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Organizações internacionais intensificam campanha pelo direito universal à alimentação saudável

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Cerca de 733 milhões de pessoas em todo o mundo enfrentam a fome, enquanto 2,8 bilhões, mais de um terço da população global, não têm acesso a uma alimentação saudável. Embora o direito à alimentação esteja consagrado internacionalmente, a sua plena implementação ainda está longe de ser alcançada.

O Dia Mundial da Alimentação (DMA), celebrado em 16 de outubro, visa aumentar a conscientização global sobre essa questão urgente e mobilizar esforços da sociedade civil, do setor privado, dos governos e do meio acadêmico para enfrentar essa realidade. Em 2024, a campanha tem como lema “Direito aos alimentos para um futuro e uma vida melhores”.

Essa campanha é promovida em conjunto por diversas instituições de peso: a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Programa Mundial de Alimentos (WFP), o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA). Essas organizações atuam no Brasil e em outros países com foco no desenvolvimento rural e na segurança alimentar.

Jorge Meza, representante da FAO no Brasil, destaca a importância da campanha em promover o acesso universal a alimentos nutritivos, seguros e sustentáveis. “Das mais de 6 mil espécies de plantas alimentares disponíveis, apenas 9 representam dois terços do que consumimos. Precisamos transformar nossos sistemas agroalimentares para garantir a produção de alimentos diversos e saudáveis, sem comprometer o meio ambiente, e torná-los acessíveis a todos”, afirma.

Nesse contexto, Arnoud Hameleers, Diretor-País do FIDA no Brasil, ressalta o papel crucial da transformação rural. “Os investimentos públicos e privados na agricultura familiar ajudam a reduzir a pobreza e a fome no campo, ao mesmo tempo que aumentam a oferta de alimentos nutritivos. Pequenos agricultores, que produzem a maior parte dos alimentos consumidos pelos brasileiros, são essenciais nesse processo. Apoiar sua resiliência e produtividade é fundamental em um cenário de mudanças climáticas”, explica Hameleers.

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Segundo estimativas do IICA, 59 milhões de pessoas vivem na pobreza rural na América Latina e Caribe, apesar de a região ser a maior exportadora líquida de alimentos, capaz de alimentar 1,3 bilhão de pessoas. Gabriel Delgado, representante do IICA no Brasil, defende que a inovação aliada à sustentabilidade é uma solução para essa crise. “Precisamos fortalecer a agricultura familiar e apostar em iniciativas de bioeconomia e mercados sustentáveis. O direito à alimentação só será alcançado se transformarmos nossos sistemas alimentares e criarmos oportunidades econômicas no campo”, ressalta.

Nas áreas urbanas, o consumo de alimentos ultraprocessados, que são frequentemente mais baratos e acessíveis do que produtos frescos, tem gerado um aumento da má nutrição, levando à obesidade e deficiências de micronutrientes. Estima-se que cerca de 2,5 bilhões de adultos e 37 milhões de crianças com menos de cinco anos estejam obesos.

Daniel Balaban, diretor do Centro de Excelência contra a Fome do WFP no Brasil, alerta para as consequências sociais e econômicas da alimentação desequilibrada. “É essencial promover a produção e o consumo de alimentos mais nutritivos e fornecer informações claras sobre escolhas alimentares saudáveis. Programas como a alimentação escolar são vitais para garantir que as crianças desenvolvam bons hábitos alimentares que levarão para a vida adulta”, enfatiza.

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Avanços no Brasil

No Brasil, a campanha pelo Dia Mundial da Alimentação conta com o apoio do governo federal, por meio dos Ministérios do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). O país reforça seu compromisso com a segurança alimentar e o alinhamento com as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), promovidos pelas organizações internacionais.

O Brasil é reconhecido globalmente por seu combate à fome, tendo saído do Mapa da Fome em 2014, graças a programas como o Bolsa Família e o Fome Zero. Contudo, com a pandemia e a interrupção de algumas políticas públicas, o país voltou a figurar nesse mapa em 2021, com 4,2% da população subalimentada. No entanto, a retomada da rede de proteção social reduziu esse número para 3,9% em 2023, e há expectativas de que o índice possa voltar ao patamar abaixo de 2,5%.

A prioridade do governo brasileiro é evidenciada na criação do Plano Brasil Sem Fome e na proposta de uma Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, que será lançada em novembro durante a presidência do G20, no Rio de Janeiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Arroz e feijão chegam ao fim de agosto com oferta menor e preços firmes

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A dupla mais tradicional da mesa brasileira chega ao fim de agosto com um mercado mais apertado. O arroz acumula valorização superior a 16% em um mês, enquanto o feijão mantém preços firmes diante da menor disponibilidade de lotes de boa qualidade. Por enquanto, não há indicação de falta dos dois alimentos, mas a redução da produção nacional limita a oferta e aumenta a importância do comportamento de produtores, indústrias e consumidores nas próximas semanas.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o Brasil colherá cerca de 11,1 milhões de toneladas de arroz na safra 2025/26, após redução de 14% na área plantada. Para o feijão, considerando as três safras cultivadas ao longo do ano, a produção deve ficar próxima de 3 milhões de toneladas, queda de 3,2% em relação ao ciclo anterior.

Mesmo com a redução, os volumes são considerados suficientes para atender o mercado interno. O ponto de atenção está menos no risco de desabastecimento e mais na quantidade de produto efetivamente disponível para negociação e nos preços necessários para que produtores aceitem vender seus estoques.

No arroz, esse movimento já aparece com maior intensidade. O produto em casca no Rio Grande do Sul encerrou quinta-feira (27) cotado a R$ 79,35 por saca de 50 quilos, segundo o Indicador Safras. A alta foi de 1,98% em uma semana e chegou a 16,15% em um mês. Na comparação anual, o avanço é de 15,26%.

A recuperação devolveu parte da remuneração perdida pelos produtores, mas começa a encontrar resistência na outra ponta da cadeia. Depois de um período de compras mais intensas, as indústrias beneficiadoras recompuseram estoques e passaram a negociar com menor urgência.

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O varejo também resiste ao repasse integral das altas ao consumidor. Esse comportamento pode funcionar como um freio para novas valorizações: se supermercados não conseguirem elevar os preços na mesma proporção, a indústria terá menor espaço para pagar mais pela matéria-prima.

Ao mesmo tempo, produtores continuam retendo parte do arroz à espera de melhores preços. Isso significa que existe produto, mas nem todo o estoque está sendo colocado à venda nas condições atuais. A disputa entre a necessidade de compra da indústria e a disposição do produtor para comercializar será determinante para saber se a saca conseguirá permanecer próxima ou acima dos R$ 80.

No feijão, a situação é diferente. A oferta também está limitada, mas os compradores demonstram menos disposição para elevar suas propostas.

O feijão-carioca começou a semana com negociações mais aquecidas, porém perdeu liquidez depois que os empacotadores reforçaram seus estoques. Com menor necessidade imediata de reposição, as empresas passaram a selecionar melhor os lotes e evitar compras antecipadas.

A menor disponibilidade impede, entretanto, uma queda generalizada das cotações. Produtores que possuem feijão de melhor qualidade continuam firmes nas pedidas, principalmente quando não enfrentam necessidade imediata de caixa.

A qualidade passou, inclusive, a aumentar a diferença entre os preços. Em Itapeva (SP), uma das principais referências do mercado, lotes de feijão-carioca de melhor padrão chegaram ao fim da semana cotados a R$ 332,73 por saca. Para produtos classificados entre notas 8 e 8,5, a referência ficou em R$ 309,53.

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Em outras regiões produtoras, as cotações ficaram próximas de R$ 306,67 por saca em Barreiras (BA) e de R$ 305,60 no Sul e Sudoeste de Minas Gerais.

O feijão-preto apresenta um mercado ainda mais acomodado. A entressafra ajuda a sustentar as cotações, mas as vendas permanecem reduzidas. As referências variam de pouco mais de R$ 210 a cerca de R$ 255 por saca, dependendo da região, qualidade e disponibilidade.

Para o produtor de feijão, a próxima rodada de compras dos empacotadores será decisiva. Se várias empresas precisarem recompor estoques simultaneamente enquanto a oferta de produto de boa qualidade continuar curta, haverá espaço para novas altas. Se os compradores permanecerem abastecidos, os preços tendem a continuar sustentados, mas sem grande avanço.

Arroz e feijão chegam, portanto, ao mesmo ponto por caminhos diferentes. No arroz, a valorização já ocorreu e agora encontra resistência da indústria e do varejo. No feijão, a oferta curta sustenta as cotações, mas ainda falta demanda para desencadear uma nova rodada de altas.

Para quem produz, o cenário melhora a capacidade de negociação depois de períodos de preços pressionados. Para quem compra, o sinal é de cautela. E para o consumidor, a evolução do prato mais tradicional do País dependerá de quanto dessa disputa entre produtores, indústrias e varejo chegará às prateleiras nas próximas semanas.

Fonte: Pensar Agro

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