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Preços do boi gordo recuam em algumas regiões com avanço da safra e oferta elevada de fêmeas

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Embora os frigoríficos ainda operem com escalas de abate confortáveis, o cenário aponta para estabilidade nas cotações em algumas regiões e recuos pontuais em outras. A sustentação do mercado vem, sobretudo, do bom desempenho das exportações e da demanda firme por animais jovens.

Queda nos preços em algumas regiões

Segundo análise de Allan Maia, da consultoria Safras & Mercado, algumas regiões registraram queda nos preços da arroba do boi gordo na modalidade a prazo. A situação reflete o aumento na oferta, especialmente de fêmeas, e a proximidade do pico da safra no Brasil. Veja como estavam as cotações no dia 15 de maio:

  • São Paulo (Capital): R$ 310,00/@ — sem variação em relação à semana anterior.
  • Goiás (Goiânia): R$ 295,00/@ — estável frente à semana passada.
  • Minas Gerais (Uberaba): R$ 295,00/@ — queda de 1,67%, frente aos R$ 300,00 da semana anterior.
  • Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 300,00/@ — sem alterações na comparação semanal.
  • Mato Grosso (Cuiabá): R$ 305,00/@ — baixa de 3,17%, ante os R$ 315,00 da semana passada.
  • Rondônia (Vilhena): R$ 270,00/@ — estabilidade frente à última cotação.
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Escalas de abate e descarte de fêmeas influenciam o mercado

As indústrias frigoríficas seguem operando com escalas de abate confortáveis, que atendem, em média, de sete a nove dias úteis. Outro fator que pressiona o mercado é a elevada oferta de fêmeas, o que indica um ritmo ainda acentuado de descarte de matrizes. Por outro lado, o forte volume de embarques contribui para manter aquecida a procura por animais mais jovens.

Varejo mantém preços estáveis

No atacado, o mercado da carne bovina permaneceu estável durante a última semana. De acordo com Allan Maia, o perfil mais cauteloso do consumidor na segunda quinzena do mês limita o espaço para reajustes nos preços. A preferência segue voltada para proteínas mais acessíveis, como frango, ovos e embutidos.

Quarto traseiro do boi: R$ 24,00/kg — preço inalterado na semana.

Quarto dianteiro do boi: R$ 19,50/kg — sem variação frente à semana anterior.

Exportações seguem aquecidas em maio

As exportações brasileiras de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada alcançaram US$ 342,765 milhões nos seis primeiros dias úteis de maio. A média diária de receita foi de US$ 57,127 milhões, com um volume exportado de 67,165 mil toneladas (média diária de 11,194 mil toneladas). O preço médio da tonelada ficou em US$ 5.103,30.

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Na comparação com maio de 2024, os dados parciais apontam para um crescimento expressivo:

  • Valor médio diário exportado: alta de 25,7%
  • Volume médio diário: crescimento de 10,9%
  • Preço médio por tonelada: avanço de 13,3%

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Greening, safra menor e queda no consumo pressionam o setor brasileiro

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A citricultura brasileira chega à safra 2026/27 pressionada por três problemas simultâneos: quase metade das laranjeiras do principal cinturão produtivo está contaminada pelo greening, a produção deve cair cerca de 10% e o consumo mundial de suco perdeu força depois de anos de preços elevados. Embora continue líder global, o Brasil precisa controlar a doença e ampliar mercados para evitar uma pressão maior sobre produtores e indústrias.

A primeira reestimativa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta uma produção de 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos em São Paulo e no Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. O volume equivale a aproximadamente 10,7 milhões de toneladas de laranja.

A projeção ficou 3,1% acima da estimativa inicial, divulgada em maio, mas ainda representa uma queda de cerca de 10% diante das 292,94 milhões de caixas colhidas na temporada 2025/26. A recuperação sobre a primeira previsão ocorreu principalmente porque os frutos ganharam peso com as chuvas.

Entre maio e agosto, o cinturão citrícola recebeu 210 milímetros de chuva, volume 51% superior à média histórica do período. O peso médio estimado passou de 160 para 166 gramas por fruto, reduzindo de 255 para 246 o número de laranjas necessário para completar uma caixa.

O efeito positivo da chuva, porém, não elimina os riscos. A colheita está mais lenta e os frutos permanecem por mais tempo nas árvores, expostos a pragas, doenças e queda prematura. Até meados de agosto, apenas 27% da produção prevista havia sido retirada dos pomares.

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A taxa média de queda dos frutos foi elevada de 23,7% para 24,1%. Nas variedades tardias, que ainda têm grande parte da produção no campo, a perda projetada chega a 27,3% para Valência e Folha Murcha e a 30,9% para a variedade Natal.

O greening permanece como o maior problema da atividade. O levantamento mais recente sobre a doença mostrou que 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola estavam contaminadas em 2025. A severidade média também aumentou, passando de 18,7% para 22,7% da copa das plantas.

Transmitido pelo psilídeo, um pequeno inseto, o greening não tem cura. A doença reduz a produtividade, provoca queda precoce e produz frutos menores, deformados e amargos. O controle exige monitoramento frequente, combate ao inseto transmissor e eliminação das plantas doentes, especialmente em regiões onde a incidência ainda é baixa.

Na safra 2025/26, o greening foi responsável pela perda estimada de 49,59 milhões de caixas. A doença respondeu sozinha por 13 pontos percentuais da taxa total de queda de 23,2% registrada naquele ciclo.

A pressão não está restrita aos pomares. Depois de quatro anos de resultados elevados, o mercado internacional entrou em uma fase de ajuste. As exportações brasileiras de suco de laranja somaram 746,9 mil toneladas na safra 2025/26, praticamente o mesmo volume da temporada anterior, mas a receita caiu aproximadamente 30%.

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Os preços elevados das safras anteriores levaram parte dos consumidores a substituir o suco de laranja por bebidas mais baratas. Problemas de qualidade provocados pelo clima e pelo greening também afetaram o mercado. Na Europa, principal destino histórico do produto brasileiro, o volume adquirido caiu 10,9%. No Japão, a retração chegou a 28,6%.

O aumento das chuvas nesta temporada favoreceu o tamanho das laranjas, mas poderá reduzir a concentração de sólidos solúveis, medida pelo índice brix. Para a indústria, isso significa que pode ser necessário processar mais caixas para obter a mesma quantidade de suco concentrado, reduzindo parte do ganho trazido pelo maior peso dos frutos.

A busca por novos compradores tornou-se, portanto, uma necessidade para equilibrar a cadeia. O produto brasileiro não enfrenta grandes restrições sanitárias, mas encontra tarifas elevadas em mercados com potencial de consumo, como Japão, Coreia do Sul e Índia. A redução dessas barreiras poderia ampliar os destinos e diminuir a dependência de poucos compradores.

Maior produtora mundial de laranja e líder na exportação de suco, a citricultura brasileira mantém escala, tecnologia e capacidade industrial. O desafio agora é impedir que o avanço do greening, a queda da produtividade e o enfraquecimento do consumo reduzam a rentabilidade de uma cadeia que depende de investimentos contínuos para renovar pomares e manter a produção.

Fonte: Pensar Agro

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