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O Crescimento do Cultivo de Gergelim no Brasil: Oportunidades e Desafios

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O cultivo de gergelim no Brasil tem mostrado um crescimento expressivo, com destaque para a safra de 2023/24, quando a área plantada aumentou em 83%, passando de 361 mil para 660 mil hectares. Esse crescimento reflete o crescente interesse dos produtores pelo grão, que se apresenta como uma opção viável devido aos baixos custos de produção e a boa rentabilidade quando comparado ao milho safrinha. No entanto, o mercado de gergelim ainda enfrenta desafios relacionados à produtividade, à mecanização da colheita e à concentração de compradores. O relatório da Consultoria Agro do Itaú BBA analisa as oportunidades e os riscos que envolvem o desenvolvimento desta cultura no Brasil.

Expansão da Área Plantada e Oportunidades de Mercado

A expansão do cultivo de gergelim no Brasil é evidente. De 2023 a 2024, a área cultivada saltou em 83%, uma das maiores expansões agrícolas do país, atrás apenas da soja. O aumento da produção também foi notável, com crescimento de 107%, alcançando 361 mil toneladas. A cultura tem atraído produtores pela sua viabilidade econômica, especialmente em anos nos quais o milho safrinha sofre com perdas devido à janela de plantio prejudicada.

A maior parte da produção de gergelim no Brasil está concentrada na 2ª safra, após a soja, mas também há cultivos durante o ano inteiro ou exclusivamente na safra de verão. Estados como Mato Grosso, Pará e Tocantins são agora importantes centros de produção, além do Mato Grosso, que tradicionalmente dominava o cultivo.

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Baixa Produtividade e Desafios Tecnológicos

Apesar do crescimento da área plantada, a produtividade média do gergelim no Brasil ainda é considerada baixa, com grandes perdas durante a colheita devido à deiscência das vagens, que fazem as sementes caírem antes da colheita. Além disso, a falta de mecanização específica e a escassez de tecnologias adequadas dificultam o aumento da produtividade. A pesquisa e o melhoramento genético das sementes, especialmente para as variedades indeiscentes, são fundamentais para aumentar a rentabilidade e atender a mercados mais exigentes.

Mercado Externo e Exportações

A crescente demanda internacional tem impulsionado as exportações de gergelim brasileiro. Em 2023, o Brasil exportou 42% de sua produção, com a Índia se tornando o principal destino, absorvendo 38% das exportações. O aumento das exportações é resultado da expansão da área plantada e da crescente aceitação do gergelim brasileiro em mercados internacionais.

O mercado chinês, o maior importador global, representa uma grande oportunidade para o Brasil, que atualmente está negociando o acesso a esse mercado. A China foi responsável por 49% das importações globais em 2022 e tem mostrado um crescimento expressivo na demanda. Caso o Brasil consiga negociar a entrada no mercado chinês, isso pode ampliar significativamente as perspectivas de crescimento para o setor de gergelim.

Custos de Produção e Rentabilidade

O baixo custo de produção e a boa rentabilidade do gergelim são fatores que tornam essa cultura atraente, especialmente quando comparada ao milho 2ª safra. No entanto, à medida que a área cultivada aumenta, os preços pagos aos produtores têm caído, o que pode impactar a rentabilidade de alguns agricultores. A expansão da produção, sem o correspondente aumento da demanda, pode pressionar os preços para baixo. A falta de contratos de comercialização também deixa os produtores expostos à volatilidade do mercado.

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Perspectivas para a Safra 2024/25

Para a safra de 2024/25, a expectativa é de estabilidade na área plantada, com 659,9 mil hectares, mas uma queda na produtividade média, estimada em 510 kg/ha, o que representaria uma redução de quase 25 mil toneladas na produção. A evolução da produtividade dependerá de fatores climáticos, da demanda por milho 2ª safra e dos preços dos grãos, que podem influenciar as decisões de plantio.

Considerações Finais

O cultivo de gergelim no Brasil apresenta um grande potencial, especialmente com o aumento das exportações e a busca por alternativas rentáveis ao milho 2ª safra. No entanto, a baixa produtividade, a falta de mecanização e a concentração de compradores são desafios que precisam ser superados. O mercado chinês surge como uma oportunidade estratégica para o crescimento da cultura no país, mas o Brasil ainda precisa conquistar o acesso a esse mercado crucial.

Enquanto isso, o melhoramento genético das variedades e o avanço nas tecnologias de produção serão essenciais para aumentar a competitividade do gergelim brasileiro, especialmente frente aos mercados mais exigentes.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Reino Unido amplia pressão e setor do agro brasileiro reage a novas restrições à carne

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O agronegócio brasileiro enfrenta um novo cenário de pressão no comércio internacional após a decisão da União Europeia (UE) de suspender, a partir de setembro, as exportações de carne brasileira, somada ao anúncio de que o Reino Unido também avalia impor restrições adicionais ao produto nacional.

O movimento conjunto dos mercados mais exigentes do mundo acende um alerta no setor pecuário e reforça a necessidade de adequação às regras sanitárias internacionais, especialmente no que se refere à rastreabilidade, uso de antimicrobianos e comprovação de conformidade produtiva.

Pressão internacional exige maior comprovação sanitária do Brasil

Especialistas avaliam que o principal desafio do Brasil não está apenas no cumprimento formal das normas, mas na capacidade de demonstrar, de forma auditável e contínua, que toda a cadeia produtiva atende aos padrões exigidos por mercados como o europeu e o britânico.

De acordo com a coordenadora de contratos e agronegócios do CSA Advogados, Ieda Queiroz, a União Europeia adota critérios rigorosos baseados em evidências verificáveis.

“A UE não trabalha com presunção de conformidade; ela exige evidências. Sem demonstrar, de forma verificável, o uso adequado de antimicrobianos e a rastreabilidade animal, o impacto será duradouro — e afeta a credibilidade global do país”, afirma.

A especialista ressalta que o avanço das restrições britânicas reforça que o tema não é pontual, mas sistêmico dentro do comércio internacional de proteínas animais.

“Quando outro mercado de alta exigência sanitária sinaliza restrições, fica claro que a governança sanitária brasileira está sob escrutínio internacional”, acrescenta.

MAPA articula resposta técnica para evitar ampliação das restrições

Diante do cenário, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) trabalha na consolidação de relatórios técnicos para responder às exigências das autoridades europeias e buscar a reversão das medidas anunciadas.

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A estratégia do governo envolve a apresentação de dados sobre controle sanitário, práticas de produção e sistemas de fiscalização adotados no país.

No entanto, especialistas destacam que a reabertura ou manutenção de mercados dependerá diretamente da capacidade de comprovação prática de conformidade ao longo de toda a cadeia produtiva da carne bovina.

Rastreamento e uso de antibióticos seguem no centro do debate

Embora o Brasil possua regulamentação que proíbe o uso de antibióticos como promotores de crescimento na pecuária, esse fator, isoladamente, não é suficiente para atender às exigências dos mercados europeu e britânico.

As autoridades internacionais também demandam rastreabilidade individual dos animais, auditorias independentes e documentação completa de todas as etapas do processo produtivo, desde a origem até o abate e processamento.

Segundo especialistas, a diferença entre a legislação vigente e a implementação prática desses controles ainda representa um dos principais entraves para o acesso pleno a mercados mais rigorosos.

“A distância entre norma e prática ainda é grande”, avalia Ieda Queiroz.

Competitividade da carne brasileira pode ser impactada

O aumento das exigências internacionais ocorre em um momento em que o Brasil ocupa posição de destaque no comércio global de proteínas animais, com forte participação em mercados da Ásia, Oriente Médio e Europa.

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No entanto, a ampliação das barreiras sanitárias pode impactar diretamente a competitividade do setor, caso o país não consiga comprovar com robustez a conformidade de seus sistemas produtivos.

Especialistas alertam que a manutenção e expansão da presença brasileira no mercado internacional dependerá cada vez mais de transparência, rastreabilidade e alinhamento com padrões globais de governança sanitária.

Setor agropecuário entra em fase de adaptação e resposta

O cenário reforça a necessidade de adaptação estrutural do setor agropecuário brasileiro, especialmente na pecuária de corte, que depende fortemente do mercado externo.

A tendência é de maior pressão por sistemas integrados de controle, digitalização de processos e fortalecimento de auditorias independentes, com foco na comprovação de origem e conformidade sanitária.

Com a União Europeia avançando em restrições e o Reino Unido sinalizando medidas semelhantes, o Brasil enfrenta um momento decisivo para consolidar sua reputação como fornecedor global de carne dentro dos padrões exigidos pelos mercados mais rigorosos do mundo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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