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Mercado global de fertilizantes inicia novo ciclo com alerta para queda na demanda

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O setor de fertilizantes enfrenta um cenário desafiador em 2025. Segundo o relatório semestral da RaboResearch Food & Agribusiness, a combinação entre preços em alta, instabilidade geopolítica e poder de compra reduzido dos agricultores deve marcar o início de um novo ciclo de retração na demanda global por esses insumos. A análise é conduzida pela equipe global de insumos agrícolas do Rabobank e traz projeções para os principais mercados e nutrientes.

Índice de acessibilidade sinaliza o fim de um ciclo favorável

O Índice de Acessibilidade dos Fertilizantes, elaborado pela RaboResearch, serve como termômetro da relação entre preços dos insumos e a capacidade financeira dos produtores. A média móvel de 12 meses desse índice deve se tornar negativa em maio de 2025, indicando o fim do ciclo iniciado em novembro de 2021.

A tendência já vinha se desenhando desde janeiro deste ano, quando o índice mensal passou a apontar perda de acessibilidade. Esse movimento sinaliza, historicamente, uma queda iminente no consumo de fertilizantes, o que tende a se confirmar nos próximos meses.

Desempenho por nutriente: fosfato e nitrogênio pressionados; potássio em melhor posição

A análise por tipo de nutriente revela cenários distintos:
  • Fosfato: O índice de acessibilidade está negativo desde agosto de 2024 e deve permanecer assim ao menos até agosto de 2025. A expectativa é de queda no consumo deste nutriente ao longo do ano.
  • Nitrogênio: Embora também em território negativo, o cenário é ligeiramente mais otimista, com tendência de preços em queda impulsionada pelo aumento na oferta e pelo fim do pico de demanda no Hemisfério Norte.
  • Potássio: É o único com índice positivo e estável, o que deve sustentar a demanda por este fertilizante ao longo do ano.
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Geopolítica e tarifas agravam incertezas

O ano de 2025 começou com uma série de instabilidades geopolíticas, o que ampliou as incertezas nos mercados globais. No caso específico dos fertilizantes, esse contexto foi agravado por novas tarifas de importação anunciadas pelo governo dos Estados Unidos em abril, além das restrições de exportação impostas pela China, especialmente sobre produtos fosfatados e nitrogenados.

A expectativa é de que a China retome gradualmente suas exportações na segunda metade do ano, após atender sua demanda interna.

Demanda segue estável em várias regiões, mas Índia dá sinais de retração

Apesar do cenário desfavorável, a demanda por fertilizantes permanece estável em regiões como África, Austrália, América do Sul, Europa e América do Norte. A Índia, tradicionalmente um dos principais compradores do mundo, começa a apresentar sinais de retração, com queda na demanda sazonal e esgotamento dos estoques. O resultado é um mercado mais cauteloso, em ritmo lento e aguardando sinais mais claros para retomar as negociações.

Commodities influenciam cenário de consumo

As perspectivas para as commodities agrícolas também afetam o mercado de fertilizantes. Enquanto a soja enfrenta um cenário de baixa, o milho apresenta projeções mais otimistas. A atenção do mercado agora se volta para as safras do Hemisfério Norte, especialmente nos Estados Unidos.

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Ano difícil pela frente

A previsão da RaboResearch é de que o mercado global de fertilizantes enfrente mais um ano desafiador em 2025. A redução no poder de compra dos agricultores e a menor acessibilidade aos nutrientes — sobretudo ao nitrogênio e ao fosfato — devem resultar, mais cedo ou mais tarde, em retração de consumo. A exceção pode ser o potássio, cuja estabilidade nos preços tende a manter a demanda aquecida.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Entidade diz que o campo preserva, mas há excesso de regras travando os produtores

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A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) decidiu reagir às críticas sobre o impacto ambiental do agronegócio e levou ao debate público um conjunto de dados para sustentar que a produção agrícola no Brasil ocorre com preservação relevante dentro das propriedades rurais.

A iniciativa ocorre em um momento de maior pressão sobre o setor, especialmente em mercados internacionais, e busca reposicionar a narrativa com base em números do próprio campo.

Entre os dados apresentados, levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indica que 65,6% do território brasileiro permanece coberto por vegetação nativa, enquanto a agricultura ocupa cerca de 10,8% da área total. A entidade usa o dado para reforçar que a produção ocorre em uma parcela limitada do território.

No recorte estadual, a Aprosoja-MT destaca um levantamento próprio que identificou mais de 105 mil nascentes em 56 municípios de Mato Grosso, com 95% delas preservadas dentro das propriedades rurais . O dado é usado como exemplo prático de conservação dentro da atividade produtiva.

A entidade também aponta que o avanço tecnológico tem permitido aumento de produção sem expansão proporcional de área. O Brasil deve colher mais de 150 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, mantendo a liderança global, com Mato Grosso respondendo por cerca de 40 milhões de toneladas.

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Segundo a Aprosoja-MT, práticas como plantio direto, rotação de culturas e uso de insumos biológicos têm contribuído para esse ganho de produtividade, reduzindo a pressão por abertura de novas áreas.

Isan Rezende, presidente do IA

A associação também cita investimentos em prevenção de incêndios dentro das propriedades e manejo de solo como parte da rotina produtiva, argumentando que a preservação é uma necessidade econômica, e não apenas uma exigência legal.

Na avaliação de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) a preservação ambiental no campo deixou de ser uma pauta teórica e passou a ser parte direta da gestão da propriedade rural. Segundo ele, o produtor brasileiro já incorporou práticas que garantem produtividade com conservação, muitas vezes acima do que é exigido.

“Quem está na lida sabe que sem água, sem solo bem cuidado e sem equilíbrio ambiental não existe produção. O produtor preserva porque precisa produzir amanhã. Isso não é discurso, é sobrevivência da atividade”, afirma.

Rezende aponta, no entanto, que o ambiente institucional ainda cria distorções que dificultam o reconhecimento desse esforço. Para ele, há excesso de exigências, insegurança jurídica e regras que mudam com frequência, o que acaba penalizando quem já produz dentro da lei.

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“O produtor cumpre, investe, preserva, mas continua sendo tratado como problema. Falta coerência. Quem está regular não pode continuar pagando a conta de um sistema que não diferencia quem faz certo de quem está fora da regra”, diz.

Na avaliação do dirigente, o debate sobre sustentabilidade no Brasil precisa avançar com base em dados e realidade de campo, e não em generalizações. Ele defende que o país já possui uma das legislações ambientais mais rígidas do mundo, mas enfrenta falhas na aplicação e na comunicação dessas informações.

“O Brasil tem uma das produções mais eficientes e sustentáveis do planeta. O que falta é organização e clareza nas regras, além de uma comunicação mais firme para mostrar o que já é feito dentro da porteira”, conclui.

Fonte: Pensar Agro

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