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Preço do milho cai no Brasil em abril com oferta elevada, dólar fraco e demanda retraída

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O mercado brasileiro de milho encerrou abril com queda generalizada nos preços, refletindo o aumento da oferta interna e a postura cautelosa dos consumidores. De acordo com a Safras & Mercado, a demanda seguiu limitada, com aquisições concentradas em volumes pontuais para atender necessidades imediatas.

Mercado interno: oferta maior pressiona cotações

Ao longo do mês, produtores intensificaram a comercialização, especialmente em São Paulo, visando cumprir compromissos financeiros com vencimento no fim de abril. Esse movimento ampliou a disponibilidade do cereal e contribuiu diretamente para a queda dos preços.

Outro fator de pressão foi a valorização do real frente ao dólar, que reduziu a competitividade das exportações brasileiras e impactou negativamente as cotações nos portos.

Além disso, o mercado acompanhou de perto as condições climáticas da safrinha. Estados como Paraná, Goiás e Minas Gerais enfrentaram necessidade de chuvas, com melhora mais consistente apenas em áreas paulistas e paranaenses.

Mercado externo: Chicago em alta e atenção ao clima nos EUA

No cenário internacional, os preços do milho registraram valorização na Bolsa de Mercadorias de Chicago, impulsionados pela demanda aquecida pelo cereal norte-americano.

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Há também expectativa de redução na área plantada nos Estados Unidos, influenciada pelos altos custos com fertilizantes. Apesar do bom ritmo inicial de plantio, o excesso de umidade em regiões produtoras gera preocupações sobre possíveis atrasos, mantendo o clima no radar dos investidores.

Preços do milho no Brasil recuam em abril

O preço médio da saca de milho no país foi de R$ 62,90 em 29 de abril, recuo de 5,71% frente aos R$ 66,71 registrados no final de março.

Nas principais praças, o movimento foi majoritariamente de queda:

  • Cascavel (PR): R$ 63,00 (-4,50%)
  • Campinas/CIF (SP): R$ 70,00 (-6,67%)
  • Mogiana (SP): R$ 65,00 (-9,72%)
  • Rondonópolis (MT): R$ 53,00 (-7,02%)
  • Uberlândia (MG): R$ 60,00 (-10,45%)
  • Rio Verde (GO): R$ 60,00 (-6,25%)

A exceção foi Erechim (RS), onde a saca subiu para R$ 68,00, alta de 1,49% frente ao mês anterior.

Exportações avançam, mas preços médios recuam

As exportações brasileiras de milho somaram US$ 112,674 milhões em abril (até 16 dias úteis), segundo a Secretaria de Comércio Exterior. A média diária foi de US$ 7,042 milhões.

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O volume embarcado atingiu 443,081 mil toneladas, com média de 27,692 mil toneladas por dia. O preço médio da tonelada ficou em US$ 254,30.

Na comparação com abril de 2025, houve crescimento expressivo:

  • +190,3% no valor médio diário exportado
  • +210,5% no volume médio diário
  • -6,5% no preço médio da tonelada
Perspectivas: clima, câmbio e demanda seguem no radar

Para as próximas semanas, o mercado deve seguir atento ao desenvolvimento da safrinha, ao comportamento do câmbio e ao ritmo da demanda interna e externa. A combinação entre oferta elevada e exportações menos competitivas tende a manter pressão sobre os preços no curto prazo, enquanto o cenário climático pode trazer volatilidade adicional às cotações.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Pesquisa inédita define manejo de micronutrientes no cacau e pode elevar a produtividade das lavouras

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A cacauicultura brasileira acaba de ganhar um importante avanço científico que promete aumentar a eficiência da produção e reduzir custos no campo. Pesquisadores do Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia (PCTSul) desenvolveram a primeira referência técnica específica para o manejo dos micronutrientes cobre, ferro, manganês e zinco em lavouras de cacau cultivadas na região Sul da Bahia.

Os resultados, publicados na revista científica Soil Science Society of America Journal, estabelecem faixas inéditas de disponibilidade desses nutrientes no solo, oferecendo uma base mais precisa para interpretação de análises laboratoriais e definição das recomendações de adubação.

A expectativa é que a nova metodologia contribua para aumentar a produtividade das lavouras, reduzir desperdícios de fertilizantes, diminuir custos de produção e tornar o uso dos recursos naturais mais eficiente.

Pesquisa cria referência inédita para a cacauicultura brasileira

O estudo foi liderado pelo engenheiro agrônomo e pesquisador do PCTSul, Edson França, mestre em Produção Vegetal, e representa um marco para a nutrição mineral do cacaueiro.

Segundo o pesquisador, a ausência de parâmetros específicos para a cultura fazia com que muitas recomendações de adubação fossem realizadas com base em referências desenvolvidas para outras culturas ou em critérios generalistas.

A pesquisa reuniu centenas de amostras de solo coletadas ao longo de vários anos em áreas comerciais de produção de cacau no Sul da Bahia. A partir da análise dos dados, os pesquisadores conseguiram estabelecer faixas consideradas ideais para cada micronutriente, identificando situações de deficiência, equilíbrio e excesso no solo.

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Esses elementos — cobre, ferro, manganês e zinco — são absorvidos em pequenas quantidades pelas plantas, mas exercem papel fundamental no desenvolvimento vegetativo, na formação dos frutos e no potencial produtivo das lavouras.

Adubação mais precisa reduz custos e impactos ambientais

Com a nova classificação, técnicos e produtores passam a contar com informações específicas para definir o manejo nutricional do cacaueiro.

A utilização de parâmetros mais precisos tende a evitar aplicações desnecessárias de fertilizantes, reduzindo desperdícios, diminuindo os custos de produção e minimizando impactos ambientais causados pelo uso excessivo de insumos.

Além do benefício econômico, a adoção de recomendações mais ajustadas contribui para melhorar a fertilidade do solo e aumentar a sustentabilidade dos sistemas produtivos.

Camada superficial do solo oferece diagnóstico mais eficiente

Outro resultado relevante da pesquisa diz respeito à profundidade ideal para as análises de solo.

Os pesquisadores identificaram que a camada superficial, entre 0 e 10 centímetros, apresenta maior capacidade para indicar desequilíbrios nutricionais nas lavouras de cacau, permitindo diagnósticos mais rápidos e precisos do que o modelo tradicional baseado em amostras coletadas até 20 centímetros de profundidade.

O estudo também verificou que os micronutrientes apresentam distribuição distinta nas diferentes camadas do solo, reforçando a importância de avaliações que considerem múltiplas profundidades para ampliar a confiabilidade dos diagnósticos agronômicos.

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Ciência aproxima recomendações da realidade do produtor

De acordo com os pesquisadores, este é um dos primeiros estudos realizados no Brasil a desenvolver classes específicas de interpretação dos micronutrientes para o cacaueiro com base em informações obtidas diretamente em áreas comerciais de produção.

Essa abordagem permite aproximar a pesquisa científica das condições reais enfrentadas pelos produtores, tornando as recomendações técnicas mais eficientes e aplicáveis ao campo.

Até então, a ausência de referências específicas fazia com que muitas decisões sobre adubação fossem tomadas de forma empírica ou utilizando parâmetros desenvolvidos para outras culturas.

Projeto reúne instituições de pesquisa

Os dados utilizados na pesquisa foram obtidos por meio do Projeto Renova Cacau, desenvolvido em parceria com o Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia.

O trabalho contou ainda com a participação do Centro de Inovação do Cacau (CIC), unidade operacional do PCTSul, da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) e de outras instituições de pesquisa.

Com a definição dessas novas referências técnicas, a expectativa é que o manejo nutricional do cacaueiro entre em uma nova etapa, oferecendo maior precisão na adubação, aumento da produtividade e fortalecimento da competitividade da cacauicultura brasileira.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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