AGRONEGÓCIO
Paraná lidera produção de erva-mate e registra crescimento superior a outros estados do Sul
Publicado em
24 de outubro de 2025por
Da Redação
O Paraná consolidou-se como maior produtor de erva-mate do Brasil, com produção em crescimento robusto, superando Rio Grande do Sul e Santa Catarina, estados onde a cultura também possui relevância econômica e cultural.
Segundo dados do IBGE, os municípios paranaenses de Cruz Machado (88 mil toneladas) e São Mateus do Sul (63 mil toneladas) são os maiores produtores. No total, dez municípios do estado respondem por 47% da produção nacional, reforçando a importância econômica da erva-mate para geração de renda e empregos.
A taxa de crescimento da produção paranaense entre 2023 e 2024 foi de 5,2%, superior à do Rio Grande do Sul (4,6%) e Santa Catarina (2,5%). A extração da erva-mate, concentrada na Região Sul, gerou R$ 522,8 milhões em valor bruto de produção (VBP) em 2024, representando o segundo maior VBP entre produtos não madeireiros.
O tema foi abordado no Boletim Conjuntural da Agropecuária, produzido pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgado nesta quinta-feira (16/10).
Crescimento da suinocultura no Paraná
O boletim também destacou a expansão da suinocultura no estado. No primeiro semestre de 2025, a produção de carne suína alcançou 612,4 mil toneladas, das quais:
- 85% processados em frigoríficos com inspeção federal (SIF)
- 14,3% em estabelecimentos com inspeção estadual (SIP)
- 0,7% em abatedouros municipais (SIM)
Em relação ao mesmo período do ano passado, o Paraná apresentou 12,2% de crescimento absoluto na produção em SIF, atendendo à demanda interna e externa e reforçando o papel dos grandes frigoríficos estaduais na oferta de carne suína.
Produção de codornas e ovos em destaque
O estado também se destaca na produção de codornas domésticas, ocupando a oitava posição nacional com 510.643 aves. Em 2024, o Paraná respondeu por 3,8% do volume nacional de ovos de codorna, totalizando 9,8 milhões de dúzias e VBP de R$ 17,14 milhões, com Apucarana como principal município produtor.
Os ovos de codorna são comercializados tanto “in natura” quanto beneficiados, aumentando o valor agregado e incentivando o crescimento do setor. A carne e os ovos de codorna, reconhecidos pelo alto valor nutricional, contribuíram para o desenvolvimento dessa atividade nos últimos anos.
Olericultura gera trabalho e renda
A olericultura, presente em todos os municípios paranaenses, gerou R$ 7,2 bilhões em VBP, equivalentes a 3,8% da agropecuária estadual. Entre os principais produtos estão batata, tomate e mandioca.
A região de Curitiba concentra 33,3% da produção, seguida por Guarapuava, Ponta Grossa, Apucarana e Jacarezinho, com São José dos Pinhais liderando na produção.
Por exigir mão de obra intensiva, a olericultura tem grande impacto na geração de emprego e renda nas comunidades locais.
Queda nos preços da tilápia e do leite
Segundo o Deral, o preço da tilápia apresentou redução de 4,1% em setembro de 2025, em comparação com o mesmo mês do ano passado, com o quilo do filé atingindo R$ 52,47 no varejo.
O leite também sofreu queda, com o litro comercializado a R$ 2,66, valor 3,5% menor que em setembro de 2024.
Plantio de soja avança com benefícios das chuvas
As chuvas recentes no Paraná beneficiaram as lavouras já plantadas de soja, embora tenham reduzido o ritmo do trabalho no campo. Até a última semana, o plantio da safra 2025/2026 avançou para 39% da área estimada em 5,77 milhões de hectares.
O preço médio da saca de 60 kg fechou a semana em R$ 118, apresentando queda de 9% em relação a outubro de 2024, quando estava em R$ 129,19.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo
Published
14 horas agoon
20 de agosto de 2026By
Da Redação
Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.
O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.
A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.
A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.
A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.
Isan Rezende
INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.
Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.
Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.
O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.
No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.
Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.
Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.
Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.
Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.
Fonte: Pensar Agro
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