AGRONEGÓCIO
Plano Safra deve destinar R$ 2 bilhões para proteger produtores de mudanças climáticas e outras perdas na agricultura, propõe Coalizão Brasil
Publicado em
2 de abril de 2024por
Da RedaçãoEm meio a mudanças climáticas que deixam os agricultores cada mais vulneráveis e acentuam a inflação de alimentos, a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura apresentou uma série de propostas de aperfeiçoamento do Plano Safra 2024/2025, entre elas a destinação de R$ 2 bilhões para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), que foi de R$ 930 milhões em 2023. O pacote de sugestões inclui ainda a reserva de R$ 10 bilhões para a produção agropecuária de baixo carbono.
Elaborados pela Agroicone, os pleitos foram aprimorados e endossados pela Coalizão, que representa mais de 380 entidades de diferentes setores. A apresentação das propostas ocorre no contexto em que elevar a segurança alimentar e evitar os efeitos da crise climática sobre a oferta e os preços dos alimentos são preocupações globais. O Brasil tem hoje a oportunidade de aumentar a resiliência climática da produção nacional a partir de investimentos em sistemas produtivos sustentáveis e em medidas que assegurem acesso ao crédito pelos produtores mais vulneráveis a essas condições.
Nesse cenário, o Plano Safra é o principal direcionador da política agropecuária brasileira e importante fonte de financiamento do setor. As propostas da Coalizão têm como objetivo fortalecer os instrumentos de política agrícola, em especial de crédito rural e de seguro rural, para que atuem como indutores de uma agropecuária mais sustentável, perene e resiliente às mudanças do clima.
A proposta de incremento do PSR, defendida pela Coalizão, visa a um aumento de 115% dos recursos do programa para empreendimentos que contratam linhas de crédito alinhadas à sustentabilidade. Destaca-se ainda o pleito de destinação de pelo menos R$ 10 bilhões para linhas de crédito do RenovAgro – o Programa de Financiamento a Sistemas de Produção Agropecuária Sustentáveis.
“A alta de preço dos alimentos pode se agravar nos próximos anos devido ao aumento dos eventos climáticos extremos como estiagens, inundações e geadas, que provocam quebras de safra”, alerta Priscila Souza, colíder da Força-Tarefa Finanças Verdes da Coalizão e gerente sênior de Avaliação de Política Pública do Climate Policy Initiative (CPI/PUC-Rio).
Priscila acrescenta que uma estratégia fundamental para reduzir as emissões de gases do efeito estufa é zerar o desmatamento e promover a implementação do Código Florestal. Portanto, o Plano Safra deve consolidar os incentivos para a adequação ambiental. Para alcançar esse objetivo, além do direcionamento dos recursos disponíveis para financiamento, é preciso aprimorar os mecanismos de monitoramento e fiscalização.
As propostas, baseadas em evidências e detalhadas em sete Notas Técnicas e disponíveis no site da Coalizão , contemplam os seguintes temas:
- Gestão dos riscos socioambientais no âmbito da política agrícola;
- Incentivos para implementação do Código Florestal por meio do Plano Safra;
- O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) como indutor de uma agropecuária familiar inclusiva, resiliente e sustentável;
- Diferenciação das condições de financiamento para empreendimentos alinhados à jornada de sustentabilidade;
- Priorização da alocação de recursos dos Fundos Constitucionais para produtores de menor porte e para empreendimentos alinhados à jornada de sustentabilidade;
- Aprimoramento do Sicor para diferenciar empreendimentos financiados alinhados à jornada de sustentabilidade; e
- Aprimoramento da gestão integrada de riscos na agropecuária por meio das políticas de crédito e seguro rural.
“A premissa central das propostas é que essas ações permitirão diferenciar produtores e empreendimentos alinhados à jornada de sustentabilidade da agropecuária, fomentar a adoção de práticas e processos de produção de baixo carbono, além de atrair investimentos na agropecuária brasileira, consolidando o Brasil como grande produtor sustentável de alimentos”, afirma Leila Harfuch, sócia-gerente da Agroicone e colíder da Força-Tarefa Finanças Verdes da Coalizão Brasil.
Crédito para a agricultura familiar
Priscila Souza alerta que os produtores mais vulneráveis ainda têm acesso limitado ao crédito e à proteção contra as variáveis climáticas. Essa condição deixa exposta grande parte dos agricultores familiares, que representam 75% das propriedades no país.
“Precisamos melhorar o direcionamento dos recursos. Enquanto 20% dos produtores rurais entre 10 e 100 hectares tomam crédito, esse índice é de apenas 10% entre aqueles com imóveis de até quatro hectares. Há também diferenças geográficas relevantes, com 29% dos produtores da Região Sul acessando crédito, enquanto, na Região Norte, esse percentual é de apenas 9%. No Pronaf, principal linha de crédito para esses produtores, os contratos da Região Sul têm um valor médio por hectare (R$ 1.451) dezoito vezes maior que o da Região Norte (R$ 83).”, explica Priscila.
Segurança alimentar
O tema Segurança Alimentar é um dos focos prioritários da Coalizão Brasil, que constituiu uma Força-Tarefa dedicada a contribuir com o desenvolvimento de estudos, políticas e propostas setoriais para essa frente. Entre os focos prioritários do grupo estão a agricultura familiar sustentável, a diversificação de sistemas produtivos, adaptações às mudanças climáticas e as alternativas de insumos e técnicas de proteção da produção para atravessar a monotonia da agricultura.
“Sabemos que promover a resiliência às mudanças climáticas passa por muitas frentes. Uma das necessidades é o fomento da agricultura familiar sustentável, para que os produtores menores consigam receber técnicas e insumos adequados. Entendemos que o momento é de reunir competências e esforços para consolidar os aspectos técnicos que vão embasar a formação de profissionais e servir de suporte aos produtores rurais que mais precisam de assistência”, afirma Mariana Pereira, líder da FT Segurança Alimentar da Coalizão e gerente de Meio Ambiente e Qualidade da Fundação Solidaridad no Brasil.
Fonte: Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Produtos bovinos brasileiros podem ganhar mais espaço no mercado japonês
Published
8 horas agoon
30 de agosto de 2026By
Da Redação
Estabelecimentos brasileiros registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF) que produzem produtos bovinos processados têm até as 18h desta segunda-feira (31.08) para manifestar interesse em participar da auditoria sanitária que o Japão realizará no Brasil e que poderá ampliar o acesso de produtos bovinos processados ao mercado japonês. A iniciativa ocorre em meio ao esforço brasileiro para aumentar a presença da pecuária nacional em um dos mercados de carne mais exigentes e valorizados do mundo.
A chamada foi aberta pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para identificar estabelecimentos interessados e preparados para receber a missão japonesa. O trabalho será conduzido pelas autoridades sanitárias do Japão e deverá avaliar as condições brasileiras de produção e processamento.
A lista inclui produtos como carne bovina desidratada, conhecida internacionalmente como beef jerky, envoltórios bovinos submetidos a tratamento térmico e o chamado Prime Beef, produto elaborado a partir de colágeno bovino e extrato de carne.
O objetivo da auditoria é revisar o Programa de Verificação de Exportação (EVP, na sigla em inglês), conjunto de procedimentos que estabelece as condições que os estabelecimentos brasileiros precisam cumprir para vender determinados produtos ao Japão.
Na prática, uma avaliação favorável poderá permitir a inclusão de novos produtos e estabelecimentos brasileiros no comércio com o país asiático.
O prazo desta segunda-feira não significa, portanto, abertura automática do mercado. Ele representa uma etapa preparatória para a auditoria e para a negociação sanitária necessária antes da autorização das exportações.
A movimentação ganha importância porque o Japão é fortemente dependente da importação de alimentos. Cerca de 60% das calorias consumidas pela população japonesa têm origem externa, ao mesmo tempo em que o país mantém padrões sanitários rigorosos para entrada de produtos agropecuários.
Na carne bovina, aproximadamente 70% do consumo japonês é abastecido por importações. Austrália e Estados Unidos estão entre os principais fornecedores, enquanto o Brasil ainda busca ampliar sua participação nesse mercado.
A abertura para a carne bovina brasileira in natura é uma negociação separada e muito mais ampla, que se arrasta há mais de duas décadas. Brasil e Japão decidiram acelerar as discussões e estabeleceram a realização de inspeções técnicas como uma das etapas necessárias para avançar na avaliação de risco.
Por isso, embora a auditoria relacionada ao prazo de segunda-feira seja destinada a produtos processados, o movimento ocorre dentro de uma aproximação sanitária e comercial mais abrangente entre os dois países.
Para a pecuária brasileira, conquistar espaço no Japão teria importância que vai além do volume vendido. O país asiático é considerado um mercado de elevado valor agregado e possui exigências sanitárias capazes de funcionar como referência para outros compradores.
A diversificação também ganhou importância neste segundo semestre. As exportações brasileiras de carne bovina chegaram a 1,97 milhão de toneladas entre janeiro e julho, crescimento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, mas o setor enfrenta mudanças nas condições de acesso a alguns de seus principais destinos.
Nesse cenário, ampliar o número de compradores reduz a dependência de poucos mercados e aumenta as alternativas comerciais dos frigoríficos. O efeito pode chegar ao pecuarista por meio de maior disputa pela matéria-prima e da valorização de animais que atendam às exigências dos destinos mais remuneradores.
A abertura de um mercado, entretanto, não termina com a autorização sanitária. Frigoríficos precisam cumprir requisitos específicos de produção, processamento, rastreabilidade e certificação para serem habilitados a exportar.
É justamente esse processo que começa agora para os produtos incluídos na chamada. Os estabelecimentos interessados devem encaminhar a documentação por meio do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e do respectivo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), para que a manifestação chegue ao Mapa dentro do prazo.
Manifestações apresentadas depois das 18h desta segunda-feira não serão consideradas.
A auditoria japonesa será o passo seguinte. Se o resultado permitir a revisão das regras atuais, o Brasil poderá acrescentar novos produtos bovinos à pauta de exportações para o Japão enquanto continua negociando o objetivo de maior peso econômico para a pecuária nacional: a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira in natura.
Fonte: Pensar Agro
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