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Milho recua no Brasil e em Chicago com avanço da safrinha e clima favorável nos Estados Unidos

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Preço do milho segue em queda no Brasil e no mercado internacional

O mercado do milho iniciou junho sob forte pressão de baixa tanto no Brasil quanto no cenário internacional. O avanço da colheita da segunda safra brasileira, o aumento da oferta na América do Sul e as condições climáticas favoráveis nas regiões produtoras dos Estados Unidos vêm sustentando o movimento de desvalorização das cotações.

Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que os preços do cereal continuam recuando na maior parte das regiões acompanhadas pela instituição. A retração ocorre em um momento em que compradores permanecem afastados do mercado spot, operando com estoques suficientes para atender às necessidades de curto prazo.

Além disso, os agentes acompanham de perto o desenvolvimento da safrinha brasileira e a recente queda das cotações internacionais, fatores que reduzem a competitividade das exportações e pressionam os preços internos.

Compradores aguardam maior oferta da safrinha

De acordo com pesquisadores do Cepea, a expectativa de entrada mais intensa da produção de segunda safra contribui para a postura cautelosa dos consumidores. A redução da paridade de exportação, impulsionada pelos recuos observados na Bolsa de Chicago, também limita a disposição de compra.

Do lado da oferta, parte dos produtores ainda restringe as negociações. Agricultores que não enfrentam necessidade imediata de geração de caixa ou liberação de espaço nos armazéns optam por aguardar melhores oportunidades de comercialização.

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Esse posicionamento encontra respaldo em preocupações relacionadas ao potencial produtivo da safra 2025/26. Entre os fatores monitorados pelo mercado estão os efeitos da seca em áreas de Goiás e de Mato Grosso do Sul, além dos impactos provocados por geadas registradas no Paraná.

Bolsa de Chicago amplia perdas

No mercado internacional, os contratos futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) seguem acumulando perdas significativas.

As cotações foram pressionadas principalmente pela melhora das condições climáticas no cinturão produtor dos Estados Unidos. As previsões de chuvas regulares e temperaturas adequadas reforçam o potencial produtivo da safra norte-americana, reduzindo os temores de perdas e aumentando as expectativas de oferta global.

Analistas internacionais destacam que, apesar de algumas áreas apresentarem temperaturas acima da média, a maior parte das regiões produtoras continua recebendo umidade suficiente para garantir o bom desenvolvimento das lavouras.

Como resultado, os contratos mais negociados renovaram mínimas recentes, consolidando uma semana de forte desvalorização. Na última sessão, o contrato com vencimento em julho encerrou cotado a US$ 4,17 por bushel, enquanto a posição setembro fechou próxima de US$ 4,27 por bushel.

América do Sul amplia pressão sobre os preços

Além do clima favorável nos Estados Unidos, o mercado internacional também absorve o impacto do aumento da oferta sul-americana.

A colheita da segunda safra brasileira avança em importantes estados produtores, enquanto a Argentina registra uma safra robusta. Esse cenário amplia a disponibilidade global do cereal e reduz a sustentação dos preços.

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Outro fator que contribui para a pressão baixista é o comportamento do mercado de trigo, que também vem registrando desvalorizações e influencia diretamente a formação dos preços do milho em nível internacional.

Petróleo e dólar completam cenário baixista

Os investidores também monitoram fatores macroeconômicos. A recente queda do petróleo internacional e o fortalecimento do dólar frente a outras moedas contribuíram para ampliar a pressão sobre as commodities agrícolas.

No caso do petróleo, o mercado reagiu às expectativas de avanços diplomáticos envolvendo Estados Unidos e Irã, o que poderia favorecer maior oferta global de energia e reduzir os custos relacionados à produção de biocombustíveis.

Mercado segue atento aos riscos climáticos

Apesar do viés predominantemente baixista, especialistas destacam que o comportamento do clima continuará sendo determinante para a direção dos preços nos próximos meses.

No Brasil, produtores acompanham os impactos da estiagem em áreas do Centro-Oeste e os reflexos das geadas no Sul. Já nos Estados Unidos, qualquer alteração significativa nas condições meteorológicas durante o desenvolvimento das lavouras poderá provocar mudanças rápidas no humor do mercado.

Por enquanto, entretanto, o aumento da oferta global e as perspectivas favoráveis para as principais safras mantêm o milho operando sob pressão, tanto no mercado doméstico quanto na Bolsa de Chicago.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%

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A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.

Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.

Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.

A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.

Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.

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A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.

O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.

A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.

Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.

A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.

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A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.

O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.

O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.

Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.

A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.

Fonte: Pensar Agro

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