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Perdas com o clima e questões fundiárias movimentaram direito agrário em 2023

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As discussões sobre o marco temporal para demarcações de terras indígenas, orientações quanto aos reflexos da estiagem e inundações, entre outros temas, marcaram o ano de 2023 quando se fala de direito agrário. Os especialistas na área destacam a retomada das discussões relativas ao direito de propriedade, sendo uma das mais impactantes a questão indígena.

Para o advogado Frederico Buss, da HBS Advogados, com a conclusão do julgamento do processo que havia iniciado em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF), ao reapreciar os critérios para demarcação de terras indígenas, alterou a jurisprudência. “Deu uma guinada em direção à relativização do direito de propriedade e da insegurança jurídica nesta questão. Após 35 anos da Constituição, o STF entendeu que não há marco temporal para as demarcações, contrariando sua jurisprudência histórica”, afirma. Buss ainda conta que, na decisão, o Supremo previu indenização aos proprietários, mas pelo valor da terra nua, o mais baixo, longe do valor de mercado e utilizado para fins de cálculo do Imposto Territorial Rural (ITR).

A relativização do direito de propriedade, conforme o advogado, também surgiu em 2023 quando da retomada das questões territoriais de quilombos. “Decisões administrativas procuram restabelecer supostos quilombos que estariam extintos a mais de um século”, explica Frederico Buss. Ele destaca que o assunto seguirá em pauta em 2024, assim como o marco temporal e recomenda que os produtores rurais se mantenham informados e atualizados sobre os temas.

Com a mudança do cenário político, Frederico Buss afirma que uma das preocupações foi a retomada da atividade do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) no país. “É fundamental que os produtores tomem medidas judiciais cabíveis em caso de invasões ou de ameaça de invasões e é recomendável que mantenham informações atualizadas como matrículas, cadastros, comprovantes de produtividade, caso seja necessário acionar o poder judiciário”, alerta o especialista da HBS Advogados.

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Frederico Buss lembra que, em setembro deste ano, o STF decidiu que a propriedade rural produtiva pode ser objeto de desapropriação para reforma agrária. “Com o devido respeito, esta decisão não representa a melhor interpretação do texto constitucional, pois a Constituição é clara no sentido de que a propriedade produtiva e a pequena e média propriedade não podem ser objetos de desapropriação para este fim”, afirma. Ele diz que em casos de desconformidade com relação a alguma legislação, como trabalhista ou ambiental, o proprietário deve estar sujeito às penalizações cabíveis, administrativas, criminais e civis, mas jamais ser este o motivo para submeter a uma desapropriação.

O abalo nas safras de verão 2022/2023 por conta da estiagem, geraram grandes discussões sobre seguro agrícola e prorrogação de crédito rural. “Agora no segundo semestre, com as chuvas que atingiram o estado, há dificuldade e até impedimento do plantio para a próxima safra de verão, prejudicou também a colheita da safra de inverno. Certamente os produtores precisam ter ciência das medidas adequadas a serem tomadas em caso de redução de produtividade ocasionadas por fatores climáticos”, alerta Frederico Buss. Entram no rol, medidas com relação aos contratos de crédito rural, apólices de seguro agrícola, contratos com fornecedores, financiamento privado, arrendamento, sendo importante atentar às peculiaridades de todas as formas de contratação e o mais adequado encaminhamento jurídico a ser adotado em cada uma dessas questões, orienta o advogado.

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No que se refere a questões ambientais, especificamente o Bioma Pampa, o advogado Roberto Bastos Ghigino, também da HBS Advogados, destaca a prorrogação de validade de portaria conjunta da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e da Fepam, que autoriza os produtores rurais que converteram áreas de maneira irregular, a buscarem autorização para uso destas áreas, sem alteração nos requisitos para tal. “Também foi reeditada portaria que autoriza suspensão do embargo para aqueles produtores rurais que, entre a fiscalização e a autuação, regularizarem sua área. Isso é muito importante, considerando que o embargo as áreas é o que mais afeta os produtores, na medida em fica inviabilizada a exploração das atividades”, explica o advogado. Ghigino diz ainda que, também na área ambiental, em 2023 o Superior Tribunal de Justiça (STJ) validou processo administrativo onde a intimação do infrator foi feita por edital. “Assim, fica chancelado pelo STJ a validade da intimação por edital do infrator para que apresente suas alegações no processo administrativo”, alerta.

Fonte: Assessoria de Comunicação da HBS Advogados

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Congresso Abramilho debate Plano Safra, seguro rural e armazenagem em meio à pressão no agronegócio

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O 4º Congresso da Abramilho será realizado no próximo dia 13 de maio, em Brasília, com foco nos principais desafios enfrentados pela cadeia produtiva do milho e do sorgo. Entre os temas centrais do encontro estão o Plano Safra, o acesso ao seguro rural, os custos de produção e os gargalos de armazenagem no agronegócio brasileiro.

O painel de abertura contará com a presença do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, além do embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, reforçando a importância estratégica do setor para o comércio internacional e para a segurança alimentar.

Plano Safra e crise no campo estarão no centro das discussões

Com o tema “Agricultura em transformação: desafios atuais e propostas para fortalecer o setor”, o painel irá discutir o atual cenário enfrentado pelos produtores rurais, marcado pela elevação dos custos dos fertilizantes, dificuldades financeiras no campo e incertezas sobre o financiamento da próxima safra.

Também participarão do debate o presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins da Silva Júnior, o presidente da Aprosoja-MT, Lucas Costa Beber, e o presidente da Maizall, Manuel Ron.

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A mediação será conduzida pelo jornalista Cassiano Ribeiro.

Setor cobra soluções para seguro rural e armazenagem

A expectativa do setor é ampliar o diálogo com o governo federal sobre políticas públicas consideradas estratégicas para a sustentabilidade da produção agrícola.

Segundo o diretor executivo da Abramilho, Glauber Silveira, o congresso acontece em um momento decisivo para os produtores brasileiros.

De acordo com ele, a presença do ministro da Agricultura no evento cria um ambiente importante para discutir medidas concretas voltadas ao crédito rural, à ampliação do seguro agrícola e ao fortalecimento da infraestrutura logística e de armazenagem.

O setor também demonstra preocupação com a pressão sobre o orçamento do Plano Safra, considerada uma das principais ferramentas de financiamento da produção agropecuária nacional.

Segurança alimentar e geopolítica também entram na pauta

Além das discussões econômicas e estruturais, o congresso contará com outros painéis voltados para segurança alimentar, biotecnologia e geopolítica do agronegócio.

A programação busca ampliar o debate sobre o papel estratégico do Brasil no fornecimento global de alimentos, especialmente diante das mudanças no comércio internacional, da crescente demanda por grãos e das transformações tecnológicas no campo.

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O evento reúne produtores, especialistas, autoridades e representantes do mercado para discutir caminhos para aumentar a competitividade do milho brasileiro e fortalecer a cadeia produtiva nos próximos anos.

Inscrições

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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