interrompeu parte do fornecimento de potássio oriundo da Rússia e da Bielorrússia. O episódio acendeu um alerta global sobre segurança de insumos e seu reflexo direto no plantio em importantes regiões produtoras do Brasil, como Mato Grosso e Paraná.

Plano Nacional de Fertilizantes busca reduzir dependência até 2050

Diante desse cenário, entidades do setor produtivo como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a ANDA têm articulado o Plano Nacional de Fertilizantes, que prevê reduzir a dependência externa para cerca de 50% até 2050.

Entre os principais gargalos, está a baixa produção nacional de nutrientes estratégicos. Atualmente, a Petrobras é a única produtora de nitrogênio em escala industrial no país, enquanto novos projetos de fertilizantes NPK dependem de maior investimento privado e segurança regulatória para avançar.

Fertilizantes já influenciam preço dos grãos e margens do produtor

No comércio internacional, o custo dos fertilizantes já faz parte das negociações globais de grãos, influenciando diretamente a competitividade do Brasil no mercado externo.

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A volatilidade desses insumos se reflete nos preços finais da soja, do milho e do açúcar nos portos brasileiros, ampliando a exposição do produtor rural a fatores que não estão sob seu controle direto.

Segundo especialistas do setor, a dependência externa cria um efeito cascata sobre toda a cadeia produtiva, impactando desde a decisão de plantio até a margem final do produtor.

Potencial mineral ainda subaproveitado no Brasil

Para analistas do setor, o país ainda não explora plenamente seu potencial mineral estratégico. O exemplo mais citado é a reserva de potássio localizada em Sergipe, considerada uma das mais importantes do hemisfério ocidental.

“O Brasil não é potência agrícola apesar da dependência de fertilizante importado: é potência agrícola que ainda não converteu sua maior reserva de potássio em produção relevante”, avalia Domingues. Segundo ele, avançar nessa agenda teria impacto direto na competitividade das exportações brasileiras nos próximos anos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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