AGRONEGÓCIO

Plataforma digital de R$ 12 milhões promete reduzir risco ambiental e facilitar acesso ao crédito rural no Brasil

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Uma nova plataforma tecnológica voltada ao agronegócio brasileiro promete transformar a forma como produtores rurais comprovam sua conformidade ambiental e acessam financiamento. A SpotSat Digital, desenvolvida pela empresa brasileira de tecnologia espacial SpotSat, foi lançada com investimento de cerca de R$ 12 milhões e tem como objetivo reduzir riscos ambientais e destravar o acesso ao crédito rural.

A solução cruza dados oficiais e imagens de satélite, permitindo validar a situação ambiental de propriedades rurais em todo o país. Com cobertura superior a 600 milhões de hectares monitorados, a plataforma surge em um momento de mudanças importantes nas regras de financiamento agrícola e de maior exigência por transparência ambiental.

Plataforma integra análise ambiental, crédito rural e ativos ambientais

A SpotSat Digital reúne, em um único ambiente operacional, ferramentas de análise ambiental, gestão de risco, acesso ao crédito rural e avaliação de ativos ambientais.

A proposta é simplificar e tornar mais confiáveis processos que tradicionalmente exigem múltiplas bases de dados, análises manuais e alto custo operacional.

De acordo com José Renato da Costa Alberto, fundador e CEO da empresa, a tecnologia foi desenvolvida para resolver um gargalo crescente no setor.

“Nossa plataforma nasce para trazer transparência, rastreabilidade e base científica às análises que impactam diretamente o acesso ao crédito rural. Isso evita bloqueios indevidos e garante mais segurança jurídica para produtores, bancos e cooperativas”, afirma.

Mudanças nas regras de crédito rural aumentam exigência ambiental

O lançamento ocorre em um momento de forte transformação regulatória. A partir de 1º de abril de 2026, a Banco Central do Brasil, por meio da Resolução nº 5.193, estabelece que propriedades rurais com registros de desmatamento no PRODES podem ter o acesso ao crédito rural suspenso.

O PRODES é um sistema de monitoramento desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que acompanha o desmatamento por satélite.

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Segundo especialistas, a nova regra pode impactar milhões de produtores, inclusive aqueles que estão ambientalmente regulares, mas enfrentam inconsistências cadastrais, erros de cruzamento de dados ou ausência de validação técnica.

Tecnologia democratiza análises ambientais para produtores

Uma das propostas centrais da plataforma é democratizar o acesso às análises ambientais, que historicamente estavam disponíveis apenas para grandes empresas do agronegócio.

Com o sistema, pequenos e médios produtores passam a ter acesso a ferramentas automatizadas capazes de:

  • comprovar conformidade ambiental
  • evitar bloqueios indevidos de financiamento
  • fortalecer a relação com bancos, cooperativas e seguradoras

Isso tende a ampliar a inclusão financeira no campo e tornar o acesso ao crédito mais equilibrado.

Integração de satélites, inteligência artificial e bases oficiais

A plataforma combina dados oficiais, imagens de satélite de alta resolução, inteligência artificial e tecnologia proprietária para gerar diagnósticos ambientais completos.

Processos que antes poderiam levar meses passam a ser executados de forma automatizada e auditável.

Entre os principais recursos estão:

  • análise automática do Cadastro Ambiental Rural
  • validação de informações cadastrais e área real da propriedade
  • cruzamento com sistemas oficiais de monitoramento ambiental
  • geração de mapas e relatórios técnicos detalhados

O sistema também integra dados de monitoramento como:

  • DETER
  • MapBiomas
  • bases públicas de embargos ambientais federais e estaduais.
Estudos apontam ganhos de produtividade com digitalização do campo

A digitalização da agricultura já demonstra impactos positivos no desempenho do setor.

Estudos da Embrapa Agricultura Digital indicam que a adoção de tecnologias digitais pode:

  • reduzir custos de produção em até 30%
  • elevar a produtividade em mais de 20%

Já análises da McKinsey & Company apontam ganhos de produtividade entre 5% e 25% no agronegócio com o uso de soluções digitais.

Segundo o Banco Mundial, a combinação de satélites, inteligência artificial e dados geoespaciais pode gerar retornos de três a seis vezes o valor investido em tecnologia.

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Plataforma também conecta produtores ao mercado de carbono

Outro componente estratégico da SpotSat Digital é a integração com o mercado de crédito de carbono, que tem avançado rapidamente no Brasil e no exterior.

A plataforma inclui uma calculadora baseada em literatura científica, capaz de estimar:

  • estoque de carbono nas propriedades
  • potencial de captura de carbono
  • geração possível de créditos
  • projeções de monetização dos ativos ambientais

A ferramenta permite reduzir riscos no início dos projetos e ampliar o acesso de produtores rurais a esse mercado.

Rede de parcerias busca ampliar alcance no agronegócio

Para ampliar sua atuação nacional, a empresa estruturou uma rede de parcerias estratégicas com empresas e instituições ligadas ao agronegócio, mercado financeiro e área jurídica.

Segundo o CEO da companhia, a expansão da plataforma depende da integração com prestadores de serviços do setor.

“Estamos em busca constante de parceiros comerciais para ampliar nosso alcance. Todo prestador de serviço do agronegócio passa a ser um elo importante dessa cadeia. A plataforma reduz custos para o produtor rural e também gera oportunidades de receita para nossos parceiros”, afirma José Renato.

Tecnologia nacional busca se tornar infraestrutura do agro

Com tecnologia desenvolvida no Brasil, validação institucional e monitoramento em escala nacional, a SpotSat Digital busca se consolidar como uma infraestrutura estratégica para o agronegócio.

A proposta da empresa é estabelecer um novo padrão de análise ambiental e financeira, alinhado às exigências de ESG, às novas regras do crédito rural e ao crescimento do mercado de carbono.

Nesse cenário, a digitalização das informações ambientais tende a se tornar cada vez mais decisiva para conectar produtividade, sustentabilidade e segurança jurídica no campo brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Batata: safra de inverno amplia oferta e coloca preços em alerta

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A oferta de batata deve ganhar força entre agosto e setembro com o avanço da colheita de inverno em Vargem Grande do Sul, no interior de São Paulo. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), somente em agosto deverá ser retirado do campo o equivalente a 35% da safra regional, elevando o acumulado colhido para 50% até o fim do mês.

O aumento sazonal da disponibilidade pode manter as cotações pressionadas no curto prazo, especialmente se a colheita avançar simultaneamente em outros polos produtores. Para o agricultor, o cenário reforça a necessidade de acompanhar o ritmo de entrada do produto no mercado, a qualidade dos lotes e os custos de classificação, armazenamento e transporte.

Em julho, a produtividade média das lavouras de Vargem Grande do Sul ficou próxima de 30 toneladas por hectare, abaixo do potencial da região. Colaboradores consultados pelo Cepea atribuíram o resultado ao excesso de chuva registrado em maio e junho e à elevada frequência de dias nublados, que reduziu a luminosidade e prejudicou a fotossíntese das plantas.

Para agosto, a expectativa é de recuperação do rendimento para aproximadamente 40 toneladas por hectare, patamar próximo ao observado nos últimos anos. A melhora, combinada com a concentração da colheita, deverá ampliar o volume ofertado ao mercado.

O produtor, entretanto, ainda precisa manter atenção redobrada ao manejo fitossanitário. Houve registros de canela-preta depois de cerca de 60 dias da tuberização, favorecidos pela elevação das temperaturas, embora a doença tenha sido rapidamente controlada. A requeima, presente desde junho, intensificou-se em julho e também contribuiu para limitar a produtividade. Apesar dos problemas, a qualidade dos tubérculos colhidos é considerada satisfatória.

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O avanço regional da oferta ocorre em um ano de redução da produção brasileira. O levantamento de julho do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima a safra nacional de batata-inglesa de 2026 em 4,2 milhões de toneladas, queda de 8,3% em relação às 4,58 milhões de toneladas produzidas em 2025.

A retração é explicada principalmente pelas perdas de área. O país deverá colher 121,8 mil hectares, 9,4% menos que no ano passado. A produtividade média nacional, por outro lado, está estimada em 34,5 toneladas por hectare, crescimento de 1,2%.

A terceira safra, correspondente ao cultivo de inverno, deverá produzir 892,2 mil toneladas, recuo de 19,3% frente a 2025. A área destinada ao ciclo diminuiu 23,9%, para 22,1 mil hectares. O rendimento médio esperado, contudo, subiu 6,1% e alcança 40,3 toneladas por hectare.

Isso significa que o mercado pode enfrentar dois movimentos diferentes. No curto prazo, a concentração da colheita entre agosto e setembro amplia a oferta e pode pressionar as cotações recebidas pelo produtor. No conjunto do ano, porém, a disponibilidade nacional deverá ser menor que a registrada em 2025.

A queda de preços já apareceu no varejo. A batata-inglesa recuou 19,59% em julho no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A continuidade desse movimento dependerá do ritmo da colheita, do rendimento das lavouras e da qualidade comercial dos lotes que chegarem aos atacados.

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Apesar de produzir mais de 4 milhões de toneladas por ano, o Brasil não exerce papel central no mercado mundial. Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostram que o planeta produziu 390,4 milhões de toneladas de batata em 2024. O Brasil respondeu por aproximadamente 1,1% desse volume e ocupou a 18ª posição entre os países produtores. China e Índia lideram com ampla vantagem.

A produção brasileira é direcionada principalmente ao mercado interno. No comércio exterior, o maior desequilíbrio está nos produtos processados. Em 2025, considerando a pauta formada por batata-doce e batatas preparadas ou conservadas, o país exportou 36,5 mil toneladas e importou 345,7 mil toneladas — um volume importado quase 9,5 vezes superior ao exportado.

As compras externas foram lideradas por batatas preparadas e conservadas, especialmente produtos congelados destinados ao varejo e ao setor de alimentação. Argentina, Bélgica, Países Baixos e Egito estiveram entre os principais fornecedores. O déficit não significa falta de batata fresca no país, mas revela a dependência brasileira de produtos com maior grau de processamento industrial.

Para o produtor, a entrada no pico da safra exige atenção à comercialização. Mesmo com uma produção nacional menor em 2026, a concentração temporária da oferta pode reduzir preços e margens. Qualidade, produtividade, escalonamento da colheita e negociação antecipada serão determinantes para atravessar o período de maior disponibilidade.

Fonte: Pensar Agro

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