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Plano Brasil Soberano avança, mas enfrenta desafios tributários e jurídicos

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O Plano Brasil Soberano, principal resposta do governo federal ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, tem ganhado força nas últimas semanas. A iniciativa oferece incentivos fiscais, linhas de crédito emergenciais e apoio técnico para empresas que buscam diversificar seus mercados e reduzir a dependência do comércio norte-americano.

Segundo especialistas, embora haja avanços, ainda existem desafios operacionais e jurídicos que precisam ser superados para garantir a eficácia do programa.

Tarifa dos EUA impulsiona medidas emergenciais

Em julho deste ano, o presidente Donald Trump assinou uma medida que aplicou tarifa de 50% sobre quase 4 mil produtos brasileiros, válida a partir de agosto. Em resposta, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 1,6 bilhão em créditos para empresas afetadas.

O banco também destacou que o tempo médio entre análise e aprovação dos projetos caiu de 60 para 18 dias, agilizando o acesso a recursos para expandir exportações e buscar novos mercados.

Setores beneficiados e oportunidades internacionais

O advogado tributarista Ariel Franco, da Hemmer Advocacia, avalia que o plano representa um esforço importante para manter a competitividade do país.

“O Plano Brasil Soberano é, essencialmente, um programa de estímulo à exportação e à diversificação de mercados. Ele contempla linhas de crédito emergenciais, incentivos fiscais temporários e apoio técnico para empresas que buscam ampliar sua presença internacional”, afirma Franco.

Até o momento, setores como café, açúcar, alimentos processados e equipamentos elétricos já se beneficiaram do programa, com exportações direcionadas a países como Suíça, Reino Unido, Canadá, França, Argentina e Chile. Além disso, outras 66 operações estão em análise, totalizando cerca de R$ 2 bilhões em novos projetos.

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Segurança jurídica e fiscalização são pontos críticos

Enquanto os créditos avançam, o Congresso Nacional analisa a Medida Provisória 1309/2025, que formaliza o Plano Brasil Soberano. Ariel Franco alerta para a necessidade de cautela:

“Trata-se de uma iniciativa de grande alcance econômico, envolvendo recursos públicos, incentivos tributários e intervenções diretas nas políticas de exportação. A segurança jurídica e a previsibilidade na execução são fundamentais para evitar instabilidade normativa ou insegurança nos contratos”, destaca.

O advogado também reforça a importância de regras claras para precificação de alimentos e insumos adquiridos pelo governo e de mecanismos transparentes para mensurar impactos fiscais, garantindo que o socorro chegue de forma equilibrada a todos os setores afetados.

Crise comercial pode se tornar oportunidade estratégica

Segundo especialistas, o plano pode ir além de uma medida emergencial, representando uma chance de repensar a inserção internacional do Brasil.

“Se bem executado, o Plano Brasil Soberano pode reduzir a dependência de mercados específicos e fortalecer a presença nacional em cadeias globais de valor. É uma oportunidade de transformar uma crise comercial em um passo importante rumo à soberania econômica e tributária do país”, conclui Franco.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fonte: Portal do Agronegócio

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Expocitros encerra debates sobre greening, clima e sustentabilidade

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Responsável por liderar a produção e as exportações globais de suco de laranja, a citricultura brasileira encerrou na última semana um de seus principais fóruns de discussão em meio a desafios que vão do avanço do greening às mudanças climáticas e à necessidade de ampliar a sustentabilidade da produção.

Realizadas entre os dias 26 e 29 de maio, em Cordeirópolis (376 km da capital, São Paulo), a 51ª Expocitros e a 47ª Semana da Citricultura reuniram cerca de 12 mil participantes entre produtores, pesquisadores, consultores, empresas, cooperativas, estudantes e lideranças do agronegócio.

O encontro ocorreu em um momento estratégico para o setor. Apesar de manter a posição de maior produtor e exportador mundial de suco de laranja, a citricultura brasileira convive com pressões sanitárias e climáticas que têm impactado diretamente a produtividade dos pomares.

A safra 2025/26 do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro foi encerrada em 292,9 milhões de caixas, volume 26,9% superior ao ciclo anterior, mas ainda afetado pelos efeitos do déficit hídrico e da elevada incidência de greening.

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Considerada atualmente a principal ameaça à citricultura mundial, a doença já atinge 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola brasileiro, segundo levantamento do Fundecitrus. Embora o ritmo de crescimento tenha desacelerado nos últimos dois anos, pesquisadores alertam que o avanço do greening continua pressionando a produção e elevando os custos de manejo das propriedades.

Foi justamente diante desse cenário que a programação técnica da Semana da Citricultura concentrou debates sobre sanidade vegetal, irrigação, fertilidade do solo, bioinsumos, manejo fitossanitário, sustentabilidade, mercado internacional e novas tecnologias voltadas ao aumento da eficiência produtiva. O objetivo foi discutir estratégias capazes de aumentar a resiliência dos pomares diante dos desafios sanitários e climáticos que afetam a atividade.

Segundo avaliação do Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC, a edição de 2026 reforçou a importância da integração entre pesquisa, empresas e produtores para garantir a competitividade do setor nos próximos anos. “Encerramos esta edição com a certeza de que a citricultura brasileira segue forte, conectada à pesquisa, à inovação e às demandas globais”, afirmou.

Outro destaque da edição foi a manutenção do selo de Evento Carbono Neutro, refletindo uma tendência cada vez mais presente na cadeia citrícola. A agenda ambiental ganhou espaço entre produtores e empresas diante das exigências dos mercados internacionais e da crescente demanda por sistemas produtivos alinhados a critérios de sustentabilidade.

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Com mais de cinco décadas de história, a Expocitros e a Semana da Citricultura seguem como os principais espaços de discussão técnica e estratégica da cadeia citrícola brasileira. Em um cenário de transformações sanitárias, climáticas e econômicas, os eventos reforçaram a necessidade de inovação, pesquisa e planejamento como pilares para sustentar a liderança do Brasil no mercado global de citros.

Fonte: Pensar Agro

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