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Natureza vira aliada e pode injetar R$ 4,2 bilhões no campo

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Uma pesquisa conduzida pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), revelou que recuperar a vegetação nativa ao redor das lavouras pode injetar até R$ 4,2 bilhões por ano no PIB agropecuário paulista.

O estudo, premiado nacionalmente, mostra que a simples presença de áreas verdes próximas às plantações aumenta a circulação de polinizadores — como abelhas — e, com isso, eleva a produtividade e a qualidade de grãos e frutas.

Segundo os pesquisadores, lavouras de soja, laranja e café seriam as mais beneficiadas, mas cultivos como manga, goiaba, abacate, tomate, feijão e amendoim também teriam ganhos significativos.

A ideia central do levantamento é clara: as matas nativas funcionam como abrigo e fonte de alimento para os polinizadores, que, ao encontrarem essas áreas preservadas ou restauradas, ampliam sua ação sobre as plantações ao redor. Isso se traduz em frutos maiores, grãos mais uniformes e colheitas mais abundantes, sem a necessidade de novos insumos.

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O estudo mapeou, com base em imagens e dados do uso da terra, regiões com potencial para aproveitar melhor o serviço ecológico da polinização. Mesmo áreas de agricultura extensiva, como as plantações de soja no Médio Paranapanema, poderiam melhorar seus índices produtivos com ações simples, como restaurar margens de rios ou recompor bordas de mata.

As conclusões já começaram a influenciar políticas públicas no estado. As recomendações técnicas do projeto foram incorporadas ao Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática, e a iniciativa recebeu o primeiro lugar no Prêmio MapBiomas 2025, uma das mais importantes premiações ambientais do país.

Os pesquisadores Rafael Chaves, da Semil, e Eduardo Moreira, da USP, conquistaram o 1º lugar no Prêmio MapBiomas 2025. O estudo reforça um caminho cada vez mais evidente: conservar e produzir não são metas opostas. Quando o meio ambiente é tratado como parte da engrenagem agrícola, o campo colhe mais, gasta menos e ainda garante renda com sustentabilidade.

Fonte: Pensar Agro

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Produtos bovinos brasileiros podem ganhar mais espaço no mercado japonês

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Estabelecimentos brasileiros registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF) que produzem produtos bovinos processados têm até as 18h desta segunda-feira (31.08) para manifestar interesse em participar da auditoria sanitária que o Japão realizará no Brasil e que poderá ampliar o acesso de produtos bovinos processados ao mercado japonês. A iniciativa ocorre em meio ao esforço brasileiro para aumentar a presença da pecuária nacional em um dos mercados de carne mais exigentes e valorizados do mundo.

A chamada foi aberta pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para identificar estabelecimentos interessados e preparados para receber a missão japonesa. O trabalho será conduzido pelas autoridades sanitárias do Japão e deverá avaliar as condições brasileiras de produção e processamento.

A lista inclui produtos como carne bovina desidratada, conhecida internacionalmente como beef jerky, envoltórios bovinos submetidos a tratamento térmico e o chamado Prime Beef, produto elaborado a partir de colágeno bovino e extrato de carne.

O objetivo da auditoria é revisar o Programa de Verificação de Exportação (EVP, na sigla em inglês), conjunto de procedimentos que estabelece as condições que os estabelecimentos brasileiros precisam cumprir para vender determinados produtos ao Japão.

Na prática, uma avaliação favorável poderá permitir a inclusão de novos produtos e estabelecimentos brasileiros no comércio com o país asiático.

O prazo desta segunda-feira não significa, portanto, abertura automática do mercado. Ele representa uma etapa preparatória para a auditoria e para a negociação sanitária necessária antes da autorização das exportações.

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A movimentação ganha importância porque o Japão é fortemente dependente da importação de alimentos. Cerca de 60% das calorias consumidas pela população japonesa têm origem externa, ao mesmo tempo em que o país mantém padrões sanitários rigorosos para entrada de produtos agropecuários.

Na carne bovina, aproximadamente 70% do consumo japonês é abastecido por importações. Austrália e Estados Unidos estão entre os principais fornecedores, enquanto o Brasil ainda busca ampliar sua participação nesse mercado.

A abertura para a carne bovina brasileira in natura é uma negociação separada e muito mais ampla, que se arrasta há mais de duas décadas. Brasil e Japão decidiram acelerar as discussões e estabeleceram a realização de inspeções técnicas como uma das etapas necessárias para avançar na avaliação de risco.

Por isso, embora a auditoria relacionada ao prazo de segunda-feira seja destinada a produtos processados, o movimento ocorre dentro de uma aproximação sanitária e comercial mais abrangente entre os dois países.

Para a pecuária brasileira, conquistar espaço no Japão teria importância que vai além do volume vendido. O país asiático é considerado um mercado de elevado valor agregado e possui exigências sanitárias capazes de funcionar como referência para outros compradores.

A diversificação também ganhou importância neste segundo semestre. As exportações brasileiras de carne bovina chegaram a 1,97 milhão de toneladas entre janeiro e julho, crescimento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, mas o setor enfrenta mudanças nas condições de acesso a alguns de seus principais destinos.

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Nesse cenário, ampliar o número de compradores reduz a dependência de poucos mercados e aumenta as alternativas comerciais dos frigoríficos. O efeito pode chegar ao pecuarista por meio de maior disputa pela matéria-prima e da valorização de animais que atendam às exigências dos destinos mais remuneradores.

A abertura de um mercado, entretanto, não termina com a autorização sanitária. Frigoríficos precisam cumprir requisitos específicos de produção, processamento, rastreabilidade e certificação para serem habilitados a exportar.

É justamente esse processo que começa agora para os produtos incluídos na chamada. Os estabelecimentos interessados devem encaminhar a documentação por meio do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e do respectivo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), para que a manifestação chegue ao Mapa dentro do prazo.

Manifestações apresentadas depois das 18h desta segunda-feira não serão consideradas.

A auditoria japonesa será o passo seguinte. Se o resultado permitir a revisão das regras atuais, o Brasil poderá acrescentar novos produtos bovinos à pauta de exportações para o Japão enquanto continua negociando o objetivo de maior peso econômico para a pecuária nacional: a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira in natura.

Fonte: Pensar Agro

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