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Pesquisa mostra que 92% do etanol vem de novas áreas de cana-de-açúcar no Brasil

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O Brasil, atualmente, é o segundo maior produtor deste combustível, que por gerar menos emissão de gases poluentes na atmosfera, rivaliza com os carros elétricos na disputa por um automóvel que seja mais sustentável. Ao tentar entender quão “verde” realmente é o etanol, uma pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV) utilizou monitoramento por satélite para criar um modelo econômico, fundamentado em dados, capaz de analisar o uso da terra destinado às atividades agrícolas de cana-de açúcar.

No que diz respeito ao uso da terra, Marcelo Sant’Anna, pesquisador da EPGE Escola Brasileira de Economia e Finanças (FGV EPGE), explica que há duas formas de aumentar a produção da cana-de-açúcar: a primeira é replantar com mais frequência, e a segunda é amplificar essa plantação em novas áreas. “Nosso estudo constatou que ao aumentarmos a produção no Brasil, apenas 8% do novo etanol é proveniente da cana-de açúcar oriunda de uma maior intensificação do processo de replantio. Os outros 92% vêm de novas áreas”, introduziu o professor.

À frente do projeto, Sant’Anna contextualiza que a demanda por combustíveis vem aumentando nos últimos anos, assim como a necessidade de reduzir os danos ao meio ambiente. “Neste cenário, já existem inúmeras pesquisas que analisam o ciclo do carbono e as emissões líquidas no processo de produzir etanol. Porém, o que este estudo propôs foi chamar atenção para as consequências relacionadas ao uso da terra, uma vez que a expansão da cana-de-açúcar para produzir o biocombustível vai ser expandida em áreas que podem ser utilizadas para outro tipo de produção”.

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Sant’Anna ressalta que essas plantações que ultrapassam a margem de suas áreas podem adentrar em matas e florestas ao redor do país, além de também tomar o espaço de outras culturas agrícolas, como plantação de soja e diversos alimentos. “Nesta pesquisa identificamos que 20% dessas novas áreas eram em sua origem florestas, o que implica um desmatamento para produzir a planta que origina o biocombustível. Outros 70% correspondem a áreas que eram ou de pastagem ou de outras culturas, como milho, trigo, etc.”.

O modelo criado permite analisar para onde estão sendo expandidas essas novas áreas e o que ocorre com outras culturas além da cana. “Atualmente é mais barato expandir novas áreas do que intensificar o replantio das que já existem. Como a maior parte da expansão da produção se dá em novas áreas, é fundamental entender os determinantes desse processo para se formular políticas públicas”, pontuou Sant’Anna.

Tecnologia e estatística

Para ajustar este modelo econômico o estudo utilizou imagens de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que mapeou todas as áreas de cultura de cana-de-açúcar no Brasil, com mais de 1 milhão de pontos no mapa, que foram acompanhados por mais de 10 anos. Os dados monitoram não somente o plantio em novas terras, mas também replantio em áreas de cultivo existentes.

“Este estudo provê referências para a discussão sobre quão verde é realmente a cana-de-açúcar em emissões de carbono. Se olharmos como esse aumento de produção ocorre ao longo da curva de oferta, podemos entender melhor os impactos de políticas de promoção do etanol. Por se tratar de uma planta semi perene, a cana-de-açúcar quando plantada vai gerar um rendimento menor anualmente, até se chegar ao ponto de precisar ser replantada. Existe um canal, portanto, através deste processo de replantio que permite aumentar o rendimento. Porém, o que verificamos é que, apesar de presente, esse mecanismo de intensificação é muito menos relevante do que a expansão para novas áreas de cultura”, complementa o pesquisador.

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Através desse novo modelo dinâmico ajustado para os dados brasileiros, ele acredita ser possível realizar experimentos em políticas públicas ao investigar como se dá o aumento da produção de cana-de-açúcar. “Se a produção de etanol estiver vindo de novas áreas de plantação de cana-de-açúcar acende-se um alerta para as questões ambientais, ou para uma possível interferência na produção de outras commodities agrícolas”.

Sant’Anna aponta que o cenário precisa de um olhar mais cuidadoso, pois responder à pergunta “quão verde é a cana-de-açúcar” depende fundamentalmente do que ocorre com as áreas utilizadas para produção desta planta. “Nosso papel não é dizer se o etanol é bom ou ruim, mas sim, entender todo o ciclo de produção e o real impacto deste combustível que é considerado verde”, concluiu o pesquisador.

Fonte: FGV

Fonte: Portal do Agronegócio

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Chuva forte pode atrasar plantio e colheitas no Centro-Sul

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A semana começa com chuva em importantes regiões agrícolas do Brasil e efeitos distintos sobre o calendário das lavouras. A partir deste domingo (04.10), as instabilidades atingem áreas do Centro-Oeste, Sudeste e Sul, além de partes do Norte e do Nordeste. Para quem inicia a safra de verão, a água ajuda a recuperar a umidade necessária à semeadura. Onde o solo já está saturado, porém, novos episódios de chuva podem paralisar máquinas, atrasar o plantio e dificultar a retirada dos grãos ainda no campo.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o início da semana terá condições para tempestades, com rajadas de vento e possibilidade de granizo em algumas áreas. A intensidade e a distribuição das precipitações variam entre as regiões, exigindo decisões conforme a situação de cada propriedade.

No Centro-Oeste, há previsão de chuva neste domingo em Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul, com intensificação das instabilidades na segunda-feira, 5. O sul de Mato Grosso do Sul está entre as áreas sob maior atenção para temporais.

A chegada da água ocorre em momento decisivo para a soja. No acompanhamento divulgado em 28 de setembro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou que as chuvas haviam permitido ampliar a semeadura em áreas de Mato Grosso que dependem das precipitações. Em Mato Grosso do Sul, a implantação também começava a avançar, enquanto Goiás registrava operações pontuais, principalmente sob irrigação.

O desafio para o produtor é aproveitar a umidade sem antecipar a entrada das máquinas em terrenos sem condições de tráfego. Chuvas concentradas podem interromper a semeadura e os tratamentos das lavouras. A persistência da água no solo, por sua vez, precisa ser observada antes de retomar as operações.

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No Sudeste, as instabilidades alcançam São Paulo, áreas de Minas Gerais e Rio de Janeiro no começo da semana. No Espírito Santo, a previsão aponta precipitações mais isoladas. A chuva pode beneficiar a implantação das culturas de verão, mas exige atenção onde ainda há colheitas.

Em São Paulo, a Conab já registrava dificuldades para a entrada de colhedoras em áreas de milho por causa do encharcamento. Também apontava danos à qualidade do trigo em maturação e colheita. Novas precipitações podem prolongar essas interrupções nas propriedades afetadas.

A situação do milho safrinha, contudo, deve ser dimensionada: 99,5% da área acompanhada pela companhia estava colhida no levantamento de 28 de setembro. Os trabalhos restantes se concentravam em São Paulo e no Paraná. Nos principais polos do Centro-Oeste, a retirada do cereal já havia terminado.

No Sul, os cuidados se dividem entre a implantação da nova safra e as lavouras de inverno. Santa Catarina e partes do Rio Grande do Sul também têm previsão de chuva e trovoadas. O excesso de umidade já havia reduzido o ritmo do plantio de milho e interrompido operações de semeadura do arroz em áreas gaúchas.

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O trigo permanece vulnerável. Além de dificultar a colheita, períodos úmidos favorecem doenças e podem comprometer a qualidade dos grãos. Em Santa Catarina, o monitoramento da Conab destacava a pressão de doenças nas lavouras; no Rio Grande do Sul, havia preocupação com os efeitos das chuvas sobre áreas em fase reprodutiva.

No Norte, as pancadas atingem áreas do Amazonas, Rondônia e Tocantins. No Nordeste, a chuva é mais localizada, com possibilidade de precipitações no oeste da Bahia e em partes do Maranhão e do Piauí, enquanto setores do interior permanecem com tempo firme.

Para a região agrícola formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a regularidade das precipitações continua decisiva. O boletim de setembro da Conab mostrou que as primeiras chuvas haviam sido insuficientes para recompor a água no solo e permitir o plantio na maioria das áreas sem irrigação. Já o milho de terceira safra apresenta situações diferentes: no oeste baiano, áreas irrigadas tiveram bons resultados, enquanto a estiagem comprometeu lavouras no Nordeste da Bahia.

O planejamento da semana dependerá, portanto, da combinação entre previsão local, umidade do terreno e estágio da cultura. Onde falta água, a chuva pode abrir a oportunidade de plantar. Onde ela já sobra, preservar o solo e esperar condições adequadas para as máquinas será determinante para evitar novos prejuízos.

Fonte: Pensar Agro

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