AGRONEGÓCIO
Plantio do milho atinge 70% da área prevista para RS
Publicado em
27 de outubro de 2023por
Da RedaçãoA maioria das lavouras encontra-se em estágio de germinação e desenvolvimento vegetativo (99%), enquanto 1% já ingressaram no período reprodutivo. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado nesta quinta-feira (26/10) pela Emater/RS-Ascar, vinculada à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural (SDR), o período foi marcado por maior incidência de luz solar, favorecendo o rápido crescimento e o desenvolvimento vigoroso das plantas. Muitos produtores aproveitaram o período para aplicar fertilizantes nitrogenados nas áreas tecnicamente apropriadas, bem como herbicidas, visando ao controle de ervas daninhas.
Na região de Frederico Westphalen, dos 80 mil hectares, 87% estão na fase de germinação e desenvolvimento vegetativo, e 13% em florescimento. O desenvolvimento da cultura é satisfatório, beneficiado por condições climáticas favoráveis, porém, em pontos isolados, a ocorrência de altas precipitações com ventos fortes e granizo causaram acamamento na cultura. Na de Passo Fundo, o plantio evoluiu para 95% das áreas destinadas ao grão, e a cultura está em desenvolvimento vegetativo. A área é de 73 mil hectares.
Milho silagem – Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Erechim, a cultura está implantada e encontra-se em estado vegetativo. Os produtores realizam a aplicação de nitrogênio em cobertura. Na de Frederico Westphalen, as condições climáticas continuam favorecendo o desenvolvimento das lavouras. Na de Pelotas, segue o plantio; a estimativa de semeadura de milho para a elaboração de silagem deve apresentar redução da área, alcançando 14.822 hectares, o que indica recuo de 5,44% na comparação com a safra passada.
Soja – Algumas regiões implantaram áreas de soja na semana. Mais ao Sul do Estado, a operação avançou de forma significativa, devido às condições de solo favoráveis. Ao Norte, a implantação foi realizada nos momentos de clima mais propício para a entrada nas lavouras. Os produtores efetuam o preparo das áreas. A estimativa inicial de área para a safra 2023/2024 é de 6.745.112 hectares implantados e de produtividade, 3.327 kg/ha.
Feijão 1ª safra – As lavouras estão em processo de implantação e a semeadura está prestes a ser finalizada no Planalto Médio, apresentando índices menores nas regiões Central e Sul do Estado. Nas áreas dos Campos de Cima da Serra, a semeadura deverá iniciar somente em dezembro. No entorno de Vacaria, a semeadura costuma ocorrer em dezembro e início de janeiro. Na de Erechim, 902 hectares da área plantada estão em estado vegetativo.
Na região de Santa Maria, o plantio do feijão 1ª safra superou 70% da área prevista de 1.373 hectares. Na de Soledade, o desenvolvimento das lavouras não está satisfatório em função da restrição de radiação solar. São realizados tratos culturais, como adubações nitrogenadas em cobertura e aplicações de fungicidas. Em relação a pragas, a incidência é baixa. A área semeada é de 90%.
Arroz – O plantio avançou onde foi possível a entrada nas lavouras. Na Campanha, Região Sul e Central, algumas áreas foram implantadas. Na Fronteira Oeste, a operação foi prejudicada pelas chuvas e pelos alagamentos. Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, o alto volume de chuvas na Fronteira Oeste já causa prejuízos diretos aos produtores de arroz, como alagamento das lavouras pela cheia dos rios, principalmente do Rio Uruguai, e prejuízos indiretos, como atraso no processo de semeadura. As áreas mais afetadas pela cheia estão situadas em São Borja e Itaqui. Em Uruguaiana, muitos produtores evitaram realizar o plantio das lavouras mais suscetíveis ao alagamento, deixando para novembro ou, até mesmo, selecionando outros cortes em áreas mais distantes dos cursos d’água e com relevo mais ondulado, as quais não seriam cultivadas nesta safra. O plantio já passa de 65% na Fronteira Oeste, mas ainda não é possível determinar quanto dessa área terá de ser replantada.
Na região de Pelotas, em razão da melhora significativa da umidade dos solos, foi possível dar continuidade à semeadura do arroz irrigado, pois houve trafegabilidade de máquinas e implementos agrícolas nas lavouras. No entanto, há atraso na operação quando comparada à safra anterior no mesmo período. De 08 a 14/10, os dias ensolarados, sem chuvas, e as temperaturas amenas e quentes favoreceram a boa drenagem e o enxugamento da água nos solos dessas lavouras. Se o clima permitir, e não chover nas próximas semanas, os plantios deverão avançar significativamente na região, recuperando o atraso nas semeaduras.
CULTURAS DE INVERNO
Trigo – A colheita evoluiu e chegou a 43% da área cultivada. Nos momentos de clima favorável à execução da atividade, os produtores intensificaram a operação, especialmente para retirar produto com razoável qualidade. A produtividade e a qualidade do produto têm reduzido, conforme avança a colheita. Atualmente 46% das áreas de trigo no RS estão em maturação, 10% em enchimento de grãos e 1% em floração.
Aveia branca – A colheita de aveia branca destinada à produção de grãos alcança mais de 60% no Estado. A cultura evolui rapidamente para a finalização do ciclo, porém a qualidade do grão não está boa nesta safra em função da umidade. Grande parcela do produto será destinada à elaboração de ração animal.
Cevada – A colheita está em andamento, chegando a 30%. Pequena parcela da produção deste ano será destinada à maltaria, em razão da má qualidade do produto. Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Erechim, 50% da área implantada está colhida e 50% em maturação. Praticamente a totalidade da produção será destinada para classificação forrageira em função da baixa qualidade do grão. Nesse caso, o preço equivale a 80% do valor do milho, ou seja, R$ 40,00/sc. de 60 kg. A produtividade não ultrapassa, no momento, 1.500 kg/ha.
Canola – A colheita está se encaminhando para o terço final da safra, com evolução rápida da operação. Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, onde foram cultivados aproximadamente 33 mil hectares, São Luiz Gonzaga e Giruá apresentam as maiores áreas destinadas ao plantio de canola, com 6.000 e 4.500 hectares respectivamente. A colheita da canola foi interrompida na maioria dos dias da semana, sendo retomada no final do período para evitar mais perdas. Tendo em vista a previsão de chuvas, a colheita atingiu 90%. Ainda há 10% em maturação para serem colhidos assim que o tempo permitir. As chuvas excessivas, desde setembro, têm diminuído a produtividade, que está em 1.534 kg/ha, isto é, 13,9% em relação ao esperado, que era de 1.785 kg/ha. Essa produtividade média deverá se reduzir ainda mais, uma vez que a colheita for concluída nas últimas áreas.
PASTAGENS
As áreas de campo nativo estão apresentando boa taxa de rebrote devido à elevação das temperaturas e à disponibilidade de umidade no solo. Os campos nativos melhorados e as pastagens perenes de verão estão demonstrando bom desenvolvimento, proporcionando pastagens de qualidade para os animais. No entanto, o vazio forrageiro da primavera foi agravado pelo excesso de chuvas, atrasando o plantio das pastagens de verão.
Fonte: Emater/RS-Ascar
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Primavera chega terça com previsão de safra recorde mesmo sob ameaça de el niño histórico
Published
4 horas agoon
19 de setembro de 2026By
Da Redação
A primavera começa na noite de terça-feira (22.09) com o plantio da soja 2026/27 já em andamento em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. A nova estação encontra o campo sob condições bastante diferentes: enquanto áreas do Sul enfrentam chuva frequente e risco de temporais, parte do Centro-Oeste ainda aguarda umidade suficiente no solo para ampliar a semeadura com segurança.
Nos próximos dias, uma frente fria deve manter o tempo instável no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná, com possibilidade de chuva volumosa, rajadas de vento e granizo. A instabilidade também poderá alcançar Mato Grosso do Sul. Em Mato Grosso, Goiás e no interior do Nordeste, a tendência ainda é de calor, baixa umidade e precipitações mais irregulares.
Para o produtor, a principal preocupação não é apenas saber se vai chover, mas se haverá água suficiente no perfil do solo para sustentar a germinação e o desenvolvimento inicial das plantas. Pancadas isoladas podem molhar apenas a superfície e estimular uma semeadura prematura, seguida por vários dias de calor e tempo seco.
O plantio da safra 2026/27 começa sob um dos cenários climáticos mais contrastantes dos últimos anos. Prognóstico divulgado nesta sexta-feira (18) pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indica chuva abaixo da média no Centro-Norte do país e excesso de precipitação no Sul durante a primavera. O El Niño deverá exercer forte influência, mas não será o único fenômeno capaz de determinar onde, quando e com qual intensidade vai chover.
A primavera começa às 21h05 de terça-feira (22), quando a semeadura da soja já estará em andamento em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas de grãos em 2026/27, crescimento de 1,3% sobre o ciclo anterior. O resultado dependerá, em grande medida, da distribuição das chuvas durante a implantação das lavouras.
O prognóstico oficial para outubro, novembro e dezembro aponta déficit de precipitação no centro-norte de Mato Grosso e no norte de Goiás. No sentido oposto, Mato Grosso do Sul, sul de Goiás e sul de Mato Grosso apresentam condições favoráveis à ocorrência de chuva acima da média. As temperaturas devem permanecer elevadas em praticamente todo o Centro-Oeste, com desvios de até 2 graus Celsius no norte mato-grossense.
Essa diferença dentro de uma mesma região exige decisões localizadas. No norte de Mato Grosso e de Goiás, o risco é iniciar o plantio depois de uma chuva isolada e enfrentar calor intenso ou interrupção das precipitações durante a germinação. Em Mato Grosso do Sul e nas áreas mais ao sul de Goiás e Mato Grosso, a maior disponibilidade de água pode favorecer a soja, embora volumes elevados reduzam os períodos disponíveis para a entrada das máquinas.
O Inmet e o Inpe recomendam o acompanhamento das previsões de curto prazo e da umidade armazenada no solo antes da semeadura. A precaução procura evitar falhas de emergência, formação irregular do estande e necessidade de replantio. A decisão também interfere na janela do milho e do algodão cultivados após a soja.
A estimativa preliminar da Conab aponta 49,3 milhões de hectares de soja, aumento de 1,4%, o menor crescimento percentual da área em duas décadas. A produção pode alcançar 181,6 milhões de toneladas, avanço de 0,7%. Para o milho, considerando as três safras, a projeção chega a 148 milhões de toneladas, alta de 2,8%.
O potencial produtivo existe, mas a margem para erros no calendário é menor. Se o plantio da soja atrasar no Centro-Oeste, parte do milho segunda safra poderá ser semeada fora da janela de menor risco climático. Se a implantação for antecipada sem água suficiente no solo, aumentam as despesas com sementes, combustível, mão de obra e operações de replantio.
No Sul, o problema tende a ser o excesso. O prognóstico aponta chuva acima da média nos três Estados, com acumulados que podem superar o padrão histórico do trimestre em até 200 milímetros no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. A condição favorece a disponibilidade de água para as culturas de verão e a recuperação das pastagens, mas pode limitar a entrada de máquinas e prejudicar a uniformidade da semeadura.
No arroz irrigado, o alerta é maior em áreas com drenagem deficiente. A combinação de solos saturados e precipitações frequentes pode comprometer a emergência e o estabelecimento inicial das plantas. Soja e milho também ficam expostos à compactação do solo, erosão, lixiviação de nutrientes e redução dos intervalos disponíveis para aplicações e outros manejos.
A Região Sudeste apresenta um quadro dividido. São Paulo, Rio de Janeiro e centro-sul de Minas Gerais podem registrar chuva acima da média, com desvios de até 100 milímetros no trimestre. As condições tendem a favorecer a implantação de soja e milho e a recomposição da umidade nos cafezais e pomares.
No norte e noroeste de Minas Gerais e no Espírito Santo, a irregularidade das chuvas, combinada às temperaturas mais altas, eleva o risco para lavouras de sequeiro. O prognóstico recomenda monitoramento diário nas áreas produtoras de soja dessas regiões. Para o café, chuvas bem distribuídas podem favorecer a florada e o pegamento; precipitações isoladas seguidas por novos períodos secos, porém, podem provocar florações desuniformes.
O cenário é mais restritivo no Norte e no Nordeste. A previsão oficial indica déficit de chuva em praticamente toda a Região Norte, com acumulados de até 200 milímetros abaixo da média em áreas de Roraima, Amazonas e Pará. No Nordeste, também predominam volumes inferiores ao padrão histórico, acompanhados por temperaturas que podem superar a média em cerca de 2 graus.
No Matopiba, formado por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a irregularidade das chuvas pode atrasar a semeadura e elevar a demanda de água durante a emergência e o desenvolvimento inicial. Nas propriedades irrigadas, temperaturas maiores aumentam o consumo hídrico. Nas áreas de sequeiro, o risco está na grande diferença de volumes entre localidades próximas e até dentro de uma mesma fazenda.
A preocupação com o El Niño tem base concreta. Segundo a nota técnica conjunta do Inmet e do Inpe, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calcula em 98% a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro. A projeção considera a possibilidade de a temperatura na região de referência do Pacífico ficar pelo menos 2 graus acima do normal.
A própria avaliação oficial, contudo, adverte que um El Niño mais intenso não produz automaticamente perdas mais graves. O efeito regional depende da interação entre oceano e atmosfera e da atuação de outros sistemas climáticos.
Entre esses fatores estão o Dipolo do Oceano Índico (IOD), o Modo Anular Sul (SAM), também chamado de Oscilação Antártica, e a Oscilação Decadal do Pacífico (PDO). Essas oscilações podem reforçar, deslocar ou reduzir os padrões normalmente associados ao El Niño. A condição do Atlântico também influencia a entrada de umidade no continente e a distribuição das precipitações no Brasil.
Na prática, isso significa que a classificação de “El Niño muito forte” não basta para orientar o plantio de uma propriedade. O produtor precisa acompanhar o comportamento regional das chuvas, o armazenamento de água no solo, a previsão para os dias seguintes e o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).
O escalonamento da semeadura, a utilização de cultivares com ciclos diferentes, a revisão da drenagem e a regulagem das máquinas ajudam a reduzir a exposição. No Centro-Norte, o cuidado é não confundir uma pancada isolada com o estabelecimento definitivo do período chuvoso. No Sul, a prioridade é aproveitar os intervalos de tempo firme sem entrar em áreas excessivamente úmidas.
A nova temporada começa com perspectiva de outra colheita recorde, mas o volume final não será definido apenas pela força do El Niño. A combinação entre Pacífico, Atlântico, Oceano Índico e circulação atmosférica deverá produzir riscos diferentes entre regiões e até dentro de um mesmo Estado. Mais do que seguir um único indicador, o produtor terá de ajustar o calendário ao que efetivamente ocorrer em sua área.
Fonte: Pensar Agro
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