AGRONEGÓCIO
Novo Plano Safra Promete Bater Recordes, Anuncia Ministro Carlos Fávaro
Publicado em
23 de maio de 2024por
Da RedaçãoO Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, anunciou nesta quarta-feira (22/5) que o Plano Safra 2024/25 está sendo estruturado para atingir um novo recorde em termos de volume de recursos disponíveis para financiamentos. Embora não tenha revelado a estimativa dos valores que serão anunciados, Fávaro destacou a ambição do governo em proporcionar um plano robusto e abrangente.
Redução de Juros e Incentivo às Boas Práticas
Durante audiência pública na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, Fávaro expressou a expectativa de uma redução nos juros cobrados dos produtores, acompanhando a queda da taxa Selic de 13,75% para 10,5% no último ano. “Queremos uma redução proporcional nas taxas de juros do Plano Safra, mas isso estará atrelado a boas práticas dos produtores, para premiar as boas práticas que eles já têm”, afirmou.
Destinação de Recursos e Subvenções
O ministro também enfatizou a necessidade de aumentar os recursos destinados à equalização de juros do crédito rural, ao apoio à comercialização da safra e ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Comparando com o passado, Fávaro apontou uma significativa redução no orçamento: “Há 10 anos, o apoio à comercialização tinha orçamento de R$ 6 bilhões. Pegamos [o ministério] com orçamento de R$ 800 milhões. O orçamento é curto, mas no mínimo tem que ser de R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões”, disse. Ele ainda destacou que o seguro rural, atualmente com R$ 1 bilhão de subvenção, precisa ser ampliado para R$ 2 bilhões ou R$ 3 bilhões.
Prorrogação de Dívidas Rurais
Fávaro abordou a prorrogação das parcelas de financiamentos de investimentos rurais com vencimento em 2024, uma medida que terá um custo de R$ 1,5 bilhão para a União. Este valor afetará o orçamento do próximo Plano Safra 2024/25. A prorrogação foi autorizada para produtores de soja, milho, leite e carne de 17 estados que enfrentaram prejuízos devido a condições climáticas adversas ou à queda nos preços das commodities. A medida pode ser solicitada até 31 de maio, e há um pedido da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para estender o prazo até 31 de outubro.
Questão Fiscal e Plano Safra
Apesar das preocupações fiscais, Fávaro garantiu que a elaboração do Plano Safra 2024/25 não será prejudicada. Ele destacou a importância da redução de juros na economia: “Vamos sensibilizar o BC. Se temos a inflação controlada, crescimento da economia, o rating do Brasil melhorando, o reconhecimento das agências de risco, e o déficit orçamentário é transparente”, afirmou. O ministro destacou que as taxas de juros para os produtores precisam ficar abaixo de dois dígitos.
Novas Linhas de Crédito e LCAs
O plano também prevê a ampliação da exigibilidade de reaplicação de valores captados pela emissão de Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), atualmente em 50%. Fávaro ressaltou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) precisa utilizar os recursos captados pelos títulos. “O direcionamento das LCAs que foi de 50% esse ano vai ser ainda maior para o Plano Safra. O BNDES pode e deve usar recursos das LCAs. São R$ 40 bilhões represados que estamos trabalhando para poder usar”, explicou.
Inovações no Crédito Rural
Por fim, o ministro anunciou duas novas linhas de crédito inovadoras. Uma será direcionada para o setor da ovinocaprinocultura e outra para custear a produção realizada por indígenas em reservas, uma iniciativa que está sendo discutida com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). “Pela primeira vez na história, queremos colocar linhas de crédito para indígenas que estão produzindo, que têm a agricultura na sua essência”, concluiu Fávaro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Brasil deve produzir 600 mil toneladas de canola nesta safra
Published
2 horas agoon
25 de setembro de 2026By
Da Redação
A canola começa a sair das lavouras brasileiras com uma produção estimada em 601,3 mil toneladas na safra 2025/26, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa crescimento de 74,4% sobre as 344,8 mil toneladas colhidas na temporada anterior e confirma o avanço de uma cultura que fornece óleo para alimentação, farelo para os animais e matéria-prima para biocombustíveis.
A colheita ainda está no início. No Rio Grande do Sul, responsável pela maior parte da produção nacional, aproximadamente 1% das lavouras havia sido colhido até a segunda quinzena de setembro. Cerca de 88% das áreas estavam entre a floração e o enchimento de grãos e outros 9% já se encontravam em maturação, conforme o acompanhamento da assistência técnica estadual.
Isso significa que a safra de canola que aparece nas estatísticas como 2025/26 ainda está no campo. A cultura foi semeada principalmente entre abril e junho de 2026 e deverá ter a colheita concentrada durante a primavera. O plantio da temporada 2026/27, portanto, não começou: ocorrerá somente no primeiro semestre de 2027.
A área cultivada na safra em fase de colheita alcançou 371,1 mil hectares, expansão de 75,1% diante dos 211,9 mil hectares do ciclo anterior. A produtividade média foi estimada pela Conab em 1.620 quilos por hectare, praticamente estável em relação aos 1.627 quilos obtidos em 2024/25.
Os números mostram que o crescimento da produção foi sustentado principalmente pela incorporação de novas áreas. Embora a Associação Brasileira dos Produtores de Canola (Abrascanola) estime 405 mil hectares e um potencial de 607,2 mil toneladas, a referência oficial da Conab permanece em 371,1 mil hectares e 601,3 mil toneladas. A diferença decorre das fontes e metodologias utilizadas nos levantamentos.
O Rio Grande do Sul concentra aproximadamente 353,4 mil hectares, o equivalente a cerca de 95% da área nacional estimada pela Conab. O cultivo também aparece no Paraná, em Santa Catarina e, em menor escala, em outras regiões onde pesquisas procuram adaptar a oleaginosa ao sistema de segunda safra.
Nas lavouras gaúchas, o desenvolvimento é considerado satisfatório na maior parte das áreas. Os primeiros trabalhos ocorrem em cultivos implantados mais cedo, sobretudo no Noroeste. A evolução da colheita dependerá do amadurecimento dos grãos e de intervalos de tempo seco, necessários para reduzir perdas e preservar a qualidade.
A canola pertence à mesma espécie agrícola da colza, mas foi selecionada para apresentar baixos teores de ácido erúcico no óleo e de glucosinolatos no farelo. Os grãos contêm aproximadamente 38% de óleo, conforme referências técnicas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
A maior parte da produção é destinada à fabricação de óleo comestível. Depois da extração, o farelo rico em proteína pode ser utilizado na alimentação animal, principalmente de bovinos, suínos e aves, respeitadas as formulações nutricionais de cada criação.
O óleo também pode ser empregado na fabricação de biodiesel. Outra possibilidade em estudo é seu aproveitamento na produção de combustível sustentável de aviação, conhecido pela sigla SAF. Esse mercado, entretanto, ainda não está consolidado comercialmente em grande escala no Brasil.
No campo, a canola oferece uma alternativa de renda durante o inverno e amplia a rotação com soja, milho e cereais. Como pertence a uma família botânica diferente, pode ajudar a interromper ciclos de determinadas doenças e plantas daninhas, além de manter o solo coberto e distribuir melhor o uso de máquinas e mão de obra ao longo do ano.
A decisão de plantar exige, porém, comprador previamente definido. A cadeia nacional ainda possui menos pontos de recebimento e esmagamento que a soja, e a distância até a indústria pode reduzir a rentabilidade. A implantação também requer atenção ao tamanho reduzido das sementes, à profundidade de semeadura, ao controle de pragas e ao momento da colheita, porque a abertura das síliquas pode provocar perda de grãos.
Apesar do crescimento recente, o Brasil ainda ocupa uma posição pequena no mercado internacional. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) projeta produção mundial de 99,97 milhões de toneladas de canola e colza em 2026/27. A safra brasileira equivale a aproximadamente 0,6% desse total.
O USDA não apresenta o Brasil individualmente entre os grandes produtores, incluindo o País no grupo das demais origens. O Canadá lidera a produção entre os países, com previsão de 22,5 milhões de toneladas. A União Europeia, considerada como bloco, deverá colher 20,15 milhões, seguida pela China, com 16,2 milhões, e pela Índia, com 12,4 milhões.
Sozinho, o Canadá produz quase 37 vezes o volume brasileiro. A comparação mostra que o País ainda está distante dos líderes, mas também revela o espaço disponível para crescer. Enquanto a canola ocupa pouco mais de 370 mil hectares no Brasil, as culturas de inverno dispõem de milhões de hectares que permanecem sem atividade comercial em parte do ano.
O ciclo atual será decisivo para saber se a rápida expansão conseguirá se sustentar. Além da produtividade e da qualidade dos grãos, o produtor acompanhará os preços, a capacidade de recebimento das indústrias e o cumprimento dos contratos. Uma colheita próxima de 600 mil toneladas colocará a canola em um novo patamar no País, mas a continuidade dependerá de mercado, assistência técnica e segurança para comercializar a produção.
Fonte: Pensar Agro
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