AGRONEGÓCIO
Mercado do milho segue travado no Brasil enquanto Chicago recua e B3 reage a clima frio
Publicado em
25 de junho de 2025por
Da Redação
O mercado do milho no Brasil continua com baixa liquidez e pouca movimentação em diversas regiões produtoras. Segundo a TF Agroeconômica, os preços seguem estáveis no Rio Grande do Sul, mas sem estímulos para negociações. Os vendedores mantêm as pedidas firmes, o que tem dificultado a concretização de negócios, mesmo diante de ofertas próximas às cotações praticadas.
As referências permanecem nos seguintes patamares:
- Santa Rosa e Ijuí: R$ 66,00/saca
- Não-Me-Toque: R$ 67,00
- Marau e Gaurama: R$ 68,00
- Seberi: R$ 69,00
- Arroio do Meio, Lajeado e Montenegro: R$ 70,00
Em Santa Catarina, o cenário é semelhante. No Planalto Norte, os pedidos giram em torno de R$ 82,00, mas as ofertas não passam de R$ 79,00. Em Campos Novos, o descompasso é ainda maior, com pedidas entre R$ 83,00 e R$ 85,00, frente a ofertas de até R$ 80,00. A média estadual está em R$ 71,00, com fortes variações entre as regiões, como:
- Joaçaba: R$ 72,70
- Chapecó: R$ 77,13
- Palma Sola: R$ 62,00
- Rio do Sul: R$ 66,00
No Paraná, além da falta de consenso entre produtores e compradores, o avanço das geadas preocupa. Em Campos Gerais, o milho disponível é ofertado a R$ 76,00/saca FOB, com registros pontuais a R$ 80,00. Já as ofertas CIF para junho seguem em R$ 73,00, voltadas principalmente à indústria de rações.
Em Mato Grosso do Sul, o mercado segue com liquidez reduzida e queda nas cotações. As últimas referências apontam:
- Dourados: R$ 48,31
- Campo Grande: R$ 52,00
- Maracaju: R$ 50,00
- Sidrolândia: R$ 53,00
- Chapadão do Sul: R$ 47,52
Milho recua na Bolsa de Chicago com clima favorável nos EUA
Na manhã desta quarta-feira (25), os contratos futuros do milho registraram novas baixas na Bolsa de Chicago (CBOT). Por volta das 7h20 (horário de Brasília), as perdas variavam entre 2 e 3 pontos:
- Julho: US$ 10,44 por bushel
- Setembro: US$ 10,27 por bushel
O desempenho negativo reflete, principalmente, o bom desenvolvimento da safra norte-americana, com clima adequado e previsões de chuvas que devem favorecer as lavouras. Além disso, o mercado segue pressionado pelas baixas no trigo e pela fraca demanda pelo cereal dos Estados Unidos.
Investidores também permanecem atentos ao cenário geopolítico, com foco no conflito no Oriente Médio, e à movimentação do petróleo, que voltou a subir quase 1% após perdas recentes de 14%.
Milho B3 sobe com frio e atraso na colheita da safrinha
Na contramão de Chicago, os contratos futuros do milho na B3 (Bolsa de Mercadorias de São Paulo) encerraram a terça-feira (25) em alta. O avanço foi impulsionado por preocupações com o clima frio no Brasil e o ritmo lento da colheita da segunda safra, fatores que deram sustentação aos preços no mercado interno.
Segundo a TF Agroeconômica, a onda de frio acendeu um alerta para as lavouras ainda não colhidas. A Conab informou que apenas 10,3% da área da safrinha foi colhida até agora, contra 28% no mesmo período do ano passado e abaixo da média de cinco anos, de 17,5%. Mesmo com os atrasos, a expectativa é de uma produção robusta, o que mantém o mercado em compasso de espera até que um volume maior chegue efetivamente ao mercado.
- Na B3, os principais contratos fecharam em alta:
- Julho/25: +R$ 0,81, fechando em R$ 64,59
- Setembro/25: +R$ 0,53, fechando em R$ 67,73
Resumo do cenário
O mercado de milho vive um momento de contrastes: enquanto a comercialização segue travada nas principais regiões produtoras do Brasil e o clima preocupa, os preços futuros reagem positivamente na B3. Em Chicago, no entanto, a tendência permanece de baixa, influenciada pelas boas perspectivas climáticas nos Estados Unidos e pela demanda ainda contida.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Egito e África do Sul dominam mercado global de laranja de mesa e ampliam pressão sobre concorrentes
Published
1 hora agoon
23 de junho de 2026By
Da Redação
O mercado global de laranja de mesa passa por uma profunda transformação. Impulsionados pelo crescimento da produção, ganhos de competitividade e expansão das exportações, Egito e África do Sul consolidaram sua liderança no comércio internacional da fruta fresca e devem responder por quase 69% das exportações mundiais em 2026.
Levantamento da CitrusBR, com base nos relatórios anuais Citrus: World Markets and Trade do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), mostra que os dois países adicionaram cerca de 300 milhões de caixas de 40,8 quilos ao mercado global entre 2010 e 2026.
O avanço evidencia uma mudança estrutural no setor citrícola mundial, com novos protagonistas ocupando espaços historicamente dominados por grandes exportadores tradicionais.
Participação global cresce de 48% para quase 69%
Em 2010, o comércio internacional de laranja de mesa movimentava aproximadamente 97,9 milhões de caixas. Naquele período, Egito e África do Sul exportavam juntos 47,6 milhões de caixas, o equivalente a 48,6% do mercado global.
Para 2026, a expectativa é que as exportações mundiais alcancem 121,1 milhões de caixas, crescimento de 23,6% em relação a 2010. Desse total, os dois países africanos deverão embarcar 83,3 milhões de caixas, ampliando sua participação para quase 69% do comércio global.
Enquanto isso, o chamado “Resto do Mundo” perdeu espaço. O grupo formado por exportadores tradicionais, incluindo Estados Unidos, países europeus, Turquia e Marrocos, deverá reduzir suas exportações de 50,3 milhões para 37,8 milhões de caixas no mesmo período.
Greening e clima reduzem competitividade dos Estados Unidos
A retração dos concorrentes foi determinante para o crescimento dos países africanos.
Nos Estados Unidos, a disseminação do greening nos pomares da Flórida e os eventos climáticos adversos na Califórnia provocaram forte queda na produção e nas exportações. Os embarques americanos, que somavam 18,3 milhões de caixas em 2010, devem recuar para apenas 8 milhões de caixas em 2026, uma redução de 56%.
A Europa também enfrenta desafios significativos. Secas prolongadas, restrições hídricas e doenças nos pomares contribuíram para uma redução de quase 14 milhões de caixas na produção ao longo dos últimos anos.
Com menor disponibilidade de fruta para exportação, os produtores europeus perderam competitividade no mercado internacional, abrindo espaço para novos fornecedores.
África do Sul amplia produção e conquista novos mercados
A África do Sul foi uma das maiores beneficiadas pela reorganização do comércio mundial de laranjas.
Segundo o USDA, a produção sul-africana avançou de 35 milhões para 46,5 milhões de caixas entre 2010 e 2026, crescimento de aproximadamente 33%.
As exportações apresentaram desempenho ainda mais expressivo, saltando de 23,1 milhões para 36,7 milhões de caixas, avanço de 60%.
Além da União Europeia, tradicional destino da fruta sul-africana, mercados como China, Rússia e Estados Unidos passaram a desempenhar papel estratégico para o setor exportador do país.
Egito fortalece competitividade e acelera expansão internacional
O Egito também consolidou sua ascensão como potência exportadora de laranja de mesa, especialmente a partir de 2016.
A expansão foi impulsionada por fatores como desvalorização cambial, acordos comerciais com tarifas preferenciais, custos de produção mais competitivos, incentivos governamentais e linhas de financiamento apoiadas por parceiros europeus.
Esse conjunto de medidas permitiu ao país ampliar rapidamente sua participação nos mercados internacionais e fortalecer sua posição entre os maiores exportadores globais de frutas frescas.
Avanço africano também impacta mercado de suco de laranja
Embora o Brasil permaneça como líder absoluto na produção e exportação de suco de laranja, o crescimento de Egito e África do Sul acende um alerta para a cadeia citrícola global.
Segundo análise da CitrusBR, enquanto os dois países ampliaram sua presença no segmento de fruta fresca, o Brasil deixou de exportar aproximadamente 570 milhões de caixas de laranja na forma de suco ao longo do período analisado.
De acordo com o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto, a expansão egípcia merece atenção especial por envolver não apenas a exportação de fruta in natura, mas também o aumento da capacidade de processamento.
“Enquanto a África do Sul concentrou seus esforços no mercado de fruta fresca, o Egito ampliou sua presença tanto nas exportações de laranja de mesa quanto no processamento industrial, tornando-se um concorrente cada vez mais relevante, especialmente no mercado europeu”, destaca.
Mercado acompanha crescimento da indústria egípcia
As projeções do USDA indicam que o Egito deverá processar cerca de 22 milhões de caixas de laranja nesta temporada, volume próximo ao total de fruta fresca exportada pelo país em 2010.
Caso as estimativas se confirmem, o mercado internacional poderá receber aproximadamente 78 mil toneladas equivalentes de suco de laranja provenientes do país africano.
O aumento da oferta ocorre em um momento de desaceleração da demanda global, cenário que reforça a competição entre os principais exportadores e amplia os desafios para a indústria citrícola mundial nos próximos anos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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