AGRONEGÓCIO
O agronegócio e o inbound marketing: uma combinação perfeita
Publicado em
8 de fevereiro de 2024por
Da RedaçãoO agronegócio é um dos setores mais importantes para a economia brasileira, mas até ele sofreu com a crise econômica dos últimos anos. Um dos caminhos tomados para a retomada foi o uso do marketing digital, que, apesar da resistência por conta do conservadorismo de profissionais da área, tem tido resultados interessantes.
Segundo uma publicação feita em fevereiro de 2023 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), janeiro do mesmo ano bateu recorde de US$ 10,22 bilhões, o que representa uma alta de 16,4%, em comparação com 2022.
Um dos grandes fatores que impulsionaram esse aumento foi o investimento em inbound marketing dentro do agronegócio. Esse tipo de estratégia consiste em criar e compartilhar conteúdos voltados para um público-alvo específico.
No caso do agronegócio, esse é um tipo de ferramenta poderosa para impulsionar a recompra de produtos e serviços, focada na criação e distribuição de conteúdos relevantes para o setor.
Isso possibilita que as marcas tenham mais visibilidade, o que atrai um tráfego mais qualificado, e representa uma melhora no relacionamento com o cliente de maneira totalmente online, independentemente de onde ele estiver.
O desafio na agricultura
O grande problema da implementação desse tipo de ferramenta dentro do agronegócio é a resistência dos agricultores. Por se tratar de um setor altamente conservador, novas tecnologias são consideradas desnecessárias, afinal de contas, ainda se tem o pensamento de que o produto se vende sozinho, o que não é bem verdade.
Segundo o head do setor de inbound da BSALES, Edson Laudelino, em entrevista à imprensa, uma estratégia de marketing bem elaborada para o agronegócio possibilita o destaque da importância da agricultura e da pecuária para o desenvolvimento econômico brasileiro.
“Através do marketing, podemos promover os produtos agrícolas brasileiros no mercado global, destacando sua qualidade superior e práticas sustentáveis. Isso não só aumenta a visibilidade e a demanda pelos produtos brasileiros, mas também reforça a posição do Brasil como um líder global no setor de agronegócio”, aponta Laudelino.
Como isso pode ser feito?
O inbound marketing tem como estratégia produzir conteúdos que sejam agregadores de valor. Materiais informativos e relevantes para outros agricultores e empresas do setor ajudam na conexão até mesmo com os clientes.
Por conta disso, esse é um setor que tem crescido bastante dentro do agronegócio. Profissionais que se formam em cursos de marketing, como o da Estácio, têm grandes chances de conseguir um emprego na área.
“Artigos, vídeos e infográficos sobre inovações tecnológicas, técnicas de cultivo sustentável e tendências do mercado, por exemplo, são ferramentas poderosas para atrair clientes que buscam soluções eficazes e inovadoras. Além disso, ao estabelecer um diálogo contínuo com o público, através de blogs, newsletters e mídias sociais, o inbound marketing ajuda a criar uma comunidade engajada em torno da marca”, conclui Laudelino.
Fonte: Conversion + Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Estudo da USP aponta 17 pontos que encarecem o frete e entidades do agro cobram mudanças
Published
18 horas agoon
5 de setembro de 2026By
Da Redação
Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) deu força à pressão da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete. O levantamento identificou 17 pontos que podem estar elevando artificialmente os valores, sobretudo no transporte de grãos em trajetos curtos e nas operações de maior produtividade.
As conclusões foram apresentadas durante o processo de revisão da regulamentação conduzido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A FPA e entidades do setor produtivo querem que a agência utilize os custos efetivamente observados nas estradas brasileiras, em vez de parâmetros que, segundo o estudo, já não representam a realidade da frota e das transportadoras.
O trabalho foi elaborado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-Log), ligada à USP. Os pesquisadores analisaram jornada de trabalho, consumo de combustível, idade dos caminhões, quantidade de eixos, retorno vazio, depreciação dos veículos e produtividade das operações.
Uma das principais distorções estaria no número de horas trabalhadas. A metodologia atual considera uma utilização mensal de 181 horas para calcular quanto os custos fixos representam em cada viagem. Para os pesquisadores, esse parâmetro indica uma subutilização do caminhão e do tempo legalmente disponível do motorista.
A proposta é elevar a referência para 220 horas mensais. Com mais horas de utilização, despesas como depreciação, remuneração do capital e salário do motorista seriam distribuídas por um número maior de viagens, reduzindo o custo atribuído a cada quilômetro rodado.
Apenas essa alteração poderia diminuir em 7,6%, na média, os valores calculados para o piso. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância percorrida e da configuração do caminhão.
Em uma operação com piso de R$ 10 mil, uma diferença de 11% representa aproximadamente R$ 1,1 mil por viagem. Para uma empresa, cooperativa ou produtor que contrate cem viagens durante a colheita, o custo adicional pode superar R$ 110 mil.
O impacto é ainda maior nas regiões afastadas dos portos. Como soja, milho, algodão e outras commodities percorrem centenas ou milhares de quilômetros até os terminais de exportação, o frete interfere diretamente no valor recebido pelo produtor. Quanto maior o custo logístico, menor tende a ser o preço pago pela produção na origem.
O estudo também questiona a vida econômica de sete anos utilizada pela tabela para calcular a depreciação dos caminhões. Dados da própria ANTT mostram que os veículos de tração em circulação no país possuem idade média de 16,4 anos.
Na avaliação dos pesquisadores, utilizar um período muito menor concentra a perda de valor do veículo em poucos anos e eleva o custo de cada viagem. A adoção de uma referência de 16 anos poderia reduzir entre 6% e 10% o valor calculado para o transporte de grãos, conforme o percurso e o tipo de composição veicular.
A FPA pretende usar esses resultados para pressionar pela adoção do custo operacional efetivo como base da nova regulamentação. O argumento é que a tabela precisa garantir a remuneração do transportador, mas não pode incluir despesas teóricas ou superestimadas que encareçam artificialmente a movimentação da produção brasileira.
Entidades do setor encaminharam à ANTT 15 contribuições. Entre elas estão a retirada de componentes que não representem desembolso efetivo, a criação de regras específicas para operações de alto desempenho e um tratamento mais preciso para viagens com retorno vazio.
A proposta busca diferenciar situações que atualmente acabam submetidas a parâmetros semelhantes. Um caminhoneiro autônomo que percorre longa distância e retorna sem carga enfrenta custos diferentes de uma transportadora com contratos recorrentes, frota mais produtiva e carga garantida nos dois sentidos.
A pressão da bancada também alcança a Lei 15.485/2026, que ampliou a fiscalização sobre o piso mínimo e estabeleceu prazo máximo de 30 dias úteis para o pagamento do frete. A FPA participou da negociação do texto aprovado pelo Congresso, mas critica os vetos feitos pela Presidência da República.
Os parlamentares defendem a recuperação de dispositivos que, segundo a bancada, foram construídos para equilibrar a proteção aos caminhoneiros e os custos suportados pelo setor produtivo. Os vetos ainda precisam ser analisados pelo Congresso.
A nova legislação tornou obrigatório o registro da operação no Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e endureceu as punições para contratações abaixo do piso. Em caso de reincidência, a multa pode chegar a R$ 1 milhão, além de outras sanções administrativas.
Para a FPA, reforçar a fiscalização sem corrigir previamente as distorções da metodologia pode obrigar produtores e empresas a cumprir valores superiores ao custo real do transporte. A bancada quer que a revisão da ANTT incorpore as diferenças de distância, idade da frota, número de eixos, produtividade e aproveitamento do retorno.
A discussão exige equilíbrio. O piso foi criado para impedir que caminhoneiros sejam obrigados a transportar cargas por valores incapazes de cobrir diesel, pneus, manutenção e remuneração do trabalho. A revisão defendida pelo agro não pode retirar essa proteção, mas precisa evitar que parâmetros desatualizados reduzam a competitividade da produção.
O estudo da USP coloca números nesse debate. Agora, a disputa será sobre quanto dessas conclusões a ANTT aceitará na nova tabela e se o Congresso derrubará os vetos à lei. Para produtores e transportadores, o resultado poderá definir quem pagará a conta das distorções existentes no cálculo do frete.
Fonte: Pensar Agro
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