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Preços do cacau caem 20% em dois dias devido à baixa liquidez

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Os preços do cacau no mercado internacional sofreram um tombo de cerca de 20% em apenas dois dias, resultado de uma combinação de baixa liquidez e reações técnicas intensificadas pela falta de grandes investidores, como os fundos de hedge. Este comportamento se dá em um momento em que, mesmo durante a significativa ascensão deste ano, a liquidez no mercado atingiu níveis baixos, deixando os preços vulneráveis a oscilações extremas.

Antes desta queda acentuada, os contratos futuros de cacau na bolsa ICE haviam quase triplicado de valor em 2023 devido a condições climáticas adversas e doenças que afetaram os principais produtores, como Costa do Marfim e Gana. Entretanto, essa alta exagerada deixou muitos participantes do mercado físico sem recursos e até mesmo afastou fundos de hedge, o que reduziu ainda mais a liquidez.

Com o mercado essencialmente sob o controle de fundos algorítmicos “day trading”, programados para seguir padrões técnicos específicos, as variações de preços ficaram exageradas, tanto para cima quanto para baixo. “Há alguma notícia concreta que tenha impulsionado o mercado até aqui? Não”, afirmou Jonathan Parkman, chefe de vendas agrícolas da Marex. Ele destacou que a falta de liquidez em Nova York, que atingiu um recorde histórico de baixa, torna as oscilações de preços desproporcionais.

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Na segunda-feira, os contratos futuros de julho do cacau em Londres, negociados na ICE, despencaram quase 15%, sua maior perda diária registrada. Por volta das 9h50 (horário de Brasília), os futuros do cacau em Londres estavam sendo negociados a 7.392 libras por tonelada métrica, uma queda de cerca de 4%, enquanto os futuros de julho do cacau em Nova York caíam 3%, chegando a 8.665 dólares por tonelada, uma queda de quase 16% no mesmo período.

O mercado permanece atento ao desenvolvimento da safra na Costa do Marfim e em Gana, que juntos produzem quase 60% do cacau do mundo. As previsões para a safra ainda são incertas, e os investidores aguardam uma visão mais clara nos próximos meses para determinar se haverá uma recuperação na próxima temporada. Sem novos fatores fundamentais para impulsionar os preços, e com o suprimento global ainda restrito, o mercado permanece volátil.

Além disso, o banco ING destacou que a queda nos preços também foi influenciada pela recente decisão da bolsa ICE de aumentar as margens iniciais dos contratos futuros de cacau em 23% por contrato. Este aumento provavelmente reduz ainda mais a liquidez no mercado, dificultando o fluxo de investimentos. Segundo o banco, este foi o terceiro aumento nas margens no mês de abril, resultando em uma queda no número de contratos abertos, que diminuiu de cerca de 400.000 em novembro para aproximadamente 243.000 atualmente.

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Fonte: Portal do Agronegócio

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Guerra no Oriente Médio pode elevar custos no campo e pressionar inflação dos alimentos no Brasil

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As tensões geopolíticas no Oriente Médio voltaram a acender um alerta para o agronegócio global. Um estudo divulgado pelo Rabobank aponta que o prolongamento do conflito na região, aliado ao fechamento do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo — pode provocar aumento dos custos de produção agropecuária e pressionar a inflação dos alimentos no Brasil ao longo de 2026 e 2027.

Segundo a análise, o choque nos mercados de energia já está elevando os preços internacionais do petróleo e do gás natural, criando uma cadeia de impactos que alcança combustíveis, fertilizantes, transporte e logística agrícola.

Petróleo mais caro aumenta custos da produção rural

O relatório destaca que a valorização das commodities energéticas tem efeito direto sobre a atividade agropecuária. O diesel, principal combustível utilizado nas operações agrícolas e no transporte de cargas, tende a registrar alta de preços, elevando os custos desde o plantio até a distribuição dos alimentos.

Além disso, a produção mundial de fertilizantes depende fortemente de gás natural e derivados de petróleo. Com a elevação dos preços desses insumos, a tendência é de aumento nos gastos dos produtores rurais em diversas culturas.

De acordo com as projeções do Rabobank, o Índice de Commodities do Banco Central para Energia (IC-Br Energia) deverá encerrar 2026 com avanço de 41,6% na comparação anual, refletindo a disparada dos preços energéticos observada após a escalada do conflito.

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Agro sente impacto de forma gradual

Diferentemente do mercado de energia, onde os reflexos são imediatos, os efeitos sobre as commodities agrícolas costumam ocorrer de forma mais lenta.

O estudo avalia que os custos mais elevados de energia, frete, fertilizantes e logística devem ser gradualmente incorporados aos preços agrícolas. Como consequência, o Índice de Commodities Agropecuárias (IC-Br Agro) deve voltar a registrar valorização nos próximos meses.

A expectativa é que o indicador feche 2026 com crescimento de 8,8%, sinalizando um ambiente de custos mais elevados para a cadeia produtiva.

Outro fator de preocupação é a possibilidade de ocorrência de um fenômeno El Niño de forte intensidade, cenário que pode provocar alterações climáticas relevantes em importantes regiões produtoras, afetando produtividade e disponibilidade de alimentos.

Inflação dos alimentos pode ganhar força

O levantamento mostra que os alimentos in natura deverão ser os mais sensíveis aos efeitos do choque externo.

Frutas, hortaliças, legumes e outros produtos frescos costumam reagir rapidamente ao aumento dos custos de transporte, combustíveis e insumos agrícolas. Por isso, a projeção é que a inflação desse grupo alcance 9,6% ao final de 2026 e ultrapasse 10% em 2027.

Nos alimentos semielaborados e industrializados, o repasse tende a ocorrer de forma mais gradual. Estoques, contratos de fornecimento e maior diversificação de custos ajudam a amortecer os impactos iniciais da alta das commodities e da energia.

Mesmo assim, os analistas observam que o aumento dos custos deverá atingir toda a cadeia alimentícia ao longo dos próximos trimestres.

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Alimentação no domicílio deve permanecer pressionada

Após um período de desaceleração observado no início de 2026, a inflação dos alimentos consumidos dentro de casa pode voltar a acelerar.

As projeções indicam que a inflação de alimentação no domicílio deverá encerrar 2026 próxima de 6,1%, permanecendo acima dos níveis considerados confortáveis para o controle inflacionário.

Embora o índice deva apresentar desaceleração em 2027, os preços continuarão refletindo os efeitos acumulados da alta dos custos energéticos, das despesas logísticas e dos insumos agrícolas.

Agronegócio acompanha cenário com atenção

Especialistas destacam que o atual cenário reforça a importância do monitoramento dos mercados internacionais pelo setor agropecuário brasileiro.

O Oriente Médio ocupa posição estratégica no abastecimento global de petróleo e fertilizantes. Qualquer interrupção prolongada nos fluxos comerciais pode gerar volatilidade nos preços e afetar diretamente a competitividade do agronegócio.

Para produtores rurais, cooperativas, tradings e indústrias de alimentos, o principal desafio será administrar o aumento dos custos de produção em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas, oscilações climáticas e maior volatilidade dos mercados globais.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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