AGRONEGÓCIO
Paraná terminou 2023 como líder da produção orgânica do Brasil
Publicado em
2 de janeiro de 2024por
Da RedaçãoO Paraná terminou 2023 como líder da produção orgânica do Brasil, com 3.911 produtores rurais certificados, de acordo com o Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Entre janeiro e setembro, 727 produtores obtiveram certificação, sendo 347 apoiados pelo programa estadual Paraná Mais Orgânico (PMO), que oferece capacitação gratuita a agricultores familiares em todo o território paranaense, representando 47,7% dos produtores certificados.
Sob coordenação da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), o PMO opera por meio de 11 núcleos de certificação, situados em nove campi universitários estaduais e no Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR). Em 2023, o Governo Estadual alocou R$ 7,9 milhões do Fundo Paraná para o programa, utilizando recursos para bolsas e aquisição de equipamentos para os núcleos regionais.
O PMO visa converter produções convencionais em orgânicas, em conformidade com a legislação vigente, focando em pequenas propriedades e agricultores familiares. Seu propósito é difundir técnicas de manejo agrícola baseadas nos princípios da agroecologia, visando agregar valor aos produtos orgânicos do Paraná, preservar recursos naturais e expandir a produção local e regional.
O selo de produto orgânico garante aos consumidores que as etapas de produção e processamento foram livres de agrotóxicos, insumos químicos sintéticos e práticas prejudiciais à saúde humana, animal, vegetal e do solo. O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), vinculado à Seti, atua como unidade certificadora credenciada pelo Mapa e pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).
Luiz Cezar Kawano, coordenador do Fundo Paraná, destaca que a certificação orgânica promove a produção sustentável, a economia local e a segurança alimentar. O programa contribui para a sustentabilidade ambiental e social, preservando recursos naturais e promovendo a agricultura orgânica, impactando positivamente nas condições de trabalho e renda dos produtores e garantindo alimentação saudável aos consumidores.
O coordenador institucional do PMO, professor Ednaldo Michellon, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), enfatiza o papel acadêmico do programa. Ele destaca que os estudos realizados pelo Paraná Mais Orgânico são cruciais para consolidar esse sistema de produção. Os estudos científicos contribuem para formar profissionais qualificados e capacitar agricultores na produção de alimentos orgânicos.
O PMO envolve 90 bolsistas, entre estudantes de graduação, professores universitários e profissionais. As atividades incluem a capacitação dos produtores, planejamento de manejo e adaptação das propriedades para a produção orgânica. Os resultados das ações dos bolsistas são base para artigos acadêmicos, divulgação científica e participação em eventos nacionais e internacionais.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Bioinsumos ganham protagonismo diante da dependência de fertilizantes importados e reforçam soberania do agro brasileiro
Published
10 minutos agoon
7 de julho de 2026By
Da Redação
A elevada dependência do Brasil de fertilizantes importados voltou ao centro das discussões sobre a competitividade e a segurança do agronegócio nacional. Em um cenário marcado pela alta dos preços internacionais, restrições logísticas e instabilidade geopolítica, os bioinsumos ganham espaço como uma alternativa estratégica para aumentar a eficiência das lavouras e reduzir a vulnerabilidade do setor.
Atualmente, cerca de 88% dos fertilizantes utilizados no país são importados, sobretudo de regiões sujeitas a conflitos e oscilações no comércio internacional. Diante desse contexto, a Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPII Bio) defende a ampliação do uso de tecnologias biológicas como complemento à adubação mineral e instrumento para fortalecer a soberania produtiva brasileira.
Crise logística pressiona custos dos fertilizantes
A preocupação do setor aumentou após as recentes restrições ao tráfego no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o comércio global de fertilizantes. O corredor concentra aproximadamente um terço do fluxo mundial desses insumos e passou a enfrentar novas dificuldades logísticas, agravando um cenário que já vinha sendo impactado pelos reflexos da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Mesmo com expectativa de normalização gradual das operações, especialistas avaliam que os efeitos sobre preços, oferta e fretes deverão continuar influenciando o mercado nos próximos meses.
Dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostram que, entre fevereiro e abril de 2026, o Brasil importou 4% menos fertilizantes, mas desembolsou 16% a mais pelo volume adquirido. No mesmo período, o fertilizante fosfatado MAP acumulou valorização de 20%.
Bioinsumos aumentam eficiência sem substituir fertilizantes minerais
Segundo o presidente da ANPII Bio, Thiago Delgado, os bioinsumos não eliminam a necessidade dos fertilizantes convencionais, mas desempenham papel importante ao elevar o aproveitamento dos nutrientes disponíveis no solo e reduzir parte da dependência externa.
“O Brasil possui elevada dependência de nitrogênio, fósforo e potássio importados. Os bioinsumos contribuem para aumentar a eficiência nutricional das plantas, oferecendo maior estabilidade de custos e fortalecendo a segurança agrícola”, afirma.
Para a entidade, enquanto projetos destinados à ampliação da produção nacional de fertilizantes minerais exigem investimentos elevados e longo prazo para maturação, as tecnologias biológicas já estão disponíveis comercialmente e podem ser adotadas imediatamente pelos produtores.
Mercado brasileiro lidera desenvolvimento de tecnologias biológicas
O Brasil ocupa posição de destaque no mercado mundial de bioinsumos. De acordo com a ANPII Bio, o setor movimenta mais de R$ 7 bilhões por safra, concentra aproximadamente metade do mercado latino-americano e figura entre os três maiores mercados globais da atividade.
Além disso, cerca de 85% dos bioinsumos comercializados no país são produzidos pela própria indústria nacional, consolidando o Brasil como uma das principais referências internacionais no desenvolvimento de soluções biológicas voltadas ao agronegócio tropical.
O segmento reúne atualmente mais de 200 empresas registradas no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e contabiliza mais de 1.500 produtos registrados, apresentando crescimento superior a 50% entre 2022 e 2025.
Fixação biológica de nitrogênio é exemplo de sucesso no campo
Entre as principais aplicações dos bioinsumos estão a fixação biológica de nitrogênio (FBN), a solubilização de fósforo e potássio, o estímulo ao desenvolvimento radicular e o aumento da absorção de água e nutrientes pelas plantas.
O caso mais consolidado é o da soja brasileira. Segundo a Embrapa, a utilização de bactérias do gênero Bradyrhizobium permite suprir biologicamente a necessidade de nitrogênio da cultura, reduzindo drasticamente os custos com fertilização.
Enquanto a adubação nitrogenada convencional pode atingir cerca de R$ 906 por hectare, a inoculação biológica apresenta custo próximo de R$ 8 por hectare, mantendo elevada eficiência produtiva.
Hoje, aproximadamente 90% das áreas cultivadas com soja no Brasil utilizam essa tecnologia, gerando economia estimada entre US$ 25 bilhões e US$ 40 bilhões por ano aos produtores.
Outro microrganismo amplamente empregado é o Azospirillum brasilense, associado ao fortalecimento do sistema radicular, maior absorção de nutrientes e aumento da tolerância das plantas aos estresses climáticos.
Reconhecimento internacional fortalece pesquisa brasileira
O avanço da pesquisa nacional em bioinsumos ganhou destaque internacional em 2025, quando a pesquisadora da Embrapa Mariangela Hungria recebeu o World Food Prize, considerado o “Nobel da Agricultura”, pelo desenvolvimento de tecnologias ligadas à fixação biológica de nitrogênio.
Para a ANPII Bio, o reconhecimento reforça o protagonismo do Brasil na construção de soluções capazes de aumentar a produtividade agrícola com menor dependência de fertilizantes minerais importados.
Marco legal impulsiona expansão do setor
Outro fator considerado decisivo para o crescimento do segmento é a Lei dos Bioinsumos (Lei nº 15.070/2024), que estabelece um marco regulatório para estimular a inovação, ampliar a produção nacional e acelerar a adoção dessas tecnologias no campo.
Segundo a entidade, a regulamentação da legislação deverá fortalecer ainda mais a competitividade da indústria brasileira de bioinsumos, criando condições favoráveis para novos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e produção.
Na avaliação da ANPII Bio, os bioinsumos não devem ser vistos como substitutos dos fertilizantes minerais, mas como ferramentas complementares para tornar os sistemas produtivos mais eficientes, resilientes e menos vulneráveis às oscilações do mercado internacional, contribuindo para a segurança alimentar e a competitividade do agronegócio brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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