AGRONEGÓCIO
Planejamento: Fundamento da Sucessão Familiar no Agronegócio
Publicado em
11 de outubro de 2024por
Da Redação
A sucessão familiar é uma etapa crucial para assegurar a continuidade das empresas, e no agronegócio isso não é diferente. Os negócios que são transmitidos de pais para filhos representam uma parte significativa das propriedades rurais. Entretanto, a falta de um planejamento adequado tem comprometido essa continuidade. Dados do Sebrae indicam que menos de 30% das empresas familiares alcançam a segunda geração, e esse índice despenca para apenas 5% na terceira. A ausência de preparo e uma gestão de conflitos ineficaz são fatores que frequentemente prejudicam esse processo de transição.
A sucessão vai além da mera “troca de bastão”; ela requer a preparação dos herdeiros, a implementação de uma governança estruturada e a criação de estratégias inovadoras que possibilitem à nova geração manter e expandir o negócio. Um dos principais erros cometidos é subestimar o tempo necessário para preparar essa transição, que pode demandar vários anos.
Em contrapartida, existem exemplos de empresas familiares que realizaram um planejamento eficaz para a troca de comando. Um caso emblemático é o da família Martins, que administra o Grupo J2M. A corporação abrange a FertiSystem (especialista em tecnologias para o plantio), a Solve (que atua na transformação de polímeros por meio de injeção plástica e impressão 3D) e a Martins Agronegócios (divisão dedicada à agricultura, avicultura e citricultura), e iniciou há alguns anos sua transição familiar.
Conforme explica Mariana Grando, engenheira agrônoma e atual diretora de negócios da FertiSystem, o processo demanda um planejamento minucioso e de longo prazo. “Aqui, tudo começou com o desejo de crescimento contínuo e perpetuidade. O sucessor precisa estar preparado para assumir as responsabilidades e ter um conhecimento profundo do negócio. Contudo, isso requer tempo e uma dedicação constante”, afirma.
Além dessa dedicação, a preparação do sucessor envolve o conhecimento técnico sobre a empresa, o mercado e os produtos, além do desenvolvimento de habilidades emocionais e de liderança. “Uma sucessão bem-sucedida está diretamente relacionada à capacidade do sucessor de entender a essência do negócio e liderá-lo com uma visão estratégica”, completa a diretora.
Desafios e Estratégias
A gestão de conflitos é uma das principais dificuldades enfrentadas durante o processo de sucessão. Frequentemente, as famílias lidam com divergências sobre o futuro do negócio, o que pode intensificar tensões e prejudicar a transição. Além da preparação técnica e emocional, a governança familiar é um aspecto crucial do processo. A definição de regras claras sobre papéis e responsabilidades dentro da empresa é fundamental para evitar conflitos. “Em nosso caso, estabelecemos uma governança bem definida, com normas sobre a entrada e saída de membros da família e a distribuição de responsabilidades”, relata Mariana.
Quando realizada de forma eficiente, a transferência de liderança pode ser um motor de inovação para todas as empresas, incluindo aquelas do setor agrícola. A continuidade das operações depende da capacidade da nova geração de se adaptar às mudanças do setor e às exigências do mercado, incluindo a adoção de práticas sustentáveis e novas tecnologias.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o agronegócio representa cerca de 26% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, e a introdução de inovações tecnológicas é vital para seu crescimento. “Essa transição deve ser planejada cuidadosamente para garantir a continuidade dos negócios e a adaptação às demandas do setor”, enfatiza a diretora.
Adicionalmente, o apoio de consultorias especializadas e um planejamento estratégico bem estruturado facilitam a governança e o desenvolvimento da empresa. Dessa forma, assegura-se que o negócio familiar permaneça competitivo, ao mesmo tempo em que se preserva o legado e se promove um crescimento sustentável.
Mariana destaca que a sucessão no agronegócio é um processo complexo que requer planejamento, preparação técnica e emocional, além da criação de uma governança sólida. O exemplo da FertiSystem demonstra que, com a devida preparação e o suporte de consultorias especializadas, é possível não apenas garantir a continuidade, mas também impulsionar um crescimento inovador. “A sucessão familiar não se resume à herança; trata-se do legado e da perpetuação de valores, inovação e sustentabilidade”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo
Published
10 horas agoon
20 de agosto de 2026By
Da Redação
Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.
O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.
A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.
A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.
A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.
Isan Rezende
INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.
Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.
Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.
O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.
No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.
Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.
Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.
Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.
Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.
Fonte: Pensar Agro
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