AGRONEGÓCIO
Operação Telefone Sem Fio será retomada em fevereiro com “Dia D” na Isaac Póvoas
Publicado em
23 de janeiro de 2026por
Da Redação
A nova fase da operação “Telefone Sem Fio” será retomada em fevereiro na região central de Cuiabá, em uma ação coordenada pela Energisa MT, com apoio da Prefeitura de Cuiabá, por meio das secretarias de Ordem Pública (Sorp), Planejamento e Desenvolvimento Urbano (SPDU) e Mobilidade Urbana e Segurança Pública (Semob/SegP).
O “Dia D”, que marca o reinício da operação em 2026, está programado para o próximo dia 8 de fevereiro, na Avenida Isaac Póvoas, com início pela região da Prainha. As ações terão continuidade nos finais de semana seguintes, contemplando os calçadões da região central.
“A nova fase, versão 2026, da operação de telefonia sem fio terá início no dia 8 de fevereiro, começando pela região da Avenida Isaac Póvoas. Todas as empresas foram notificadas desde o dia 8 de janeiro. A ação será estendida por mais uma semana e, se necessário, realizada novamente em outro domingo, garantindo o acompanhamento adequado do processo”, destacou Juliana.
A definição do local ocorreu durante reunião realizada nesta quinta-feira (22), na Secretaria Municipal de Ordem Pública (Sorp), com a presença do coordenador de Relacionamento da Energisa, Jorge Sírio, além de sua equipe técnica. No encontro, também foi confirmada a participação do Procon Municipal, que acompanhará as ações para assegurar o respeito aos direitos dos consumidores, especialmente em casos de interrupção de serviços de internet.
O coordenador de Relacionamento da Energisa, Jorge Sírio, avaliou a união de esforços como fundamental para regularização desse cabeamento. “A Energisa está comprometida em fazer esse trabalho, mas precisa que as empresas de telecomunicação façam a sua parte para identificação dos cabos evitando a retirada dos mesmos. Então, para evitar o corte no fornecimento, é importante que a população busque por empresas que estão regularizadas, para garantir muito mais que a estética da cidade, garantir a segurança da população. Esse mutirão vem de encontro com isso, e com o que a Energisa acredita que é vida em primeiro lugar”.
Durante a reunião, também foram discutidas as recentes alterações da Lei Complementar nº 484, com redação dada pela Lei Complementar nº 599/2026, que passaram a prever multas mais severas à concessionária, além da adoção de um procedimento fiscalizatório mais simples, ágil e com uso de tecnologia. Entre as medidas previstas, a norma determina que a distribuidora de energia elétrica encaminhe, mensalmente, à Secretaria Municipal de Ordem Pública, um cronograma atualizado das ações de retirada e ordenamento da fiação.
As alterações na legislação são resultado de um trabalho conjunto entre a Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria de Ordem Pública e a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Cabos e Fios Abandonados, da Câmara Municipal de Cuiabá. Em setembro de 2025, o relatório final da CPI apontou que a concessionária Energisa, responsável pela energia elétrica e proprietária dos postes na capital, aluga o espaço para empresas de telefonia, TV a cabo e internet, mas não realiza a devida fiscalização, permitindo o acúmulo desordenado de fios. O documento recomendou, ainda, a revisão da legislação para fortalecer o poder de fiscalização do município.
Já em novembro de 2025, foi deflagrada a primeira fase da operação “Telefone Sem Fio”, que resultou na retirada de uma tonelada de cabos abandonados dos postes da Avenida das Palmeiras, no bairro Recanto dos Pássaros. A via foi escolhida por liderar o ranking de ocorrências envolvendo fios soltos ou emaranhados, conforme levantamento e indicações dos vereadores.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
AGRONEGÓCIO
Safra recorde já não basta para garantir rentabilidade ao produtor
Published
49 minutos agoon
20 de setembro de 2026By
Da Redação
A perspectiva de uma nova safra recorde encontra o produtor brasileiro diante de um desafio que cresce na mesma proporção da produção: financiar uma atividade mais tecnológica, mecanizada e intensiva em capital, num ambiente de juros elevados, margens menores e bancos mais seletivos. O avanço do crédito privado amplia as alternativas disponíveis, mas também exige profissionalização da gestão e uma análise mais rigorosa sobre o retorno proporcionado pelo patrimônio investido.
Dados do Banco Central (BC), compilados por entidades do setor, mostram que 23,5% da carteira ativa de crédito rural apresentava algum nível de problema em julho de 2026. Eram R$ 207,5 bilhões em operações inadimplentes, atrasadas, renegociadas ou prorrogadas. O indicador não representa apenas parcelas vencidas, mas revela o aumento do estresse financeiro acumulado depois de safras afetadas pelo clima, custos elevados e preços menos favoráveis.
Ao mesmo tempo, o financiamento bancário tradicional perdeu força. Em 12 meses, o volume de crédito rural concedido sem considerar instrumentos do mercado de capitais recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. A área atendida pelas linhas convencionais de custeio caiu quase 26%, de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares.
Esse espaço vem sendo ocupado gradualmente por cooperativas, tradings, fornecedores de insumos, fundos de investimento e emissões no mercado de capitais. O estoque dos instrumentos privados de financiamento do agronegócio alcançou R$ 1,34 trilhão em julho, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Somente as Cédulas de Produto Rural (CPRs) somavam R$ 580,8 bilhões, distribuídos em aproximadamente 372 mil títulos.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a diversificação das fontes de recursos é necessária, mas não pode ser confundida com crédito fácil ou capacidade ilimitada de endividamento.
“O crédito privado será cada vez mais importante para complementar o Plano Safra e o financiamento bancário. O produtor, porém, precisa avaliar o custo efetivo, o prazo, as garantias exigidas e a compatibilidade das parcelas com o fluxo de caixa da propriedade. Trocar uma dívida por outra mais cara, sem corrigir a origem do desequilíbrio, apenas transfere o problema para a safra seguinte”, afirma.
A necessidade de capital aumentou com a transformação da agropecuária brasileira. Produzir em escala passou a exigir máquinas de maior capacidade, agricultura de precisão, armazenagem, irrigação, conectividade, sistemas de gestão, insumos tecnológicos e equipes especializadas. A valorização das terras também elevou o volume de patrimônio imobilizado nas operações.
Essa evolução permitiu ganhos de produtividade e consolidou o Brasil entre os maiores fornecedores mundiais de alimentos, fibras e energia. Mas também tornou as propriedades mais sensíveis ao custo do dinheiro. Quando os juros aumentam e as margens recuam, uma atividade pode apresentar lucro contábil e, ainda assim, não remunerar adequadamente todo o capital empregado.
É nesse ponto que ganha importância o conceito de Valor Econômico Agregado, conhecido pela sigla EVA. O indicador calcula o resultado operacional do negócio depois de descontado o custo de todo o capital utilizado, inclusive recursos próprios, terras quitadas, máquinas e demais ativos.
Uma propriedade pode encerrar o ciclo com resultado positivo no balanço, mas destruir valor se o retorno obtido ficar abaixo do que aquele patrimônio poderia render em uma alternativa de menor risco. A terra própria, por exemplo, não deixa de ter custo econômico porque está quitada. Ela representa capital que poderia ser arrendado, vendido ou aplicado em outro investimento.
“O produtor sempre acompanhou produtividade, custo por hectare e preço de venda. Esses indicadores continuam fundamentais, mas já não são suficientes para medir a saúde econômica do negócio. Também é necessário saber se o resultado remunera a terra, as máquinas, o capital de giro e o risco assumido durante a safra”, diz Rezende.
A aplicação dessa análise não significa abandonar investimentos ou reduzir a produção. O objetivo é identificar quais atividades, áreas e estruturas realmente geram retorno. A avaliação pode mostrar que determinado talhão produz bem, mas possui custo elevado; que uma máquina permanece ociosa; ou que o arrendamento oferece resultado melhor do que a compra de terras financiada.
O mesmo raciocínio vale para a contratação de crédito. Recursos obtidos a juros superiores ao retorno esperado pela atividade diminuem o valor econômico da propriedade, mesmo quando ajudam a ampliar o faturamento. Por isso, crescimento de receita, aumento de área e recorde de produção não significam necessariamente fortalecimento financeiro.
A busca por recursos privados também coloca a governança no centro das negociações. Instituições financeiras e investidores analisam demonstrações contábeis, histórico de produção, previsibilidade de caixa, endividamento, garantias, regularidade ambiental e fundiária, contratos e capacidade de gestão. Quanto maior a qualidade dessas informações, maior tende a ser a possibilidade de acessar diferentes fontes e negociar condições melhores.
“Governança deixou de ser uma preocupação exclusiva das grandes empresas. O produtor que conhece seus números, separa as contas da família e da propriedade, mantém documentos regulares e apresenta informações confiáveis reduz a percepção de risco. Isso melhora sua posição diante dos financiadores e permite comparar propostas sem decidir apenas pela disponibilidade imediata do dinheiro”, acrescenta Rezende.
O modelo de financiamento do agronegócio tende a permanecer híbrido. Crédito rural, recursos obrigatórios, cooperativas, tradings, fornecedores, fundos e mercado de capitais continuarão convivendo, cada um com custos, prazos e riscos diferentes. O desafio será combinar essas fontes sem comprometer parcelas excessivas da produção futura ou oferecer garantias incompatíveis com o valor da operação.
A safra recorde continua sendo uma demonstração da capacidade produtiva brasileira. Para que esse desempenho se transforme em renda, entretanto, o produtor precisará acompanhar não apenas quantas toneladas colhe, mas quanto valor permanece depois de remunerados todos os recursos utilizados. Em uma agricultura intensiva em capital, produzir mais é importante; produzir com retorno econômico tornou-se decisivo.
Fonte: Pensar Agro
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