AGRONEGÓCIO
Mercado do milho segue travado no Sul e Centro-Oeste, apesar de alta nos contratos futuros
Publicado em
27 de maio de 2025por
Da Redação
Santa Catarina: produtores firmes e compradores retraídos mantêm impasse
O mercado do milho continua sem avanços em Santa Catarina. De acordo com a TF Agroeconômica, produtores permanecem resistentes a conceder descontos, enquanto compradores adotam postura cautelosa. No porto, os preços se mantêm em R$ 72,00 por saca para entrega em agosto, com pagamento no fim de setembro, e R$ 73,00 para entrega em outubro, com pagamento no fim de novembro.
Já no mercado interno, as cooperativas mantêm as seguintes referências:
- Papanduva: R$ 69,00
- Campo Alegre: R$ 70,00
- Oeste e região Serrana: R$ 71,00
Rio Grande do Sul: incertezas sanitárias travam negociações
No Rio Grande do Sul, o mercado da soja segue parado, reflexo de incertezas sanitárias e temor de impactos nas exportações. A TF Agroeconômica aponta estabilidade nas cotações de compra, com valores como:
- Santa Rosa e Ijuí: R$ 66,00
- Não-Me-Toque: R$ 67,00
- Marau, Gaurama e Seberi: R$ 68,00
- Arroio do Meio, Lajeado e Montenegro: R$ 69,00
No interior do estado, produtores seguem firmes nos pedidos, com preços entre R$ 65,00 e R$ 70,00 por saca, sem intenção de reduzir os valores.
Paraná: queda nas cotações nas principais regiões produtoras
O mercado do milho também segue travado no Paraná. Os preços recuaram nas principais regiões:
- Oeste: R$ 59,36 (-1,17%)
- Região Metropolitana de Curitiba: R$ 61,46 (-1,13%)
- Norte Central: R$ 60,32 (-1,15%)
- Centro Oriental: R$ 61,10 (-1,13%)
Nos Campos Gerais, o milho disponível para entrega imediata é negociado a R$ 76,00 FOB, com produtores pedindo até R$ 80,00. Para entrega em junho, com pagamento no fim do mês, o preço gira em torno de R$ 73,00 CIF, especialmente para a indústria.
Mato Grosso do Sul: mercado continua parado e com preços baixos
Em Mato Grosso do Sul, o cenário é de estagnação nas negociações. Os preços por saca são:
- Dourados, Campo Grande e Caarapó: R$ 58,00
- Maracaju: R$ 57,00
- Chapadão do Sul e São Gabriel do Oeste: R$ 55,00
- Sidrolândia e Ponta Porã: R$ 56,00
Fora do estado, os valores são mais elevados devido à influência das exportações:
- Pagua: R$ 68,00
- Porto de Santos: R$ 68,50
Mercado futuro reage com alta, apesar da pressão no físico
Na B3, os contratos futuros de milho fecharam em alta nesta segunda-feira (26), impulsionados pela valorização do dólar. A Bolsa de Chicago esteve fechada, mas fatores externos, como o excesso de chuvas na Argentina, tempestades nos Estados Unidos e previsão de geadas no Centro-Sul do Brasil, contribuíram para a elevação dos preços internacionais.
Mesmo assim, o mercado interno permanece pressionado pela ampliação da oferta no spot. Segundo o Cepea, o avanço da colheita da segunda safra no Paraná e em partes do Mato Grosso aumentou o volume disponível, o que reduziu o ímpeto comprador diante da perspectiva de uma colheita robusta.
O setor também acompanha com atenção os possíveis efeitos de um caso confirmado de gripe aviária em uma granja comercial, o que pode impactar a demanda.
Desempenho dos contratos futuros na B3:
- Julho/25: R$ 63,60 (+R$ 0,41 no dia / +R$ 1,53 na semana)
- Setembro/25: R$ 68,57 (+R$ 0,84 no dia / +R$ 1,57 na semana)
- Novembro/25: R$ 64,91 (+R$ 0,57 no dia / +R$ 1,74 na semana)
Mesmo com o desempenho positivo dos contratos futuros, o mercado físico do milho segue travado em várias regiões do Brasil, influenciado por posturas conservadoras tanto de vendedores quanto de compradores, além de fatores climáticos e sanitários que geram incertezas no curto prazo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Sudeste supera Centro-Oeste em custo alimentar e confinamento registra lucro recorde em 2026
Published
1 hora agoon
23 de abril de 2026By
Da Redação
O custo alimentar do confinamento bovino no Brasil apresentou uma mudança inédita na dinâmica entre as principais regiões produtoras em março de 2026. Pela primeira vez no ano, o Sudeste registrou custo inferior ao Centro-Oeste, segundo dados do Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP).
O indicador, baseado em dados reais de confinamentos que representam cerca de 62% das cabeças confinadas no país, evidencia uma nova configuração de competitividade regional, ao mesmo tempo em que a atividade atinge níveis recordes de rentabilidade.
Sudeste registra menor custo alimentar e quebra padrão histórico
Em março, o ICAP no Centro-Oeste fechou em R$ 13,23 por cabeça/dia, alta de 11,93% em relação a fevereiro, pressionado principalmente pelo encarecimento de insumos energéticos e volumosos.
Já no Sudeste, o índice foi de R$ 12,19, com recuo de 3,64% no mesmo período. O resultado consolidou a tendência de queda iniciada em fevereiro e marcou a inversão regional, com diferença de R$ 1,04 a favor do Sudeste.
Na comparação anual, ambas as regiões apresentam redução de custos. O Centro-Oeste acumula queda de 4,89%, enquanto o Sudeste registra recuo mais expressivo de 8,14% frente a março de 2025.
Insumos pressionam custos no Centro-Oeste
No acumulado do primeiro trimestre de 2026, o Centro-Oeste encerrou março acima da média do período, refletindo a pressão concentrada no último mês.
Os principais movimentos foram:
- Volumosos: alta de 21,02%
- Energéticos: alta de 12,35%
- Proteicos: estabilidade (-0,30%)
O aumento foi impulsionado principalmente pelos energéticos, com destaque para o milho grão seco (+2,2%) e o sorgo (+6,9%), em meio à transição entre a safra de verão e a expectativa da safrinha.
Nos volumosos, a elevação foi puxada pela silagem de capim (+30,4%), mesmo com recuos em itens como a silagem de milho (-8,1%).
Sudeste reduz custos com maior oferta de insumos
No Sudeste, o custo alimentar encerrou março 1,79% abaixo da média trimestral, influenciado principalmente pela queda nos insumos energéticos e proteicos.
Os destaques foram:
- Energéticos: queda de 8,74%
- Proteicos: queda de 5,11%
- Volumosos: alta de 43,75%
Entre os energéticos, houve recuo no preço do sorgo (-15,3%) e do milho (-1,5%), reflexo da maior disponibilidade e competitividade de coprodutos agroindustriais.
Nos proteicos, a redução foi puxada pela torta de algodão (-8,2%) e pelo DDG (-2,1%). Apesar da forte alta nos volumosos, especialmente silagem de cana (+65,1%) e bagaço de cana (+23,3%), o custo total da dieta foi reduzido na região.
Rentabilidade do confinamento atinge níveis recordes
A relação entre custo alimentar e preço da arroba manteve o confinamento em um dos melhores momentos de lucratividade da série recente.
No mercado físico:
- Centro-Oeste
- Custo da arroba produzida: R$ 192,76
- Preço da arroba: R$ 345,00
- Lucro: R$ 1.278,79 por cabeça
- Sudeste
- Custo da arroba produzida: R$ 193,50
- Preço da arroba: R$ 350,00
- Lucro: R$ 1.267,65 por cabeça
As duas regiões registraram crescimento superior a 24% na rentabilidade em relação a fevereiro, com margens acima de R$ 1,2 mil por animal.
Convergência de custos e competitividade entre regiões
Outro destaque foi a forte aproximação no custo por arroba produzida entre as regiões. A diferença caiu para apenas R$ 0,74 em março, ante mais de R$ 17 no mês anterior.
Esse movimento indica uma equalização da competitividade entre Centro-Oeste e Sudeste, reforçada também por um empate técnico na lucratividade — com diferença inferior a R$ 12 por cabeça.
No mercado de exportação, o Sudeste apresenta leve vantagem, com lucro estimado em R$ 1.324,35 por animal, impulsionado por preços mais elevados do boi destinado à China.
Inversão de custos levanta dúvidas sobre tendência para 2026
A mudança no padrão regional de custos, considerada atípica para a pecuária brasileira, levanta questionamentos sobre sua continuidade.
Enquanto o Centro-Oeste foi pressionado pela alta dos energéticos (+16,55%) e volumosos (+15,18%), o Sudeste se beneficiou da queda nos energéticos (-9,56%) e proteicos (-7,71%), favorecida pela maior oferta de coprodutos.
A consolidação ou não desse novo cenário dependerá, principalmente, do desempenho da safrinha de milho ao longo do ano.
ICAP se consolida como ferramenta estratégica no confinamento
O ICAP é calculado com base em dados de confinamentos monitorados por tecnologias de gestão, incluindo sistemas amplamente utilizados no Brasil.
O índice reúne milhões de registros de alimentação animal e permite acompanhar mensalmente a evolução dos custos nas principais regiões produtoras.
Segundo especialistas, a ferramenta tem se consolidado como apoio estratégico para decisões de compra de insumos, análise de viabilidade econômica e planejamento da atividade de confinamento.

Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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