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PIB Agropecuário deve encerrar 2024 em queda, aponta CNA

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O Produto Interno Bruto (PIB) da Agropecuária no Brasil registrou uma retração de 0,9% no terceiro trimestre de 2024, impactado pela revisão dos dados anteriores, mas amenizado pelo bom desempenho das culturas de inverno. A análise foi feita por Renato Conchon, chefe do Núcleo Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Na comparação anual, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) revisou os dados de 2023, e o setor agropecuário passou a apresentar um crescimento de 16,3%, em vez dos 15,1% inicialmente reportados. Conchon explicou que a revisão aumentou a lacuna do “carregamento estatístico”, o que comprometeu os resultados do terceiro trimestre de 2024.

Entre julho e setembro, o desempenho das culturas de inverno, como aveia, trigo, cevada e algodão, contribuiu para reduzir a queda no indicador geral do setor. Essas culturas apresentaram variações positivas de 29,9%, 12,6%, 5,3% e 14,5%, respectivamente.

Apesar desses avanços, a expectativa da CNA é de que o PIB agropecuário do próximo trimestre, a ser divulgado em março de 2025, mostre uma recuperação modesta, mas insuficiente para reverter a queda acumulada no ano, que até o momento está em -0,8%. A CNA realizará uma revisão dos números a partir dos dados divulgados nesta terça-feira.

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Para o próximo ano, a perspectiva é mais otimista. Conchon apontou que o PIB agropecuário deve registrar crescimento, impulsionado pelo bom desempenho da safra de verão até o momento. As estimativas preliminares indicam um crescimento de aproximadamente 3,2% em 2025.

Além disso, o economista destacou o resultado positivo do PIB brasileiro no terceiro trimestre, com avanço de 0,9% em relação ao segundo trimestre de 2024 e crescimento de 4% na comparação anual. Esse desempenho foi atribuído principalmente à manutenção dos gastos das famílias e ao volume de investimentos, que superaram as expectativas.

Contudo, Conchon alertou para a queda na taxa de poupança líquida do país, que passou de 15,4% em 2023 para 14,9% em 2024. Ele enfatizou que uma parte significativa do investimento no Brasil depende dessa poupança, e uma redução substancial nesse indicador pode comprometer o crescimento dos investimentos e afetar negativamente o Plano Safra no longo prazo. “Precisamos acompanhar com atenção esse indicador, pois ele está em desacordo com o crescimento do PIB”, concluiu.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Agronegócio ainda perde eficiência na aplicação de defensivos mesmo com avanço da agricultura de precisão

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Apesar da evolução da agricultura de precisão e da ampla oferta de tecnologias voltadas à aplicação de defensivos agrícolas, o agronegócio brasileiro ainda enfrenta desafios importantes para alcançar máxima eficiência operacional. Máquinas modernas, sensores, drones e sistemas inteligentes já fazem parte da rotina do campo, mas a forma como essas ferramentas são utilizadas ainda limita os resultados.

A avaliação é de especialistas do setor, que apontam que o principal gargalo não está na ausência de tecnologia, mas na integração entre conhecimento técnico, operação e estratégia dentro das propriedades rurais.

Eficiência das aplicações ainda é limitada por falhas operacionais

O aumento da pressão por produtividade, redução de perdas e cumprimento de exigências ambientais tem ampliado a necessidade de aplicações fitossanitárias mais precisas e sustentáveis. No entanto, falhas operacionais e decisões inadequadas continuam comprometendo parte dos resultados no campo.

De acordo com o engenheiro agrônomo Marcelo da Costa Ferreira, professor titular da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Jaboticabal e coordenador do Núcleo de Estudos e Desenvolvimento da Tecnologia de Aplicação, o setor dispõe de um amplo conjunto de ferramentas, mas ainda enfrenta dificuldades na sua correta utilização.

“Do ponto de vista da disponibilidade de produtos, máquinas e aplicativos, o agro vivencia um bom nível de opções. Mas isso não significa que esses produtos sejam bem utilizados”, afirma o especialista.

Segundo ele, perdas associadas à deriva, escolhas inadequadas de tecnologia e falhas operacionais poderiam ser significativamente reduzidas com maior alinhamento técnico entre os diferentes elos da cadeia produtiva.

“Há conhecimento e ferramental disponível. Porém, a falta de uma orientação macro dificulta uma compreensão mais madura para a redução das perdas”, completa.

Agricultura de precisão transforma tomada de decisão no campo

O avanço das tecnologias digitais tem alterado profundamente a lógica das aplicações agrícolas. Recursos como sensoriamento remoto, imagens de satélite, drones e sistemas inteligentes permitem análises detalhadas das lavouras e possibilitam decisões mais específicas dentro de uma mesma área produtiva.

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Na prática, isso significa maior capacidade de identificar variações no campo e ajustar a aplicação de insumos de forma localizada, reduzindo desperdícios e aumentando a eficiência.

“O olho das máquinas é muito mais detalhista e veloz em produzir informações do que o olho humano”, destaca Marcelo Ferreira.

Barreiras culturais ainda limitam adoção de tecnologias

Apesar dos avanços, a adoção plena dessas ferramentas ainda enfrenta resistência dentro das propriedades rurais. Para o especialista, a principal barreira não é apenas tecnológica, mas cultural e organizacional.

O modelo tradicional de manejo agrícola ainda está fortemente consolidado em muitas regiões produtoras, o que dificulta a incorporação de novos processos e sistemas de decisão baseados em dados.

“Essa forma tradicional de trabalho está consolidada há décadas. A primeira barreira, portanto, é cultural, seguida pela necessidade de alteração do sistema de entendimento da operação”, ressalta.

Formação técnica será decisiva para o futuro do agro

Para o professor da Unesp, o futuro da eficiência na aplicação de defensivos está diretamente ligado à formação de profissionais mais capacitados para operar, interpretar e desenvolver tecnologias agrícolas.

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A tendência, segundo ele, é de um ambiente cada vez mais digitalizado, no qual a tomada de decisão dependerá de dados e sistemas integrados.

“As inovações tecnológicas virão. As pessoas precisam estar preparadas não apenas para utilizá-las, mas também para criá-las e aprimorá-las”, conclui.

Perspectiva

A tendência é que a agricultura brasileira avance cada vez mais para sistemas produtivos orientados por dados, com maior integração entre máquinas, softwares e conhecimento técnico. Nesse cenário, a eficiência na aplicação de defensivos deve depender menos da disponibilidade de tecnologia e mais da capacidade de gestão e capacitação dos profissionais envolvidos.

A superação das barreiras culturais e o fortalecimento da formação técnica devem ser fatores determinantes para reduzir perdas, ampliar a sustentabilidade das operações e aumentar a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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