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Preços dos fertilizantes recuam, mas seguem em patamar elevado; riscos geopolíticos ainda preocupam o setor

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O relatório Atualização das Perspectivas 2025/26, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, aponta que o mercado internacional de fertilizantes começou o ano em alta, impulsionado pela forte demanda e por restrições na oferta global. Os principais nutrientes — fosfatados, nitrogenados e potássicos — registraram valorização significativa, embora os preços tenham mostrado sinais de recuo ao longo do segundo semestre.

Fosfatados lideram altas com ausência chinesa e demanda da indústria de baterias

Os fertilizantes fosfatados foram os que mais subiram, reflexo da ausência da China no mercado exportador por vários meses. Além disso, o aumento do preço do enxofre, matéria-prima essencial na produção, e a crescente demanda da indústria de baterias reforçaram a pressão sobre os preços. A retomada das exportações chinesas a partir do meio do ano, contudo, trouxe alívio gradual ao mercado, favorecendo uma leve correção de preços.

Nitrogenados enfrentam volatilidade e riscos de oferta no Oriente Médio

Os nitrogenados, como a ureia e a amônia, apresentaram grande volatilidade em 2025. Apesar disso, mantiveram-se valorizados, principalmente devido ao aumento dos riscos geopolíticos no Oriente Médio — região responsável por cerca de 40% das exportações globais. As tensões entre Israel e Irã elevaram a preocupação com possíveis interrupções na oferta, pressionando os preços internacionais.

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Potássicos sobem com oferta reduzida da Rússia e Belarus

O segmento de fertilizantes potássicos também registrou aumento de preços, sustentado pela demanda firme e pela redução temporária das exportações da Rússia e Belarus, que enfrentaram manutenções em minas durante o período. Grandes players globais acompanharam o movimento de valorização, reforçando a tendência geral do mercado.

Tendência de correção, mas preços ainda permanecem elevados

Segundo o Itaú BBA, os preços já recuaram das máximas registradas no meio do ano, principalmente com o alívio nas tensões geopolíticas. No entanto, a expectativa é de que a correção siga de forma gradual, mantendo os valores em patamares historicamente altos. O setor, segundo o relatório, ainda permanece altamente sensível a novos episódios de instabilidade internacional, que podem alterar o equilíbrio entre oferta e demanda.

Brasil surpreende com ritmo de importações e entregas ao produtor

No Brasil, o desempenho do mercado de fertilizantes foi melhor que o esperado. O ritmo de importações e entregas aos produtores manteve-se elevado, mesmo diante dos altos preços e da piora nas relações de troca. Contudo, o relatório aponta uma mudança no perfil dos insumos comprados, com maior participação de produtos de menor concentração de macronutrientes, reflexo da busca por alternativas mais econômicas.

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Atraso nas compras para a próxima safra preocupa o setor

Um ponto de atenção destacado pelo Itaú BBA é o atraso na comercialização dos insumos para a safra 2025/26. A necessidade de compras em curtos períodos de tempo, aliada às margens mais apertadas, pode gerar riscos logísticos e atrasos na entrega dos fertilizantes no momento ideal de uso, impactando diretamente o planejamento dos produtores rurais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode multiplicar área irrigada, mas água e energia limitam avanço

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O Brasil possui aproximadamente 10 milhões de hectares equipados para irrigação, mas poderia incorporar mais de 55 milhões de hectares à tecnologia, segundo estimativas oficiais. A expansão permitiria aumentar a produção dentro de áreas já ocupadas e reduzir perdas provocadas por estiagens, mas depende de investimentos em reservatórios, energia elétrica, licenciamento e gestão dos recursos hídricos.

Os números variam conforme a metodologia. O Portal da Irrigação, do governo federal, trabalha com cerca de 10 milhões de hectares equipados. Já o Atlas Irrigação, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), contabiliza 8,2 milhões de hectares irrigados e fertirrigados em sua base nacional mais abrangente.

O mesmo levantamento identifica potencial adicional de 55,85 milhões de hectares. Desse total, 26,69 milhões estão sobre áreas agrícolas de sequeiro, que dependem das chuvas, e outros 26,73 milhões sobre pastagens. A estimativa exclui áreas ambientalmente protegidas, mas representa uma possibilidade física, não uma expansão que possa ocorrer imediatamente.

Uma parcela entre 6 milhões e 8 milhões de hectares apresenta condições mais favoráveis para incorporação em prazo menor. Ainda assim, seriam necessários investimentos elevados na aquisição de equipamentos, ampliação das redes elétricas e construção de estruturas de captação, armazenamento e distribuição de água.

O avanço dos pivôs centrais mostra que o produtor já procura reduzir a dependência das chuvas. Levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificou 33.846 pivôs em funcionamento em 2024, responsáveis pela irrigação de 2,2 milhões de hectares.

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A tecnologia permite fornecer água em momentos decisivos, como germinação, floração e enchimento de grãos. No milho, a falta de umidade nessas fases pode provocar perdas mesmo quando o volume total de chuva da temporada fica próximo da média.

A irrigação também aumenta a previsibilidade para cooperativas, fábricas de ração, usinas de etanol e outras indústrias que dependem do fornecimento regular de grãos. Com menor oscilação na produção, a cadeia consegue organizar melhor compras, estoques e processamento.

Estudos realizados em regiões de agricultura irrigada encontraram indicadores econômicos superiores aos observados em municípios sem a mesma estrutura. As áreas analisadas, embora representassem cerca de 8% do espaço agrícola considerado, concentravam 704 mil hectares irrigados por pivôs e respondiam por aproximadamente 15% das exportações do agronegócio.

Uma simulação com a incorporação de 1.500 hectares irrigados apontou aumento inicial de R$ 8,27 milhões no valor adicionado pela agropecuária. Em uma segunda etapa, após os efeitos sobre fornecedores, serviços e empregos, o acréscimo poderia superar R$ 13 milhões.

Essas comparações, entretanto, não significam que a irrigação seja a única responsável pelo desempenho econômico. Municípios irrigantes também costumam concentrar propriedades tecnificadas, agroindústrias, crédito, armazenagem e melhor infraestrutura.

O principal limite é a disponibilidade de água em cada bacia. A ANA calcula que a irrigação responde por 46% de toda a água retirada de rios, reservatórios e aquíferos no Brasil e por 67% do consumo, parcela que não retorna imediatamente aos mananciais.

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Por isso, o potencial nacional não pode ser interpretado como autorização para irrigar qualquer área. Cada projeto depende da disponibilidade local, dos demais usos da água e da obtenção de outorga, documento que estabelece quanto poderá ser captado, por quanto tempo e em quais condições.

A construção de reservatórios pode guardar água durante o período chuvoso para utilização em momentos críticos. Esses projetos, porém, também precisam respeitar regras ambientais, segurança das barragens e limites de captação para não prejudicar o abastecimento das cidades, a indústria e outros produtores.

A energia elétrica é outro obstáculo. Sistemas de irrigação demandam potência elevada e funcionamento regular, mas parte das regiões com maior potencial agrícola ainda não dispõe de redes trifásicas ou capacidade suficiente para atender novos equipamentos. O custo da energia também interfere diretamente na viabilidade do investimento.

A expansão sustentável exige ainda sensores de umidade, acompanhamento meteorológico e equipamentos capazes de aplicar somente o volume necessário. Irrigar sem monitoramento pode desperdiçar água, elevar custos e provocar erosão, encharcamento ou perda de nutrientes.

Diante da maior frequência de veranicos e estiagens em períodos críticos, a irrigação tende a ganhar importância na agricultura brasileira. O avanço, contudo, dependerá menos da simples compra de pivôs e mais de planejamento por bacia, segurança jurídica, energia disponível e infraestrutura para armazenar água sem comprometer os demais usuários.

Fonte: Pensar Agro

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