AGRONEGÓCIO

Prefeitura e MP discutem diretrizes do novo Plano Diretor de Cuiabá

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Uma reunião considerada “positiva e de muitas contribuições” marcou as discussões sobre o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PPDU) de Cuiabá. O encontro ocorreu na tarde de quinta-feira (19), no Palácio Alencastro, com a presença do prefeito Abilio Brunini e do promotor Carlos Eduardo Silva, além de equipes da Prefeitura e do Ministério Público do Estado de Mato Grosso.

Na ocasião, o prefeito apresentou novas diretrizes que devem compor o Plano Diretor, sob o conceito de construção de uma cidade mais voltada à ação social. Entre os dez eixos citados estão ordenamento territorial e uso do solo, habitação de interesse social e moradia digna, mobilidade urbana sustentável, infraestrutura básica, saneamento e preservação do patrimônio cultural e histórico. Inicialmente prevista para ocorrer no Ministério Público, a reunião foi transferida para a Prefeitura a pedido do gestor, o que possibilitou sua participação.

“É preciso pensar a cidade para as pessoas. Ter uma cidade que estimule pessoas, não carros. Uma cidade com deslocamento rápido. Para isso, precisamos mudar o Plano Diretor. Não é uma carta do que é para fazer, mas uma carta de inspiração. Tem que ter diretriz poética, tem que inspirar mais pessoas e menos carros”, afirmou o prefeito ao detalhar propostas como o redesenho da mobilidade urbana, com calçadas mais largas e pistas mais estreitas, priorizando pedestres no médio prazo.

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Abilio também destacou que é um erro determinar como as pessoas devem viver, em vez de considerar como elas desejam viver. Como exemplo, citou intervenções urbanas pontuais, chamadas de “acupunturas urbanas”, com impacto social imediato, como no bairro Jardim Passaredo, que recebeu quadra de areia, campo de futebol e parque infantil.

Para o promotor Carlos Eduardo Silva, o encontro representou avanço no processo. “A reunião foi ótima. O prefeito trouxe contribuições que serão avaliadas junto com a equipe na proposta original do Plano Diretor. Vamos aguardar o cronograma de reuniões e apresentações para que o Ministério Público acompanhe esse processo, que já vem de anos. Parece-me que agora há uma linha traçada sobre os objetivos do plano, e espero que avance”, declarou.

Também participaram da reunião o secretário municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, José Afonso Botura Portocarrero, e a secretária municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Lise Bokorni. Segundo Portocarrero, o encontro alinhou a retomada das discussões públicas. “O prefeito pôde explanar, junto ao Ministério Público e à equipe da Prefeitura, os pontos que fazem parte do conceito do Plano Diretor. Estamos preparando a reabertura das audiências públicas e já definimos um cronograma para esse processo”, afirmou.

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Lise Bokorni destacou que as propostas apresentadas trazem uma visão mais dinâmica e humana para o crescimento da cidade. “Colocam Cuiabá em uma projeção de expansão mais voltada à qualidade de vida do que à produção de veículos. É uma ótica diferenciada. Agora vamos avançar nos estudos para viabilizar a aprovação”, explicou.

O Plano Diretor ainda passará por ajustes, mas o prefeito Abilio sinalizou a intenção de acelerar o processo para que a proposta seja encaminhada e aprovada em breve. Também participaram do encontro equipes técnicas das secretarias envolvidas e representantes do Ministério Público.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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AGRONEGÓCIO

Crédito privado do agro supera R$ 1,34 trilhão e CPR lidera financiamento

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O estoque dos principais instrumentos privados de financiamento do agronegócio superou R$ 1,34 trilhão em julho, primeiro mês da safra 2026/27. O resultado mostra o aumento da participação do mercado de capitais no custeio da produção, na comercialização antecipada da safra e no financiamento de empresas ligadas às cadeias agroindustriais.

Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e abrangem as Cédulas de Produto Rural (CPR), as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA).

A CPR manteve a liderança entre os instrumentos analisados, com estoque de R$ 580,78 bilhões. O volume estava distribuído em 372 mil títulos, com valor médio de R$ 1,56 milhão por cédula.

Somente em julho foram emitidos R$ 37,53 bilhões em novas CPR. Esse é o dado que melhor indica o ingresso de operações no primeiro mês da nova temporada. O estoque total também inclui títulos emitidos anteriormente que ainda não foram liquidados.

A CPR permite ao produtor ou à cooperativa antecipar recursos para financiar a atividade. Na modalidade física, o compromisso pode ser liquidado com a entrega futura do produto agropecuário. Na CPR financeira, a quitação ocorre em dinheiro. O instrumento também é usado como garantia em operações para a compra de sementes, fertilizantes, defensivos e outros insumos.

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O avanço das CPR amplia as alternativas ao crédito rural bancário, especialmente em períodos de juros elevados ou de maior restrição nas linhas oficiais. Ao mesmo tempo, exige atenção às condições estabelecidas no contrato, como taxa de juros, forma de liquidação, garantias, vencimento e consequências em caso de frustração da safra.

As Letras de Crédito do Agronegócio apresentaram o segundo maior estoque, com R$ 560,37 bilhões. As LCA são emitidas por instituições financeiras para captar dinheiro de investidores e financiar operações relacionadas ao setor.

Pelas regras atuais do Manual de Crédito Rural, pelo menos 60% do estoque das LCA deve ser reaplicado no financiamento da atividade agropecuária. Isso representa aproximadamente R$ 336,22 bilhões.

Dentro desse volume, ao menos 45% devem ser destinados ao crédito rural oficial, o equivalente a R$ 151,30 bilhões. Os valores incluem tanto operações da safra 2026/27 quanto contratos de temporadas anteriores que continuam em aberto.

Isso significa que o estoque divulgado não corresponde integralmente a recursos novos disponíveis para contratação imediata. Parte representa financiamentos já concedidos e títulos que ainda não chegaram ao vencimento.

Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio somaram R$ 174,20 bilhões em julho. O CRA permite transformar créditos originados em negócios do setor em títulos negociados com investidores, aproximando empresas e cadeias produtivas do mercado de capitais.

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Já os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio alcançaram estoque de R$ 30,21 bilhões. O CDCA é emitido por cooperativas e empresas que atuam na comercialização, no beneficiamento ou na industrialização de produtos agropecuários e tem como lastro direitos de crédito ligados ao setor.

Fora da soma de R$ 1,34 trilhão, os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) também avançaram como fonte privada de recursos. Os dados mais recentes, referentes a junho, mostram patrimônio líquido de R$ 64,13 bilhões distribuído entre 285 fundos.

Os Fiagro podem investir em imóveis rurais, participações em empresas, direitos creditórios e outros ativos ligados ao agronegócio. Para o setor produtivo, funcionam como uma ponte entre investidores e projetos de produção, armazenagem, logística, agroindústria e aquisição de ativos.

O crescimento desses instrumentos reforça a diversificação do financiamento rural, historicamente concentrado nos bancos e nos recursos do Plano Safra. Para o produtor, porém, maior oferta de alternativas não elimina a necessidade de comparar custos, garantias e riscos. O volume disponível no mercado é elevado, mas o acesso e as condições de pagamento variam conforme a atividade, o porte da operação e a capacidade financeira de cada tomador.

Fonte: Pensar Agro

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