AGRONEGÓCIO
O agronegócio e o desafio de como fornecer alimentos suficientes e de qualidade para todos
Publicado em
12 de novembro de 2023por
Da RedaçãoO agronegócio está passando por uma transformação sem precedentes, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Diante de um aumento significativo da população mundial, o setor agrícola está se mobilizando para atender a uma demanda alimentar crescente, promovendo técnicas inovadoras e sustentáveis para assegurar a nutrição da humanidade.
O desafio é: como fornecer alimentos suficientes e de qualidade para todos? E o agronegócio está no centro dessa questão, empregando tecnologias avançadas e práticas agrícolas inovadoras para aumentar a produtividade sem comprometer a saúde ou o acesso. Culturas geneticamente modificadas que resistem a pragas e doenças e sistemas de irrigação eficientes são algumas das ferramentas que estão ajudando a alimentar o mundo.
Ao mesmo tempo, essa corrida pela sustentabilidade é complicada pelas mudanças climáticas, que trazem consigo um aumento na frequência e severidade de eventos climáticos extremos, desafiando a capacidade de produção alimentar.
Agricultores estão se tornando mais resilientes e adaptáveis, investindo em cultivos que podem suportar temperaturas extremas e precipitações irregulares, bem como em tecnologias que ajudam a prevenir as consequências adversas desses fenômenos.
Este desafio coloca em cheque a capacidade de inovação e sustentabilidade do setor, exigindo uma revisão profunda das práticas tradicionais de cultivo e um olhar atento para as tecnologias emergentes.
O aumento da eficiência na produção agrícola é fundamental. As estratégias incluem desde a otimização do uso de recursos naturais, como água e solo, até a implementação de práticas de agricultura de precisão, que utilizam dados e tecnologias avançadas para entender e responder às condições variáveis de cada parcela de terra.
Com o uso de satélites, drones e sensores, os agricultores podem monitorar a saúde das plantas, a umidade do solo e a presença de pragas e doenças, permitindo uma intervenção rápida e precisa, o que reduz o desperdício e maximiza a produtividade.
Outra frente importante é a adoção de sistemas de cultivo intercalado e rotativo, que podem levar a um melhor aproveitamento do espaço e dos nutrientes do solo, além de reduzir a incidência de pragas e doenças.
A diversificação de culturas não só fortalece a resiliência dos sistemas agrícolas, mas também pode melhorar a qualidade do solo e a biodiversidade local, fundamentais para a sustentabilidade a longo prazo.
O melhoramento genético das plantas também desempenha um papel crucial. O desenvolvimento de variedades de culturas que possuem maior rendimento por unidade de área, que são resistentes a estresses bióticos e abióticos, e que se adaptam melhor às condições locais é uma estratégia chave. Técnicas avançadas de biotecnologia, como a edição de genes, estão sendo usadas para acelerar esses aprimoramentos sem os custos ambientais associados à expansão agrícola.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Agro exporta R$ 45,6 bilhões e mantém 3º lugar no país
Published
10 horas agoon
2 de setembro de 2026By
Da Redação
O agronegócio de Minas Gerais movimentou R$ 45,6 bilhões em exportações no primeiro semestre de 2026 e manteve o Estado como o terceiro maior exportador do setor no país, atrás apenas de Mato Grosso e São Paulo. O resultado veio mesmo com uma queda de 9,6% na receita em relação ao mesmo período do ano passado, puxada principalmente pela redução dos embarques de café.
Entre janeiro e junho, Minas enviou 8,46 milhões de toneladas de produtos agropecuários para 166 países. O volume foi 3% menor que o registrado no primeiro semestre de 2025. Ainda assim, o Estado respondeu por 10,3% de tudo o que o agronegócio brasileiro vendeu ao exterior e o setor representou 40,9% da receita total das exportações mineiras.
Os números, levantados pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG) a partir dos registros do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram uma mudança importante dentro da pauta. O café continuou dominante, mas soja e carnes ganharam espaço e ajudaram a amortecer a retração do principal produto mineiro.
O café respondeu sozinho por R$ 22,9 bilhões, pouco mais da metade de toda a receita agropecuária obtida no exterior. Foram embarcadas aproximadamente 10,8 milhões de sacas de 60 quilos no semestre. A disponibilidade menor do produto reduziu os volumes, embora o preço médio de exportação tenha aumentado cerca de 4,2% em relação ao mesmo período de 2025.
A influência do café sobre os números mineiros é enorme. No primeiro trimestre, por exemplo, as exportações do produto haviam caído 31,5% em volume e 18,5% em receita. O recuo foi suficiente para puxar para baixo o resultado de todo o agronegócio estadual, mesmo enquanto outras cadeias registravam crescimento.
Isso ajuda a explicar uma aparente contradição: Minas continua entre os maiores exportadores agrícolas do Brasil, mas vendeu menos que no ano passado. Em 2025, o agronegócio mineiro havia alcançado o recorde de aproximadamente R$ 101 bilhões em vendas externas, resultado favorecido principalmente pela forte valorização internacional do café. A comparação de 2026, portanto, ocorre sobre uma base excepcionalmente elevada.
A soja foi uma das cadeias que impediram uma retração maior. O complexo formado por grão, farelo e óleo movimentou aproximadamente R$ 10,7 bilhões no primeiro semestre, com crescimento de cerca de 10% sobre 2025. O avanço também revela uma mudança na composição das vendas, com maior presença de farelo e óleo, produtos que passam por processamento antes de deixar o Estado.
As carnes apresentaram outro desempenho positivo. Os embarques de carne bovina, suína e de frango renderam aproximadamente R$ 4,8 bilhões, crescimento de 13,4% na comparação anual. O volume chegou a 247,3 mil toneladas, 3,7% acima do primeiro semestre do ano passado.
A diferença entre o crescimento da receita e o avanço do volume mostra que o valor médio das carnes exportadas aumentou. O movimento beneficia uma cadeia importante para Minas, que possui produção expressiva de bovinos, aves e suínos e uma estrutura industrial formada por frigoríficos, cooperativas e empresas de processamento.
O complexo sucroalcooleiro, formado principalmente por açúcar e etanol, gerou cerca de R$ 2,7 bilhões em exportações no semestre. Os produtos florestais, que incluem celulose, madeira e papel, ficaram próximos de R$ 2,6 bilhões.
Juntos, café, complexo soja, carnes, produtos sucroalcooleiros e produtos florestais concentraram mais de 96% das exportações do agronegócio mineiro. A pauta é concentrada em grandes cadeias, mas começa a apresentar nichos com maior grau de processamento e produtos ligados à tradição regional.
Minas também aparece entre os principais fornecedores brasileiros de produtos como mel, lácteos, sementes, batatas processadas e doce de leite. Embora movimentem valores menores, essas cadeias têm importância porque permitem a entrada de cooperativas e agroindústrias de menor porte em mercados internacionais.
A diversificação também aparece nos destinos. A China permaneceu como principal comprador do agronegócio mineiro, seguida por Estados Unidos, Alemanha, Itália e Japão. A União Europeia tem peso especial para o café: no primeiro quadrimestre, aproximadamente 94% do valor comprado pelo bloco de Minas estava concentrado no produto.
O peso do campo vai além das exportações. O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária mineira alcançou o recorde de R$ 167,8 bilhões em 2025. Para 2026, as projeções divulgadas ao longo do ano mantêm o faturamento próximo desse patamar, embora com comportamentos diferentes entre as cadeias.
As lavouras representam aproximadamente dois terços do VBP estadual e o café continua na liderança. Estimativas divulgadas pela Seapa indicavam faturamento superior a R$ 60 bilhões para a cultura em 2026. Soja, cana-de-açúcar e milho aparecem na sequência entre as principais atividades agrícolas.
Na pecuária, a carne bovina segue como principal componente do faturamento. A projeção divulgada neste ano apontava para cerca de R$ 20 bilhões, enquanto o leite, outra atividade tradicional de Minas, enfrentava cenário mais difícil, com queda de preços e pressão sobre a rentabilidade do produtor.
Esse conjunto mostra que o desempenho do agronegócio mineiro em 2026 não pode ser resumido apenas à queda das exportações. O Estado atravessa uma acomodação depois do recorde registrado no ano passado, enquanto algumas cadeias ganham espaço justamente no momento em que o café perde parte da força excepcional observada em 2025.
Para o produtor, essa diversificação reduz parcialmente a dependência de uma única commodity, mas não elimina os riscos. Café, soja, carnes e produtos florestais continuam fortemente expostos ao câmbio, aos preços internacionais, ao custo do crédito, às condições climáticas e às exigências dos mercados compradores.
Mesmo nesse ambiente, Minas chega à segunda metade de 2026 com o agronegócio respondendo por quatro de cada dez reais obtidos pelo Estado com exportações. Mais do que o valor absoluto dos R$ 45,6 bilhões, é essa participação, combinada à presença em 166 mercados e à expansão de cadeias além do café, que ajuda a explicar por que o campo permanece como uma das principais bases da economia mineira.
Fonte: Pensar Agro
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