AGRONEGÓCIO

Panorama do café em fevereiro de 2024: Análise mensal do Rabobank destaca exportações recordes e desafios logísticos

Publicado em

O Rabobank divulgou hoje seu relatório mensal de fevereiro, elaborado pelo especialista Guilherme Morya, analista de mercado, destacando importantes movimentações no mercado de café no Brasil. Mesmo diante dos persistentes gargalos logísticos no porto de Santos, o país registrou um recorde de 3,9 milhões de sacas (60kg) exportadas em janeiro, representando um aumento notável de 39% em relação ao mesmo período do ano anterior.

É relevante notar o expressivo crescimento de 504% nas exportações de café conilon/robusta em comparação com janeiro de 2023. Além das limitações globais na oferta de café robusta, a competitividade do conilon brasileiro e os recentes ataques no Mar Vermelho têm impulsionado a demanda por esse tipo de café.

O relatório destaca preocupações futuras relacionadas aos ataques contínuos no Mar Vermelho e à escassez de chuvas na América Central, afetando o fluxo de mercadorias pelo Canal do Panamá. Monitorar esses desenvolvimentos é crucial para avaliar os potenciais impactos no cenário logístico local.

Leia Também:  Gripe aviária representa perigo real de prejuízos para o agronegócio

Em relação à relação de troca em fevereiro, permanece praticamente inalterada em comparação com o mês anterior, exigindo 2,2 sacas (60 kg) de café para comprar uma tonelada de fertilizante (mistura 20-05-20). Entretanto, está 5% menor do que em fevereiro de 2023.

Os preços médios locais do café arábica e conilon subiram 1,7% e 8% em janeiro, respectivamente. Em fevereiro, essa tendência de alta continua, com o café arábica valorizando-se em 2,3% e o conilon em 4,8%. Apesar do suporte recente devido aos baixos estoques certificados, incertezas climáticas, gargalos logísticos e ataques no Mar Vermelho, a expectativa de aumento nos estoques certificados em Nova Iorque e as chuvas recentes no Brasil devem limitar os preços.

Em janeiro, as chuvas aumentaram na maioria das regiões produtoras de café, exceto Guaxupé. Apesar do volume abaixo da média em 5 das 8 áreas, a safra continua favorável para uma boa colheita em 2024. As altas taxas de irrigação para o café conilon reduziram o impacto negativo do período seco em 2023, enquanto as áreas de café arábica mantiveram perspectivas positivas de produção devido à precipitação adequada em 2023. Apesar das chuvas recentes, fevereiro ainda está abaixo da média histórica.

Leia Também:  De borracheiro a atendente: Prefeitura de Cuiabá oferta 553 vagas de trabalho

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Brasil importa 73% das vacinas contra doença fatal no gado

Published

on

O Brasil colocou no mercado 9,98 milhões de doses de vacinas contra clostridioses em agosto, mas quase três em cada quatro vieram do exterior. Os dados mostram que a oferta mensal se manteve próxima de 10 milhões de doses, enquanto a produção nacional perdeu participação e aumentou a dependência das importações para proteger os rebanhos.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), 7,30 milhões de doses disponibilizadas no mês passado foram importadas, o equivalente a 73,16% do total. As fábricas brasileiras forneceram 2,68 milhões de doses, ou 26,84%.

Em julho, haviam sido colocadas no mercado 10,16 milhões de doses, das quais 60,31% eram importadas. Na passagem de um mês para o outro, a oferta total diminuiu 1,7%, mas a produção nacional caiu aproximadamente 34%. As importações cresceram 19% e sustentaram o abastecimento.

O balanço não significa necessariamente que as vacinas chegaram de forma regular a todas as regiões. O número divulgado pelo governo corresponde às doses liberadas para comercialização, e não à quantidade efetivamente vendida, distribuída em cada Estado ou aplicada nos animais.

O acompanhamento mensal começou depois de uma escassez registrada no início do ano. Fabricantes interromperam a produção e a comercialização de imunizantes entre o fim de 2025 e janeiro de 2026, reduzindo a oferta em um mercado já concentrado. Desde então, o governo passou a acelerar a análise de lotes importados e a negociar com as empresas a ampliação da produção.

As clostridioses não são uma única doença. O nome reúne diferentes enfermidades provocadas por bactérias do gênero Clostridium e, principalmente, pelas toxinas produzidas por esses microrganismos. Entre as mais conhecidas estão o botulismo, o carbúnculo sintomático, chamado no campo de manqueira, a gangrena gasosa, a enterotoxemia e o tétano.

Essas bactérias conseguem formar esporos resistentes, que permanecem por longos períodos no solo, na água, em restos de animais e no ambiente das propriedades. Em determinadas condições, os microrganismos se multiplicam ou produzem toxinas que atingem o sistema nervoso, os músculos ou o aparelho digestivo dos animais.

Leia Também:  Alckmin destaca compromisso do governo com o arcabouço fiscal

No botulismo, a toxina provoca paralisia progressiva, dificuldade para caminhar e engolir e, nos casos graves, parada respiratória. A contaminação pode ocorrer pelo consumo de água ou alimento impróprio e pelo contato com restos de animais em pastagens, silagens ou suplementos.

O carbúnculo sintomático atinge principalmente bovinos jovens e bem alimentados. A doença provoca febre, dificuldade de locomoção e inchaço dos músculos. A evolução é muito rápida e a mortalidade pode se aproximar de 100%. Em muitas ocorrências, o animal é encontrado morto antes que o produtor perceba sinais claros.

A enterotoxemia está associada à produção de toxinas no intestino e pode surgir após mudanças bruscas na alimentação, especialmente em sistemas intensivos. O tétano e a gangrena gasosa estão relacionados à contaminação de ferimentos, inclusive aqueles provocados por procedimentos de manejo.

As clostridioses geralmente não se espalham entre os animais da mesma forma que uma virose altamente contagiosa. O risco está na presença dos agentes no ambiente e na dificuldade de tratamento. Como a evolução costuma ser rápida, a vacinação preventiva é considerada a principal forma de controle.

O prejuízo começa com a morte do animal, mas não termina nela. O produtor perde o valor investido em genética, alimentação, medicamentos, mão de obra e tempo de criação. Também pode ter gastos com diagnóstico, descarte da carcaça, atendimento veterinário e revisão do manejo sanitário e nutricional.

Pelos preços atuais, um bezerro vale cerca de R$ 3,4 mil. Um bovino terminado com 18 arrobas pode superar R$ 6,2 mil, considerando a cotação do boi gordo próxima de R$ 347 por arroba. Em confinamentos, a perda inclui ainda toda a alimentação consumida até o momento da morte, o que torna o prejuízo maior conforme o animal se aproxima do abate.

Levantamentos realizados em confinamentos colocam as clostridioses entre as principais causas sanitárias de mortalidade. Em propriedades sem vacinação adequada, surtos de botulismo ou manqueira podem atingir vários animais em poucos dias e comprometer o resultado de um lote inteiro.

Leia Também:  Palmeiras goleia Avaí Kindermann por 4 a 0 e se destaca no Brasileirão feminino em meio a protesto contra assédio no esporte

Não existe uma estimativa oficial consolidada do prejuízo anual provocado por essas doenças em todo o País. O impacto nacional ocorre pela soma das mortes nas propriedades, da menor produção de carne e leite e do aumento das despesas sanitárias. Diferentemente da febre aftosa, as clostridioses não costumam provocar o fechamento generalizado de mercados internacionais, mas reduzem a eficiência econômica da pecuária.

Com um rebanho de aproximadamente 238 milhões de bovinos, além de milhões de ovinos e caprinos que também podem ser imunizados, o Brasil precisa de oferta contínua. Uma única aplicação nem sempre completa a proteção. Animais vacinados pela primeira vez geralmente precisam de dose inicial e reforço, conforme a idade, o produto utilizado e a orientação do médico-veterinário.

Por isso, não é possível comparar diretamente as quase 10 milhões de doses liberadas em agosto com o tamanho total do rebanho e concluir que o volume é suficiente ou insuficiente. A necessidade varia ao longo do ano e depende do histórico de vacinação, da categoria animal e dos riscos presentes em cada propriedade.

A retomada das importações reduziu o risco imediato de falta, mas a queda da produção nacional mantém o setor exposto a atrasos logísticos, oscilações cambiais e problemas nos países fornecedores. O desafio agora é garantir que a oferta permaneça regular e chegue às regiões pecuárias antes de ocorrerem falhas nos calendários de imunização.

O Mapa informou que trabalha com a indústria para ampliar a fabricação no País, viabilizar as importações e acelerar a fiscalização e a liberação dos produtos. Para o produtor, a orientação é não substituir ou adiar o protocolo por conta própria e procurar o médico-veterinário responsável para definir a vacina e o calendário adequados ao rebanho.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA