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Oferta elevada pressiona mercado e preços do boi gordo recuam no Brasil

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O mercado brasileiro de boi gordo registrou queda nos preços nesta semana, conforme já era esperado diante do aumento na oferta de animais para o abate ao longo de maio. Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, a tendência é de que os preços continuem em queda no curto prazo, com os frigoríficos bem posicionados em suas escalas de abate.

Mercado atento à Influenza Aviária no Rio Grande do Sul

O setor acompanhou com atenção os desdobramentos do caso de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade identificado em uma granja comercial em Montenegro (RS). Apesar da apreensão inicial, Iglesias ressalta que os protocolos sanitários estão sendo seguidos rigorosamente, o que deve permitir a retomada das exportações de carne de frango entre 28 e 60 dias, conforme os prazos estabelecidos internacionalmente.

Cotações da arroba do boi em queda nas principais praças

Confira os preços da arroba do boi gordo na modalidade a prazo, registrados em 22 de maio:

  • São Paulo (Capital): R$ 300,00 – queda de 1,64% em relação aos R$ 305,00 da semana anterior
  • Goiás (Goiânia): R$ 290,00 – recuo de 1,69% frente aos R$ 295,00
  • Minas Gerais (Uberaba): R$ 290,00 – redução de 1,69% comparado aos R$ 295,00
  • Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 300,00 – preço estável
  • Mato Grosso (Cuiabá): R$ 300,00 – sem alteração
  • Rondônia (Vilhena): R$ 265,00 – queda de 1,85% ante os R$ 270,00 da semana anterior
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Varejo sente impacto com recuos no atacado

O mercado atacadista também registrou baixa nos preços durante a semana. De acordo com Iglesias, o consumo mais contido na segunda metade do mês contribui para uma reposição mais lenta entre o atacado e o varejo. “A preferência do consumidor por proteínas mais acessíveis é uma realidade em 2025”, afirma o analista.

Os preços dos cortes também caíram:

  • Quarto traseiro do boi: R$ 23,90/kg – queda de 4,40% frente aos R$ 25,00 da semana passada
  • Quarto dianteiro do boi: R$ 19,00/kg – recuo de 5,00% em relação aos R$ 20,00 anteriores
Exportações crescem em volume e valor

As exportações brasileiras de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada somaram US$ 629,279 milhões em maio (nos primeiros 11 dias úteis), com uma média diária de US$ 57,207 milhões. O país embarcou 123,005 mil toneladas, com média diária de 11,182 mil toneladas, e preço médio por tonelada de US$ 5.115,90.

Na comparação com maio de 2024, os resultados indicam:

  • Alta de 25,9% no valor médio diário exportado
  • Crescimento de 10,8% no volume médio diário embarcado
  • Avanço de 13,6% no preço médio da tonelada
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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

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O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

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Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

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O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

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