AGRONEGÓCIO
Pinhão movimenta economia e preserva meio ambiente no Sul de Minas
Publicado em
4 de julho de 2025por
Da Redação
Geração de renda aliada à preservação ambiental
No Sul de Minas, a produção de pinhão, semente da araucária, tem se destacado como uma atividade que equilibra a geração de renda com a preservação do ecossistema da Serra da Mantiqueira. Em Delfim Moreira, um dos principais polos produtores do estado, a safra estimada para 2024 é de cerca de 500 mil quilos.
O município conta com aproximadamente 1.000 hectares de araucárias produtivas. Quando os pinhões amadurecem e caem, são coletados pelos extrativistas locais. Segundo Joelma Pádua, secretária municipal de Agricultura, a produção média chega a 60 kg por árvore, gerando uma renda anual estimada em R$ 3,5 milhões. “Esse manejo sustentável mantém o equilíbrio do ecossistema e assegura o sustento dos produtores”, destaca.
Parcerias para ampliar a produção e o processamento
Para fortalecer o setor, a prefeitura firmou parcerias importantes. Uma delas é com a Embrapa Florestas e a empresa Avon, que juntas planejam inaugurar uma unidade de processamento de pinhão ainda na próxima safra. A iniciativa visa diversificar os produtos oferecidos e garantir o fornecimento durante o ano todo, possibilitando melhores preços para os produtores.
Incentivo ao plantio de araucárias
O viveiro municipal desempenha papel fundamental na preservação da espécie, produzindo mudas de araucária enxertada que são doadas aos agricultores da região. Até o momento, mais de 400 mudas já foram plantadas. Túlio César Meireles, extensionista da Emater-MG, ressalta o apoio técnico dado aos membros da Associação Araucária para estimular o reflorestamento.
A produtora Mariana Sousa, da associação, reforça a importância da atividade: “O pinhão é uma fonte vital de renda e ajuda a preservar as araucárias. Com o incentivo da prefeitura e da Emater, estamos plantando mais árvores e preparando novos produtos para o mercado, inclusive com eventos como o Festival Gastronômico do Pinhão”.
Além disso, o município promove ações de conscientização ambiental nas escolas e planeja realizar, em outubro, um seminário dedicado à araucária.
Safra reduzida impacta produção, mas preços sobem
A safra oficial do pinhão no Sul de Minas começa em 1º de abril, conforme a Lei Estadual nº 15.915/2022, e normalmente vai até julho. Contudo, neste ano, a colheita encerrou precocemente em maio devido à queda de 50% na produção, causada por eventos climáticos adversos, como temporais no início do ano que prejudicaram a polinização, além de temperaturas elevadas.
Apesar da redução na oferta, o preço do quilo do pinhão dobrou, passando de R$ 3 para R$ 6, compensando as perdas na receita dos produtores. Segundo Túlio, o produto conta com garantia de preço mínimo pela Conab e cerca de 175 extrativistas recebem subvenção.
Panorama dos maiores produtores de Minas Gerais
Em Minas Gerais, aproximadamente 2 mil produtores participam da coleta de pinhão anualmente. Além de Delfim Moreira, que ocupa a 2ª posição no ranking, os maiores produtores são:
- Itamonte (1º lugar) – 1,2 milhão de quilos
- Alagoa (3º lugar) – 700 mil quilos
- Baependi (4º lugar) – 480 mil quilos
- Marmelópolis (5º lugar) – 475 mil quilos
O pinhão segue como importante motor econômico e ambiental no Sul de Minas, unindo tradição, sustentabilidade e inovação para o futuro do campo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Pressão sobre preços nos EUA abre nova oportunidade para o agronegócio brasileiro
Published
5 horas agoon
28 de agosto de 2026By
Da Redação
A escalada do custo dos alimentos e dos combustíveis nos Estados Unidos começa a produzir uma mudança que pode favorecer o agronegócio brasileiro. Pressionado pela inflação e pela proximidade das eleições legislativas de novembro, o governo de Donald Trump passou a adotar medidas para ampliar a oferta de produtos e tentar reduzir preços ao consumidor. Na carne bovina, a decisão já abre uma nova janela para exportadores do Brasil.
Trump autorizou nesta semana a entrada adicional de 300 mil toneladas de carne bovina magra pelas condições mais favoráveis da cota tarifária americana. O volume será dividido em três parcelas de 100 mil toneladas, entre setembro e novembro, e ficará disponível para países enquadrados na categoria de “outros países ou áreas”, na qual o Brasil disputa espaço com outros fornecedores.
A mudança é relevante porque a cota compartilhada à qual a carne brasileira tem acesso normalmente é preenchida rapidamente. Depois de esgotado o limite, os embarques passam a enfrentar uma tarifa extra-cota de 26,4%, reduzindo a competitividade do produto.
Com a ampliação temporária, abre-se espaço para que mais carne brasileira chegue ao mercado norte-americano sem essa tarifa adicional. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) considera a medida uma oportunidade comercial, embora ressalte que o Brasil terá de disputar o novo volume com outros países habilitados.
O momento é particularmente favorável porque os Estados Unidos enfrentam falta de animais. O rebanho bovino americano caiu para o menor nível em cerca de 75 anos, depois de anos de seca, custos elevados e redução do número de matrizes. Como a recomposição do plantel leva tempo, aumentar as importações tornou-se uma das alternativas de curto prazo para ampliar a oferta.
O Brasil chega a essa abertura em posição importante. Entre janeiro e julho deste ano, os Estados Unidos compraram 233,8 mil toneladas de carne bovina brasileira, 17,1% mais que no mesmo período de 2025, tornando-se o segundo maior destino do produto nacional.
No total, o Brasil exportou 1,97 milhão de toneladas de carne bovina nos primeiros sete meses de 2026, crescimento de 9,9%. A China continua como principal compradora, mas a abertura de espaço adicional nos Estados Unidos ganha importância justamente porque permite ao setor reduzir a dependência do mercado chinês.
Para o pecuarista brasileiro, uma demanda externa maior significa mais competição pela matéria-prima dentro do País. O efeito sobre a arroba não é automático, mas novos canais de exportação tendem a ampliar as alternativas comerciais dos frigoríficos e, principalmente em períodos de oferta mais ajustada de animais, podem contribuir para dar sustentação aos preços pagos pelo boi.
Combustível entra na mesma pressão
A carne não é o único produto que levou o governo americano a buscar alternativas para aumentar a oferta. A guerra contra o Irã elevou fortemente os preços do petróleo e levou a gasolina comum nos Estados Unidos para acima de US$ 4 por galão, cerca de US$ 1 a mais que há um ano.
Trump deve se reunir na próxima semana com representantes de refinarias e grandes redes de combustíveis para discutir formas de reduzir o preço nas bombas. O petróleo chegou a superar US$ 110 por barril durante o conflito, principalmente depois das restrições ao tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passava aproximadamente 20% do petróleo mundial.
Nesta sexta-feira (28), as cotações internacionais recuavam e caminhavam para encerrar a semana em queda, acompanhando a retomada parcial do fluxo de navios pela região. Ainda assim, o petróleo permanece bem acima dos níveis anteriores à guerra.
A situação colocou também os biocombustíveis no centro da disputa. Os Estados Unidos possuem uma das maiores indústrias de etanol do mundo e adotaram neste ano metas recordes de incorporação de combustíveis renováveis. Ao mesmo tempo, refinarias pressionam por dispensas que reduziriam temporariamente suas obrigações de mistura.
O governo Trump discute justamente como aliviar os custos das refinarias sem prejudicar agricultores e produtores de biocombustíveis. Uma das possibilidades avaliadas é compensar eventuais dispensas concedidas agora com aumento das metas de combustíveis renováveis em 2027.
Para o Brasil, maior utilização de etanol nos Estados Unidos seria positiva para o mercado internacional, mas ainda não há uma decisão que permita afirmar que haverá aumento das compras do produto brasileiro. Ao contrário da carne bovina, portanto, a oportunidade para o etanol ainda é potencial.
O ponto em comum entre os dois mercados está na mudança de prioridade em Washington. Com alimentos e combustíveis mais caros pressionando o orçamento das famílias, o governo americano passou a procurar rapidamente formas de aumentar a oferta e reduzir custos.
Na carne, essa necessidade já derrubou parcialmente uma barreira que limitava o acesso ao maior mercado consumidor do mundo. Para o Brasil, que já é o maior exportador global de carne bovina e tem capacidade para ampliar embarques, a crise de preços americana pode se transformar em uma oportunidade adicional para pecuaristas e frigoríficos nos últimos meses de 2026.
Fonte: Pensar Agro
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