AGRONEGÓCIO

O que esperar para o diesel nos próximos meses? Confira análise da hEDGEpoint

Publicado em

Alguns eventos podem amenizar esse cenário baixista, como a recuperação da atividade manufatureira nas principais regiões do mundo e uma política monetária menos restritiva, com possibilidade de corte de juros pelo Fed em junho.

Contudo, não se pode ignorar que os ataques de drones ucranianos em refinarias russas estão aumentando os riscos em algum nível de ocorrer um menor abastecimento proveniente dos portos do Mar Negro e do Báltico.

Os destilados médios são produtos derivados do petróleo e possuem uma das maiores correlações como desempenho industrial dos países. Quando a atividade de manufatura está em expansão, o consumo de diesel tende a aumentar.

“Por esse motivo, nos últimos meses temos observado um dos períodos mais desafiadores para o heating oil, contrato futuro de referência para os destilados médios, que registrou modestos ganhos de 2,76% em 2024 (+US$0,07) por galão”, explica Vistor Arduin, analista de Energia e Macroeconomia da hEDGEpoint Global Markets.

Apesar dos riscos bastante significativos do lado da oferta, com destaque para os estoques em níveis historicamente baixos nos EUA, totalizando 117 milhões de barris conforme relatório da EIA na semana passada, a falta de demanda tem mantido uma pressão baixista sobre os futuros do heating oil.

“O fim do inverno é mais um fator que corrobora para uma visão menos otimista para uma futura apreciação dessa commodity. No entanto, eventos recentes estão trazendo um cenário menos baixista, e nosso relatório se debruçará sobre esses dados”, comenta.

Sinais de recuperação do consumo de diesel começam a surgir

Os futuros do heating oil têm encontrado pouco espaço para apreciação nas últimas semanas, encerrando o mês de março com perdas de -2,54% (US$ 0,068/gal) em meio ao fim do inverno e a uma recuperação lenta e gradual da demanda por diesel globalmente.

Leia Também:  Hedgepoint: Clima e estoques certificados mantêm mercado de café volátil

De acordo com o analista, “a diferença entre os contratos futuros de maio e outubro estão muito próximos de zero, indicando que o mercado não está muito otimista pelo crescimento no consumo de diesel e outros destilados médios nas próximas semanas. De fato, o consumo parece ser o fator chave para destravar um cenário mais altista para heating oil, uma vez que os estoques de destilados médios seguem baixos nos EUA, aproximadamente 6% abaixo da média de 5 anos”.

É difícil prever quando o consumo de destilados médios aumentará significativamente, mas alguns sinais começam a surgir e pavimentar um caminho para valorização do heating oil.

“Os PMIs de manufatura dos EUA e da China começaram a se recuperar, conforme dados do ISM, superando a marca de 50, o que indica expansão do setor. Além disso, uma política monetária menos restritiva pelo Fed, devido aos cortes nos juros este ano, deverá dar fôlego para o setor, que é bastante intensivo no consumo de diesel e outros derivados do petróleo”, destaca.

A produção de diesel russa está em risco

“Outros riscos estão se acumulando em torno do heating oil, e talvez um dos mais significativos esteja na Rússia. Estimativas da Reuters apontam que aproximadamente 14%, ou cerca de 900 mil barris por dia, foram afetados devido aos ataques de drones ucranianos contra as refinarias do país. As autoridades do Kremlin negam que haverá uma proibição das exportações de diesel do país”, pontua.

Victor pondera, contudo, que “dados mostram uma redução no fluxo de carga saindo dos portos do Báltico e do Mar Negro em mais de 500 mil barris por dia, um dos níveis mais baixos dos últimos 5 meses. Dado esse contexto, podemos traçar dois possíveis cenários para o heating oil nos próximos meses”.

Leia Também:  Governo vai pagar dois meses de salários mínimos a trabalhadores do RS

Um cenário neutro, no qual a recuperação do consumo de destilados médios será lenta e gradual, mas com as cotações apoiadas pelos baixos estoques dos EUA e o barril de WTI acima dos US$ 80,00, devido aos prêmios geopolíticos.

Outra possibilidade é um mercado mais apertado do que o previsto, com desafios de suprimento vindos da Rússia em meio a um processo eleitoral na maior economia do mundo, o que traz incertezas sobre se os EUA poderão preencher a lacuna deixada por Moscou no abastecimento mundial.

“Por enquanto, o mercado tem reagido ao primeiro cenário, que é o mais provável, mas os riscos crescentes devido aos danos das refinarias russas não devem ser ignorados e podem refletir nos preços no futuro”, conclui.

Até agora, os preços do heating oil têm refletido fundamentos baixistas devido à baixa demanda com o fim do inverno no hemisfério norte e a recuperação lenta e gradual na atividade de manufatura. Neste sentido, um ambiente de juros menos restritivos deverá ajudar o consumo de destilados médios.

Contudo, não se pode ignorar que alguns riscos estão crescendo em relação ao suprimento e podem pressionar os preços nas próximas semanas. Os danos à infraestrutura energética da Rússia devido aos ataques dos drones ucranianos deverão ter algum impacto no mercado.

Caso ocorra uma proibição às exportações, como aconteceu no ano passado, devemos assistir um cenário mais altista para essa commodity. Ainda, os estoques de destilados médios nos EUA estão bastante baixos, o que dá menos espaço para absorção de um choque de oferta muito brusco.

Fonte: hEDGEpoint Global Markets

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Crédito para silos terá juros de 8% em país com gargalo crescente

Published

on

Produtores e cooperativas que pretendem construir, ampliar ou modernizar armazéns já conhecem as condições do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) para o ano agrícola 2026/27. O crédito, porém, ainda não pode ser contratado: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informa que a data de abertura dos pedidos será comunicada posteriormente às instituições financeiras.

Projetos de armazenagem de grãos com capacidade de até 12 mil toneladas terão taxa prefixada de até 8% ao ano. Nos demais empreendimentos enquadrados no programa, os juros poderão chegar a 9,5% ao ano.

O limite é de R$ 50 milhões por produtor e por ano agrícola para armazenagem de grãos. Para cooperativas de produção, o teto sobe para R$ 200 milhões. Nos projetos destinados a outros produtos financiáveis, o máximo é de R$ 25 milhões. A participação do BNDES pode alcançar 100% dos itens aprovados.

O prazo de pagamento será de até dez anos, com carência máxima de dois anos. As garantias serão negociadas entre o interessado e a instituição financeira credenciada. O programa ficará vigente até 30 de junho de 2027.

Além dos grãos, o PCA permite financiar armazéns e câmaras frias destinados a frutas, tubérculos, bulbos, hortaliças, fibras, açúcar e determinados derivados. Também podem ser apoiadas reformas, ampliações e modernizações, desde que os equipamentos atendam aos critérios estabelecidos pelo banco.

As novas condições são divulgadas em um momento de pressão crescente sobre a infraestrutura. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção brasileira de grãos da safra 2025/26 em 360,8 milhões de toneladas. Já a capacidade útil de armazenagem alcançou 233,8 milhões de toneladas no segundo semestre de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Leia Também:  Confira como estão as obras dos quatro novos Hospitais Regionais de Mato Grosso

A diferença entre os dois números, contudo, não representa automaticamente o déficit nacional. A produção ocorre ao longo de diferentes safras, e uma mesma estrutura pode receber e expedir mais de um lote durante o ano. Parte dos grãos também segue diretamente para indústrias, portos e consumidores. Ainda assim, a distância entre o crescimento das colheitas e a expansão dos armazéns revela um gargalo estrutural.

Entre 2010 e 2025, a capacidade estática brasileira cresceu, em média, 2,8% ao ano, enquanto a produção avançou 5% ao ano, segundo levantamento do Observatório Nacional de Transporte e Logística, ligado à Infra S.A. Com base na produção de 2023/24, o estudo calculou um déficit potencial de 88,5 milhões de toneladas.

A situação varia fortemente entre as regiões. Naquele levantamento, o Sudeste apresentava capacidade equivalente a 126,8% da produção regional, beneficiado principalmente pela estrutura existente em São Paulo. O Sul atingia 88,2%. No Centro-Oeste, principal região produtora do país, a proporção caía para 57,9%. Nordeste e Norte apresentavam os menores índices, de 54,2% e 45%, respectivamente.

Leia Também:  Em alta nos dois últimos meses, desempenho do suíno vivo continua sendo o melhor

Mato Grosso mostra com clareza essa contradição. O Estado possui a maior capacidade instalada do Brasil, com 64,2 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do IBGE. Mesmo assim, por liderar a produção nacional de soja e milho, apresentou no estudo da Infra S.A. a maior necessidade absoluta de armazenagem, estimada em aproximadamente 40,9 milhões de toneladas.

Goiás aparecia com carência próxima de 13 milhões de toneladas. Bahia, Maranhão, Tocantins e Piauí também estavam entre os pontos de maior pressão, refletindo o crescimento da produção em áreas nas quais a infraestrutura não avançou na mesma velocidade. No Sul, apesar da situação comparativamente melhor, Paraná e Rio Grande do Sul ainda registravam insuficiência de capacidade.

Para o produtor, o silo próprio pode reduzir a dependência de armazéns de terceiros, evitar filas durante a colheita e permitir que a venda seja feita em um momento mais favorável. A estrutura também pode diminuir gastos com transporte emergencial e perdas de qualidade.

A decisão exige, porém, um cálculo que vá além da taxa de juros. Construção, secagem, energia, manutenção, seguro, mão de obra, licenciamento e capacidade de utilização ao longo do ano interferem no retorno do investimento. Com as condições já divulgadas, o próximo passo será a abertura efetiva das contratações pelo BNDES.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA