AGRONEGÓCIO
Mudanças Climáticas Redefinem a Agricultura no Brasil
Publicado em
29 de novembro de 2024por
Da Redação
A agricultura brasileira está no centro das discussões globais sobre mudanças climáticas e segurança alimentar. Durante a COP29, realizada na última semana no Azerbaijão, e na cúpula do G20 no Rio de Janeiro, o setor foi apontado como essencial para o enfrentamento da crise climática e para assegurar a produção de alimentos para a população mundial.
Os impactos das mudanças climáticas, no entanto, já são visíveis nas atividades agrícolas. A irregularidade das estações, alterações no regime de chuvas — com períodos prolongados de estiagem ou inundações intensas — e temperaturas extremas afetam o desenvolvimento das plantas, o bem-estar de animais e polinizadores, além de aumentar a incidência de pragas e doenças. Esses fenômenos comprometem a produtividade e a qualidade da produção, impondo desafios consideráveis aos agricultores em todo o país.
Sustentabilidade como prioridade
Apesar das adversidades, o setor agropecuário brasileiro tem se destacado na adoção de práticas sustentáveis. Nelson Ananias, coordenador de Sustentabilidade da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), ressalta que os produtores nacionais já implementam soluções que combinam mitigação dos efeitos climáticos, adaptação e geração de benefícios associados.
“Quando falamos em cobenefícios, nos referimos à garantia de segurança alimentar e energética, alinhada à segurança climática. Isso é algo que o produtor brasileiro já pratica, com iniciativas como a agricultura de baixa emissão de carbono e o cumprimento de um dos códigos florestais mais rigorosos do mundo”, afirmou Ananias durante a COP29.
Inovação e resiliência no campo
Entre as estratégias adotadas pelos agricultores para enfrentar os desafios climáticos estão o manejo eficiente de recursos hídricos, controle sustentável de pragas e doenças, plantio direto, rotação de culturas e sistemas agroflorestais.
O uso de bioinsumos tem ganhado destaque nesse cenário, com o Brasil liderando o mercado global de biológicos. Segundo dados da CropLife Brasil, o setor movimentou mais de R$ 6 bilhões em 2023, crescendo a uma média anual de 21%, quatro vezes acima da média mundial. Esses insumos, que incluem agentes biológicos para controle de pragas, promoção do crescimento vegetal e melhoria da fertilidade do solo, reduzem a dependência de produtos químicos e promovem a sustentabilidade.
Reinaldo Bonnecarrere, especialista em nutrição de plantas e diretor de Biológicos da Indigo, explica que esses produtos oferecem alta performance, aumentando a rentabilidade das lavouras e reduzindo as emissões de carbono, além de melhorar a saúde do solo.
Biotecnologia e inteligência artificial como aliadas
A combinação de biotecnologia e inteligência artificial tem sido fundamental para adaptar a agricultura brasileira aos desafios climáticos. Empresas como a Indigo lideram o desenvolvimento de tecnologias baseadas em microrganismos endofíticos, bioinformática e data science. Com um vasto acervo de microrganismos catalogados e sequenciados geneticamente, a empresa utiliza ferramentas avançadas para identificar os organismos mais eficientes no combate a pragas, doenças e condições adversas, como secas ou temperaturas extremas.
“Esse modelo ilustra como a tecnologia pode ser uma aliada na adaptação da agricultura às mudanças climáticas e no cumprimento das metas globais de sustentabilidade”, destaca Bonnecarrere. “Ao combinar eficiência produtiva e responsabilidade ambiental, a agricultura brasileira reafirma seu papel estratégico no enfrentamento das mudanças climáticas e na garantia da segurança alimentar global”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Sudeste supera Centro-Oeste em custo alimentar e confinamento registra lucro recorde em 2026
Published
1 hora agoon
23 de abril de 2026By
Da Redação
O custo alimentar do confinamento bovino no Brasil apresentou uma mudança inédita na dinâmica entre as principais regiões produtoras em março de 2026. Pela primeira vez no ano, o Sudeste registrou custo inferior ao Centro-Oeste, segundo dados do Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP).
O indicador, baseado em dados reais de confinamentos que representam cerca de 62% das cabeças confinadas no país, evidencia uma nova configuração de competitividade regional, ao mesmo tempo em que a atividade atinge níveis recordes de rentabilidade.
Sudeste registra menor custo alimentar e quebra padrão histórico
Em março, o ICAP no Centro-Oeste fechou em R$ 13,23 por cabeça/dia, alta de 11,93% em relação a fevereiro, pressionado principalmente pelo encarecimento de insumos energéticos e volumosos.
Já no Sudeste, o índice foi de R$ 12,19, com recuo de 3,64% no mesmo período. O resultado consolidou a tendência de queda iniciada em fevereiro e marcou a inversão regional, com diferença de R$ 1,04 a favor do Sudeste.
Na comparação anual, ambas as regiões apresentam redução de custos. O Centro-Oeste acumula queda de 4,89%, enquanto o Sudeste registra recuo mais expressivo de 8,14% frente a março de 2025.
Insumos pressionam custos no Centro-Oeste
No acumulado do primeiro trimestre de 2026, o Centro-Oeste encerrou março acima da média do período, refletindo a pressão concentrada no último mês.
Os principais movimentos foram:
- Volumosos: alta de 21,02%
- Energéticos: alta de 12,35%
- Proteicos: estabilidade (-0,30%)
O aumento foi impulsionado principalmente pelos energéticos, com destaque para o milho grão seco (+2,2%) e o sorgo (+6,9%), em meio à transição entre a safra de verão e a expectativa da safrinha.
Nos volumosos, a elevação foi puxada pela silagem de capim (+30,4%), mesmo com recuos em itens como a silagem de milho (-8,1%).
Sudeste reduz custos com maior oferta de insumos
No Sudeste, o custo alimentar encerrou março 1,79% abaixo da média trimestral, influenciado principalmente pela queda nos insumos energéticos e proteicos.
Os destaques foram:
- Energéticos: queda de 8,74%
- Proteicos: queda de 5,11%
- Volumosos: alta de 43,75%
Entre os energéticos, houve recuo no preço do sorgo (-15,3%) e do milho (-1,5%), reflexo da maior disponibilidade e competitividade de coprodutos agroindustriais.
Nos proteicos, a redução foi puxada pela torta de algodão (-8,2%) e pelo DDG (-2,1%). Apesar da forte alta nos volumosos, especialmente silagem de cana (+65,1%) e bagaço de cana (+23,3%), o custo total da dieta foi reduzido na região.
Rentabilidade do confinamento atinge níveis recordes
A relação entre custo alimentar e preço da arroba manteve o confinamento em um dos melhores momentos de lucratividade da série recente.
No mercado físico:
- Centro-Oeste
- Custo da arroba produzida: R$ 192,76
- Preço da arroba: R$ 345,00
- Lucro: R$ 1.278,79 por cabeça
- Sudeste
- Custo da arroba produzida: R$ 193,50
- Preço da arroba: R$ 350,00
- Lucro: R$ 1.267,65 por cabeça
As duas regiões registraram crescimento superior a 24% na rentabilidade em relação a fevereiro, com margens acima de R$ 1,2 mil por animal.
Convergência de custos e competitividade entre regiões
Outro destaque foi a forte aproximação no custo por arroba produzida entre as regiões. A diferença caiu para apenas R$ 0,74 em março, ante mais de R$ 17 no mês anterior.
Esse movimento indica uma equalização da competitividade entre Centro-Oeste e Sudeste, reforçada também por um empate técnico na lucratividade — com diferença inferior a R$ 12 por cabeça.
No mercado de exportação, o Sudeste apresenta leve vantagem, com lucro estimado em R$ 1.324,35 por animal, impulsionado por preços mais elevados do boi destinado à China.
Inversão de custos levanta dúvidas sobre tendência para 2026
A mudança no padrão regional de custos, considerada atípica para a pecuária brasileira, levanta questionamentos sobre sua continuidade.
Enquanto o Centro-Oeste foi pressionado pela alta dos energéticos (+16,55%) e volumosos (+15,18%), o Sudeste se beneficiou da queda nos energéticos (-9,56%) e proteicos (-7,71%), favorecida pela maior oferta de coprodutos.
A consolidação ou não desse novo cenário dependerá, principalmente, do desempenho da safrinha de milho ao longo do ano.
ICAP se consolida como ferramenta estratégica no confinamento
O ICAP é calculado com base em dados de confinamentos monitorados por tecnologias de gestão, incluindo sistemas amplamente utilizados no Brasil.
O índice reúne milhões de registros de alimentação animal e permite acompanhar mensalmente a evolução dos custos nas principais regiões produtoras.
Segundo especialistas, a ferramenta tem se consolidado como apoio estratégico para decisões de compra de insumos, análise de viabilidade econômica e planejamento da atividade de confinamento.

Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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