AGRONEGÓCIO

Prefeitura de Cuiabá inaugura estúdio público e fortalece produção musical regional

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Na antevéspera de Natal, a Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer, deu um maravilhoso presente para os músicos da capital: o primeiro estúdio público de produção sonora e musical da região. O espaço, inaugurado na noite desta segunda-feira (23) na sede do Museu da Imagem e do Som de Cuiabá (MISC), contou com a presença maciça de artistas locais, que fizeram questão de prestigiar o evento.

Batizado em homenagem ao saudoso saxofonista João Batista de Jesus da Silva, o Mestre Bolinha, o estúdio celebra a memória de um dos maiores expoentes da música cuiabana. Segundo o secretário municipal de Cultura, Justino Astrevo, a escolha do nome reconhece a importância do músico no fortalecimento da cena cultural da cidade. “O Mestre Bolinha foi um protagonista na difusão, preservação e consolidação do movimento musical local. Sua trajetória é um patrimônio cultural de Cuiabá, e essa homenagem reflete nosso reconhecimento e gratidão por seu legado”, afirmou.

Emocionada, a viúva do Mestre Bolinha, Santina da Silva e Silva, expressou sua alegria com a homenagem. “Essa homenagem ao Bolinha é muito importante para mim. É bom saber que ainda lembram dele, porque ele foi uma pessoa muito especial. Caminhei com ele a vida toda, desde os meus 17 anos, e sei o quanto ele fez pela música de Cuiabá. Estou muito feliz por essa homenagem que fizeram. Estão de parabéns! É o reconhecimento do legado dele, e isso é o que mais importa.”

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O coordenador do MISC, Cristóvão Gonçalves, destacou que o estúdio oferece uma oportunidade única para os artistas locais. “Os interessados poderão enviar seus demos para avaliação por profissionais do projeto Cuiabá Sonoro. Os selecionados terão acesso a um espaço equipado com tecnologia de ponta, incluindo microfones de alta qualidade, bateria eletrônica e uma mesa de som avançada. Nosso objetivo é democratizar o acesso à produção musical, especialmente para quem não tem condições de arcar com os custos de estúdios comerciais”, explicou.

O músico Wellington Berê ressaltou o impacto positivo do estúdio para os artistas da cidade. “A inauguração desse novo estúdio representa um grande avanço para os músicos de Cuiabá, especialmente para os iniciantes. O primeiro desafio de um artista é produzir sua obra, e um espaço como esse facilita esse processo, permitindo que mais músicas sejam criadas e disponibilizadas. Isso fortalece não apenas a produção artística, mas também o mercado local, aumentando as chances de os artistas viverem de sua própria criação”, comentou.

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O secretário de Cultura finalizou sua fala enfatizando que o estúdio integra um projeto maior, promovido pela gestão Emanuel Pinheiro, que visa fortalecer a formação e a produção musical em Cuiabá, incluindo a futura criação de uma Escola Municipal de Música. “Atualmente, o município já conta com o programa Cuiabá Sonoro, que oferece aulas gratuitas de instrumentos musicais com cinco professores especializados. O estúdio, como parte dessa iniciativa, oferece uma oportunidade única para artistas locais que não têm condições de gravar suas músicas de forma comercial. Nele, é possível produzir o primeiro single, CD ou música gratuitamente, em um espaço equipado para atender às demandas de qualidade do mercado musical. Essa iniciativa busca apoiar e valorizar o rico movimento musical local, presente nas casas noturnas e eventos da cidade, promovendo um suporte mais substancial à cena artística”, concluiu Astrevo.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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AGRONEGÓCIO

Pressão sobre preços nos EUA abre nova oportunidade para o agronegócio brasileiro

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A escalada do custo dos alimentos e dos combustíveis nos Estados Unidos começa a produzir uma mudança que pode favorecer o agronegócio brasileiro. Pressionado pela inflação e pela proximidade das eleições legislativas de novembro, o governo de Donald Trump passou a adotar medidas para ampliar a oferta de produtos e tentar reduzir preços ao consumidor. Na carne bovina, a decisão já abre uma nova janela para exportadores do Brasil.

Trump autorizou nesta semana a entrada adicional de 300 mil toneladas de carne bovina magra pelas condições mais favoráveis da cota tarifária americana. O volume será dividido em três parcelas de 100 mil toneladas, entre setembro e novembro, e ficará disponível para países enquadrados na categoria de “outros países ou áreas”, na qual o Brasil disputa espaço com outros fornecedores.

A mudança é relevante porque a cota compartilhada à qual a carne brasileira tem acesso normalmente é preenchida rapidamente. Depois de esgotado o limite, os embarques passam a enfrentar uma tarifa extra-cota de 26,4%, reduzindo a competitividade do produto.

Com a ampliação temporária, abre-se espaço para que mais carne brasileira chegue ao mercado norte-americano sem essa tarifa adicional. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) considera a medida uma oportunidade comercial, embora ressalte que o Brasil terá de disputar o novo volume com outros países habilitados.

O momento é particularmente favorável porque os Estados Unidos enfrentam falta de animais. O rebanho bovino americano caiu para o menor nível em cerca de 75 anos, depois de anos de seca, custos elevados e redução do número de matrizes. Como a recomposição do plantel leva tempo, aumentar as importações tornou-se uma das alternativas de curto prazo para ampliar a oferta.

O Brasil chega a essa abertura em posição importante. Entre janeiro e julho deste ano, os Estados Unidos compraram 233,8 mil toneladas de carne bovina brasileira, 17,1% mais que no mesmo período de 2025, tornando-se o segundo maior destino do produto nacional.

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No total, o Brasil exportou 1,97 milhão de toneladas de carne bovina nos primeiros sete meses de 2026, crescimento de 9,9%. A China continua como principal compradora, mas a abertura de espaço adicional nos Estados Unidos ganha importância justamente porque permite ao setor reduzir a dependência do mercado chinês.

Para o pecuarista brasileiro, uma demanda externa maior significa mais competição pela matéria-prima dentro do País. O efeito sobre a arroba não é automático, mas novos canais de exportação tendem a ampliar as alternativas comerciais dos frigoríficos e, principalmente em períodos de oferta mais ajustada de animais, podem contribuir para dar sustentação aos preços pagos pelo boi.

Combustível entra na mesma pressão

A carne não é o único produto que levou o governo americano a buscar alternativas para aumentar a oferta. A guerra contra o Irã elevou fortemente os preços do petróleo e levou a gasolina comum nos Estados Unidos para acima de US$ 4 por galão, cerca de US$ 1 a mais que há um ano.

Trump deve se reunir na próxima semana com representantes de refinarias e grandes redes de combustíveis para discutir formas de reduzir o preço nas bombas. O petróleo chegou a superar US$ 110 por barril durante o conflito, principalmente depois das restrições ao tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passava aproximadamente 20% do petróleo mundial.

Nesta sexta-feira (28), as cotações internacionais recuavam e caminhavam para encerrar a semana em queda, acompanhando a retomada parcial do fluxo de navios pela região. Ainda assim, o petróleo permanece bem acima dos níveis anteriores à guerra.

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A situação colocou também os biocombustíveis no centro da disputa. Os Estados Unidos possuem uma das maiores indústrias de etanol do mundo e adotaram neste ano metas recordes de incorporação de combustíveis renováveis. Ao mesmo tempo, refinarias pressionam por dispensas que reduziriam temporariamente suas obrigações de mistura.

O governo Trump discute justamente como aliviar os custos das refinarias sem prejudicar agricultores e produtores de biocombustíveis. Uma das possibilidades avaliadas é compensar eventuais dispensas concedidas agora com aumento das metas de combustíveis renováveis em 2027.

Para o Brasil, maior utilização de etanol nos Estados Unidos seria positiva para o mercado internacional, mas ainda não há uma decisão que permita afirmar que haverá aumento das compras do produto brasileiro. Ao contrário da carne bovina, portanto, a oportunidade para o etanol ainda é potencial.

O ponto em comum entre os dois mercados está na mudança de prioridade em Washington. Com alimentos e combustíveis mais caros pressionando o orçamento das famílias, o governo americano passou a procurar rapidamente formas de aumentar a oferta e reduzir custos.

Na carne, essa necessidade já derrubou parcialmente uma barreira que limitava o acesso ao maior mercado consumidor do mundo. Para o Brasil, que já é o maior exportador global de carne bovina e tem capacidade para ampliar embarques, a crise de preços americana pode se transformar em uma oportunidade adicional para pecuaristas e frigoríficos nos últimos meses de 2026.

Fonte: Pensar Agro

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