AGRONEGÓCIO
Pesquisa revela o consumo de café no Brasil nos períodos pré, durante e pós pandemia
Publicado em
7 de dezembro de 2023por
Da RedaçãoFaça chuva ou faça sol o brasileiro aprecia um bom café. De olho no perfil consumidor o Instituto Agronômico (IAC), em parceria com o Instituto Axxus e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) divulgam a pesquisa a Evolução dos Hábitos e Preferências dos Consumidores de Café no Brasil, entre 2019 e 2023. Nas três avaliações realizadas nos anos de 2019, 2021 e 2023 foi constatado que o consumidor continua tendo uma relação afetiva com o produto e que a experiência de beber café faz parte de um ritual diário e emocional, concebido como um dos prazeres da vida. Os resultados do estudo foram disponibilizados para a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC).
A pesquisa apontou que 97% dos entrevistados disseram beber café ao acordar e para 61% a bebida colabora para a melhora do humor e a disposição. Foram entrevistadas 4.200 pessoas, sendo 1890 homens e 2310 mulheres. A pesquisa foi aplicada em todas as regiões brasileiras, em diferentes faixas etárias e classes sociais. O nível de confiança do estudo é de 99% e margem de erro de 2%. “Os resultados foram finalizados em outubro de 2023 e criou um panorama sobre o padrão de consumo antes, durante e pós pandemia”, afirma o pesquisador do Instituto Agronômico (IAC-APTA), Sérgio Parreiras Pereira.
A pesquisa tem o objetivo de buscar informações que sejam uteis e proporcione melhorias não só aos envolvidos diretamente à cadeia produtiva, mas também aos consumidores de café de todo o Brasil. Pereira informa que entre as metas da pesquisa está o conhecimento das percepções, opiniões, preferências e objeções dos consumidores em relação ao consumo do café. Além, de descobrir como e quando o café está presente no dia a dia dos consumidores e identificar as mudanças nos hábitos de compra e de consumo nos últimos anos.
A pesquisa apontou que atualmente 29% dos entrevistados bebem mais de 6 xícaras de café por dia, enquanto 46% apontaram que consomem de 3 a 5 xícaras diárias. Outra constatação foi em relação aos entrevistados que afirmam não consumir café. “Em 2019, esse percentual foi de 8%, enquanto em 2021 e 2023, essa taxa foi de 3%, ou seja, houve uma estabilização”, afirma Pereira.
Outra mudança que a pesquisa revelou foi que o trabalho voltou a ser o local de maior consumo de café, em segundo lugar foi nas residências, em terceiro nas cafeterias e em quarto em casas de amigos e parentes. Em 2021, o primeiro lugar de maior consumo era em casa em função da pandemia e a frequência de consumo em cafeterias caiu de 48% para 9%. Nessa última edição da pesquisa houve um aumento para 51%, ou seja, os entrevistados voltaram a consumir café em lojas especializadas.
Quanto aos critérios de escolha relacionados às compras chama a atenção a variação dos dados registrados na pesquisa de 2019 e 2023. Este ano, 16% afirmaram comprar o café mais barato, em 2021 o índice foi de 21%. No grupo que afirmou comprar dentre as marcas de preferência aquela de menor preço, o índice passou de 39%, em 2021, para 43%, em 2023.
Pereira destaca ainda a importância desse tipo pesquisa para o sistema agroindustrial dos cafés do Brasil. “Existem poucos estudos que apresentem uma grande amostragem da população, com esse nível de confiança e margem de erro, e que este serve para elucidar muitas questões relacionadas aos impactos da COVID 19 no consumo de café no Brasil”, diz.
- Para acessar a integra do estudo clique no link
Fonte: Assessoria de imprensa IAC
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
IBS no agronegócio: nova tributação redefine processos fiscais e pressiona eficiência operacional no setor
Published
3 minutos agoon
10 de junho de 2026By
Da Redação
Agronegócio entra em nova fase com impacto direto da reforma tributária
O agronegócio brasileiro, que encerrou 2025 com participação de 25,13% no PIB nacional e movimentação estimada em R$ 3,2 trilhões, segundo dados do Cepea/CNA, passa a enfrentar um novo desafio estrutural com a regulamentação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).
Mais do que uma mudança de siglas, o novo modelo tributário exige reorganização completa de processos fiscais, tecnológicos e operacionais em toda a cadeia produtiva — do campo à exportação.
Para especialistas, o impacto vai além da área contábil e atinge diretamente a gestão de dados, o fluxo de caixa e a governança das operações rurais.
IBS muda lógica tributária e amplia exigência de controle fiscal
O IBS foi criado no âmbito da reforma tributária do consumo e substituirá o ICMS e o ISS, funcionando de forma integrada à CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), tributo federal que substitui PIS e Cofins.
O modelo segue a lógica do IVA dual e incide sobre operações com bens e serviços ao longo de toda a cadeia produtiva, incluindo:
Insumos agrícolas
- Transporte e armazenagem
- Industrialização
- Comercialização
- Arrendamento e cessão de direitos
- Prestação de serviços no campo
Segundo Altair Heitor, contador, especialista em gestão tributária no agronegócio e CFO da consultoria Palin & Martins, o conceito de operação tributável foi ampliado.
“O IBS altera a lógica de leitura das operações. No agro, onde a cadeia é longa e fragmentada, qualquer inconsistência fiscal pode afetar crédito, apuração e fluxo de caixa”, explica.
Fim dos incentivos estaduais muda competitividade no setor
Com a unificação das regras tributárias e o fim gradual da guerra fiscal entre estados, os incentivos de ICMS deixam de ser o principal fator de competitividade.
Na prática, a disputa entre estados por atração de investimentos perde força, e a eficiência operacional passa a ser determinante.
“O diferencial deixa de estar no incentivo fiscal e passa a depender da eficiência operacional, da gestão de custos e da qualidade da informação fiscal”, afirma Altair.
Tributação no destino altera dinâmica logística e fiscal
Uma das mudanças mais relevantes do IBS é a adoção da tributação no destino. Isso significa que o imposto será recolhido no local onde ocorre o consumo final do bem ou serviço, e não mais na origem.
No agronegócio, isso impacta diretamente operações interestaduais e cadeias com múltiplos agentes.
Exemplo prático:
Uma revenda de sementes localizada em um estado pode vender o produto para outro e realizar a entrega em uma terceira localidade. Com o IBS, a tributação será vinculada ao destino final da entrega.
“O produtor pode comprar em um estado, vender para outro e entregar em um terceiro. O destino final passa a definir a tributação, exigindo precisão total nos dados fiscais”, destaca o especialista.
Cadeias longas aumentam risco de inconsistência fiscal
O agronegócio é um dos setores mais complexos do ponto de vista tributário devido à extensão da cadeia produtiva, que pode envolver:
- Produtor rural
- Cooperativas
- Transportadoras
- Armazéns
- Agroindústrias
- Exportadores
Com o IBS, cresce a necessidade de rastreabilidade completa das operações.
“O imposto exige coerência entre o que foi comprado, transportado e entregue. Qualquer divergência pode gerar bloqueio de crédito ou erro na apuração”, explica Altair.
Atualmente, o setor já enfrenta altos índices de inconsistência fiscal. Estimativas apontam que mais de 70% das empresas apresentam erros em documentos fiscais, como NCM e CFOP, comprometendo créditos tributários.
Empresas terão de modernizar sistemas e processos internos
A adaptação ao IBS exigirá mudanças estruturais em tecnologia e governança fiscal. Entre as principais adequações estão:
- Atualização de ERPs
- Revisão de cadastros de clientes e fornecedores
- Parametrização fiscal detalhada
- Adequação de contratos comerciais
- Integração entre áreas contábil, fiscal e logística
Informações como local de entrega, tipo de operação e classificação fiscal passam a influenciar diretamente o cálculo do imposto.
“Não é apenas uma mudança tributária, é uma mudança de gestão. Quem não revisar cadastro e sistema corre risco de pagar imposto errado ou perder crédito legítimo”, alerta o especialista.
Crédito tributário dependerá de qualidade da informação
O IBS mantém o princípio da não cumulatividade, permitindo a compensação de créditos ao longo da cadeia produtiva. No entanto, o aproveitamento desses créditos dependerá de documentação correta e integração total das informações fiscais.
“O crédito depende de documento válido, operação correta e registro consistente. Se qualquer etapa falhar, o impacto aparece diretamente no fluxo de caixa”, afirma Altair.
Transição exige planejamento imediato no agronegócio
A recomendação de especialistas é que as empresas iniciem imediatamente a revisão de seus processos fiscais e operacionais.
Segundo Altair Heitor, organizações que se anteciparem terão vantagem competitiva na transição.
“O IBS pode trazer mais previsibilidade tributária, mas isso só se concretiza com controle rigoroso de dados, processos e contratos”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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