AGRONEGÓCIO
Paraná lança censo inédito para mapear perfil dos produtores de agricultura orgânica no estado
Publicado em
22 de dezembro de 2025por
Da Redação
Reconhecido como líder nacional na produção de alimentos orgânicos, com mais de 4.500 agricultores certificados, o Paraná deu início a um censo inédito para mapear o perfil e as características socioeconômicas dos produtores do setor.
A iniciativa foi apresentada nesta semana pela diretoria do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), durante reunião com o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Bona, que conheceu os resultados preliminares do Censo da Agricultura Orgânica no Norte Pioneiro.
O levantamento, financiado pelo Programa Universidade Sem Fronteira, da Seti, e pelo Fundo Paraná, é considerado o primeiro passo para uma pesquisa estadual mais ampla, prevista para 2026.
Estudo piloto revela o perfil dos produtores do Norte Pioneiro
A pesquisa foi coordenada pelo pesquisador Tiago dos Santos Telles, do IDR-Paraná, e contou com o apoio de 40 profissionais, entre extensionistas e bolsistas. A proposta surgiu a partir do desenvolvimento de uma ferramenta de gestão de custos voltada a propriedades orgânicas, quando se identificou a falta de dados específicos sobre o setor no Brasil.
Segundo Telles, “a única fonte disponível era o Censo Agropecuário, mas os dados estavam superestimados”. Assim, o grupo decidiu realizar um levantamento independente, partindo do cadastro nacional de produtores orgânicos (janeiro de 2024). Após filtragens, chegou-se a 776 entrevistados, com nível de confiança de 95% e margem de erro de 2,5%.
Homens acima dos 50 anos são maioria entre produtores orgânicos
O censo traçou um panorama detalhado do perfil dos produtores de orgânicos do Norte Pioneiro. Entre os principais resultados:
- 72% dos responsáveis pela produção são homens, e 28% mulheres;
- 75% vivem na área rural e 24% em áreas urbanas;
- A maioria tem mais de 50 anos, indicando um envelhecimento do campo;
- Em relação à escolaridade, 50% têm ensino fundamental, 29% ensino médio e 20% ensino superior.
O levantamento também coletou informações sobre assistência técnica, linhas de financiamento, custos de produção, mercados acessados, tipos de cultivos, uso de estufas e irrigação, equipamentos agrícolas, manejo de pragas e motivações para a produção orgânica — sendo que 66% dos entrevistados afirmaram produzir orgânicos para proteger a saúde da família.
Expansão estadual do censo será concluída em 2026
Impressionado com os resultados, o secretário Aldo Bona anunciou que o censo será ampliado para todo o Paraná em 2026, com previsão de conclusão até agosto.
O projeto receberá R$ 550 mil da Seti para dobrar o número de bolsistas, enquanto o IDR-Paraná destinará R$ 300 mil adicionais para agilizar o processo. “Queremos deixar esse levantamento como legado para o próximo governo, servindo de base para novas diretrizes de políticas públicas voltadas à produção orgânica”, afirmou Bona.
Produção limpa e sucessão familiar são prioridades
Para o diretor-presidente do IDR-Paraná, Natalino Avance de Souza, o projeto reforça o compromisso do estado com uma produção mais limpa, sustentável e tecnificada, que beneficia tanto a economia quanto a qualidade de vida dos agricultores.
“Esse diagnóstico mostra que o Paraná avança rapidamente em práticas agroecológicas, especialmente no Norte Pioneiro. Expandir esse trabalho para outras regiões, como a metropolitana de Curitiba, será essencial para aprofundar o conhecimento sobre o setor”, destacou Souza.
Ele também ressaltou que o envelhecimento dos produtores é uma das maiores preocupações atuais e que a agricultura orgânica pode ser um caminho para atrair os jovens de volta ao campo.
“Uma produção mais sustentável e rentável contribui para a sucessão familiar e garante o futuro da agricultura paranaense”, concluiu o diretor.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
Published
22 horas agoon
15 de outubro de 2026By
Da Redação
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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