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Preços do café arábica subiram forte em outubro no mercado mundial

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Naturalmente não foi um movimento linear de alta, o café em NY, que baliza a comercialização internacional, teve um outubro de ampla volatilidade, de montanha-russa nos preços. Tanto que após decolar 5,1% no dia 31 de outubro no contrato dezembro, já em 01 de novembro a cotação no mesmo contrato despencou 4,5%.

Mas o balanço de outubro foi positivo em grande parte por aspectos financeiros. O consultor de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach, cita a queda do dólar contra o real e outras moedas, a alta do petróleo e de outros mercados. Nos fundamentos, a preocupação com a oferta esteve focada na baixa dos estoques certificados da bolsa de NY, que de fato estão nos patamares mais baixos em um ano.

Porém, Barabach destaca que esse cenário dos estoques certificados tem sido comum nos últimos anos, com dificuldades para a bolsa recompor o volume. Essa diminuição nos estoques traz ao mercado a o sentimento de aperto na oferta no curto prazo. “Muito embora a causa da queda nos estoques certificados esteja mais atrelada a distorções entre o preço praticado no mercado físico e a referência de bolsa (arbitragem), do que propriamente à pouca disponibilidade de café”, ressalta.

As atenções seguem voltadas para o clima no Brasil, com vistas ao desenvolvimento da safra que será colhida em 2024. As chuvas seguiram irregulares em grande parte de outubro no cinturão cafeeiro no pós-florada. E as temperaturas foram elevadas, gerando preocupações. Porém, o clima deve melhorar em relação à umidade e as indicações ainda são de uma safra boa para o próximo ano.

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O mercado também monitora as exportações brasileiras. Houve relatos em outubro de muitas dificuldades logísticas, com falta de contêineres, caminhões, fretes caros e outros aspectos. Isso foi citado em alguns momentos como fator de alta em NY. Mas, o ritmo das exportações do país segue forte e o país embarcou mais de 4,2 milhões de sacas somente de café verde, conforme a Secretaria de Comércio Exterior.

O consultor de SAFRAS diz ainda que o mercado também se prepara para receber mais café de outras origens, que tem o início de um novo ciclo produtivo ao longo do último trimestre do ano, como é o caso da América Central e Colômbia. E os embarques de café robusta do Vietnã devem voltar a crescer especialmente a partir do próximo mês de novembro.

No balanço de outubro, o contrato dezembro na Bolsa de Nova York subiu de 146,15 centavos de dólar por libra-peso (fechamento de 29 de setembro) para 167,30 centavos (31 de outubro), acumulando no mês uma alta de 14,5%. Em Londres, no mesmo comparativo, o contrato janeiro recuou 0,1%. Perspectivas de avanço na colheita no Vietnã para o robusta, com embarques devendo melhorar no país, foram aspectos negativos para as cotações.

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No mercado físico brasileiro de café, o arábica avançou seguindo NY, enquanto o conilon esteve estável no balanço mensal. O ritmo de negócios seguiu comedido diante da volatilidade, com produtores procurando aproveitar os repiques da bolsa de NY, mas acreditando em subidas mais fortes nos preços, o que reduziu as negociações. Comprador também cauteloso, em grande parte do tempo negociando apenas da mão para boca.

No balanço mensal, o arábica bebida boa no sul de Minas Gerais subiu de R$ 780,00 a saca para R$ 875,00 na base de compra, alta de 12,2%. Já o conilon tipo 7, em Vitória, Espírito Santo, encerrou setembro e outubro com o mesmo valor, R$ 645,00 a saca na base de compra, replicando o que foi visto para o robusta em Londres.

Fonte: Agência SAFRAS

Fonte: Portal do Agronegócio

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Guerra Irã-EUA eleva preços de fertilizantes e já pressiona custos da safra 2026/2027

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A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã já provoca impacto direto sobre os custos do agro. Os preços da ureia subiram entre 33% e 48% nas últimas semanas, enquanto a amônia anidra avançou cerca de 39%, em um movimento puxado pela alta do gás natural e pelas restrições logísticas no Estreito de Ormuz, rota estratégica para exportação de insumos.

O Brasil, que importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), sente o reflexo imediato. Parte relevante da ureia utilizada no País vem do Oriente Médio, o que amplia a exposição ao conflito e eleva o risco de novos aumentos no curto prazo.

O impacto ocorre justamente no momento de planejamento da safra 2026/27. Com custos mais altos, produtores começam a rever estratégias, postergar compras e buscar alternativas para reduzir o peso dos insumos no orçamento, especialmente em culturas como soja e milho, mais intensivas em fertilização.

Além da matéria-prima, o frete também entrou na equação. A tensão na região elevou o preço do petróleo e aumentou o custo do transporte marítimo, pressionando ainda mais o preço final dos fertilizantes no Brasil.

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Diante desse cenário, o governo federal discute medidas para amortecer o impacto. Entre as alternativas está a criação de um mecanismo de subvenção para fertilizantes dentro do Plano Safra 2026/27, com uso de crédito subsidiado para reduzir o custo ao produtor.

Outra frente envolve ações estruturais. O governo pretende ampliar a produção nacional por meio do Plano Nacional de Fertilizantes e de linhas de financiamento via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), na tentativa de reduzir a dependência externa, considerada um dos principais gargalos do setor.

Do lado produtivo, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) tem pressionado por medidas emergenciais, como a redução de custos logísticos e tributários, incluindo pedidos de isenção do Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM), taxa cobrada sobre o transporte marítimo, que encarece a importação de fertilizantes.

Na prática, a combinação de alta dos insumos, frete mais caro e incerteza geopolítica cria um ambiente de maior risco para o produtor. A definição dos custos da próxima safra deve ocorrer sob volatilidade elevada, com impacto direto sobre margem e decisão de plantio.

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Fonte: Pensar Agro

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