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Nova outorga sazonal de água beneficia agricultores do Norte de Minas e garante irrigação em períodos críticos

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Governo de Minas adota modelo sazonal de outorga de água

O Governo de Minas Gerais anunciou uma mudança importante na política de uso da água para irrigação na bacia do Rio São Francisco, com a implantação da outorga sazonal. A nova modalidade atende à realidade hídrica do semiárido mineiro e permitirá o uso ampliado da água em determinados períodos do ano, especialmente durante estiagens prolongadas.

A medida busca assegurar a chamada “irrigação de salvação” em momentos de escassez, uma solução para reduzir perdas produtivas e garantir a sobrevivência das lavouras.

Decisão atende demanda antiga de produtores rurais

A alteração responde a um pleito histórico dos produtores do Norte de Minas e foi embasada por uma nota técnica elaborada pela Emater-MG. O documento aponta os prejuízos causados pelo modelo anterior, que limitava o uso a 14 mil litros de água por dia por propriedade, nos casos classificados como uso insignificante e com captação por poços tubulares — volume insuficiente, especialmente em períodos de seca.

Veranicos se tornam cada vez mais frequentes e prejudiciais

Os veranicos, caracterizados por estiagens em plena estação chuvosa, vêm se tornando mais intensos e duradouros nas regiões semiáridas. O fenômeno afeta diretamente culturas como milho, algodão e feijão, além da pecuária, entre dezembro e fevereiro, período de alta temperatura, baixa umidade e sol intenso.

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Com a outorga sazonal, os agricultores poderão usar água de forma emergencial nesses momentos, minimizando impactos e garantindo maior estabilidade nas colheitas.

Irrigação de salvação será ferramenta estratégica

“Esses produtores plantam com base na chuva, mas quando ela falha, perdem tudo. A nova outorga permitirá a irrigação de salvação, ajudando as plantas a sobreviver nos períodos críticos”, explica Arquimedes Teixeira, coordenador técnico regional da Emater-MG e autor da nota técnica que embasou a decisão.

Acesso ao crédito rural será facilitado

A nova política também traz avanços em relação ao financiamento agrícola. O modelo anterior de outorga, por não atender às reais necessidades hídricas das culturas irrigadas, impedia muitos produtores de obter crédito rural. Com a mudança, será possível apresentar às instituições financeiras uma autorização mais adequada, destravando o acesso a linhas de custeio e investimento.

Estudo destaca impacto da estiagem na produção de algodão

A Emater-MG destacou o caso do município de Catuti, no Norte de Minas, como exemplo da urgência da medida. Lá, a produção de algodão sofreu com déficit hídrico de mais de 250 milímetros durante fases críticas do ciclo. A cultura exige cerca de 700 mm de água por ciclo, mas as chuvas totalizaram apenas 539 mm — além de mal distribuídas entre novembro e março.

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Com a nova regra, os produtores poderão complementar essa necessidade com irrigação a partir de poços tubulares.

Igam vai regulamentar critérios da outorga sazonal

A gestão da outorga de água em Minas é feita pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), que ficará responsável por regulamentar os critérios da nova modalidade sazonal. A expectativa é que a medida beneficie mais de 170 municípios inseridos na área de atuação da Sudene no estado.

Além da bacia do Rio São Francisco, o governo também anunciou a adoção da outorga sazonal para a bacia do Rio Paraíba do Sul, ampliando o alcance da nova política de gestão hídrica.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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