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Mercado do milho segue cauteloso nesta quarta-feira, com clima e safrinha no radar, aponta TF Agroeconômica

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O mercado brasileiro de milho opera em ambiente de cautela nesta quarta-feira (27), com negociações lentas e investidores acompanhando de perto as condições climáticas da safrinha, a movimentação da Bolsa Brasileira (B3) e o comportamento do mercado internacional. Segundo análises da TF Agroeconômica, o setor continua dividido entre preocupações com o potencial produtivo da segunda safra e a pressão exercida pelo avanço da oferta em algumas regiões produtoras.

Na B3, os contratos futuros do milho vêm registrando oscilações moderadas, refletindo a combinação entre fatores climáticos, comportamento do dólar e movimentações em Chicago. O mercado também acompanha a evolução das exportações brasileiras e a demanda da indústria de etanol de milho, que segue dando suporte parcial aos preços internos.

O cenário climático permanece como principal fator de atenção para os agentes do mercado. Em diversas regiões do Centro-Oeste e do Paraná, produtores monitoram irregularidade das chuvas e episódios de estresse hídrico nas lavouras da segunda safra. Relatórios recentes indicam preocupação especialmente em Goiás, Mato Grosso do Sul e parte do Paraná, onde parte das áreas foi implantada fora da janela ideal.

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Ao mesmo tempo, consultorias seguem revisando números da safra brasileira. Em Mato Grosso, estimativas apontam produção robusta, reforçando a expectativa de maior oferta nos próximos meses, o que limita movimentos mais fortes de alta nas cotações.

Mercado físico segue travado em várias regiões

No mercado físico, a comercialização continua lenta em boa parte do país. A diferença entre os preços pedidos pelos produtores e os valores ofertados pelos compradores mantém baixa liquidez nos negócios.

No Rio Grande do Sul, as negociações seguem pontuais, com preços variando entre R$ 56,00 e R$ 65,00 por saca, dependendo da região e da qualidade do produto. Em Santa Catarina, produtores mantêm pedidas próximas de R$ 75,00, enquanto compradores trabalham em níveis mais próximos de R$ 65,00, dificultando o fechamento de negócios.

No Paraná, o mercado continua pressionado pela expectativa de uma safrinha volumosa, apesar das preocupações climáticas. As indicações giram próximas de R$ 65,00 por saca, com compradores atuando de forma seletiva.

Já em Mato Grosso do Sul, o setor de bioenergia segue absorvendo parte da produção e ajudando a sustentar o mercado, embora a liquidez ainda permaneça reduzida.

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Exportações e câmbio seguem no radar do setor

As exportações brasileiras de milho continuam sendo acompanhadas de perto pelo mercado. Dados recentes mostram crescimento dos embarques em relação ao mesmo período do ano anterior, reforçando a competitividade do cereal brasileiro no mercado internacional.

Além disso, o comportamento do dólar continua influenciando diretamente a formação de preços internos. A valorização da moeda norte-americana tende a favorecer as exportações e oferecer sustentação ao mercado doméstico, especialmente em momentos de maior pressão sobre Chicago.

Para a TF Agroeconômica, o mercado deve permanecer sensível às atualizações climáticas nas próximas semanas, principalmente durante o desenvolvimento final da safrinha. O comportamento da demanda doméstica, os custos logísticos e a evolução das exportações também seguirão como fatores decisivos para a direção dos preços do milho no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Crédito para silos terá juros de 8% em país com gargalo crescente

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Produtores e cooperativas que pretendem construir, ampliar ou modernizar armazéns já conhecem as condições do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) para o ano agrícola 2026/27. O crédito, porém, ainda não pode ser contratado: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informa que a data de abertura dos pedidos será comunicada posteriormente às instituições financeiras.

Projetos de armazenagem de grãos com capacidade de até 12 mil toneladas terão taxa prefixada de até 8% ao ano. Nos demais empreendimentos enquadrados no programa, os juros poderão chegar a 9,5% ao ano.

O limite é de R$ 50 milhões por produtor e por ano agrícola para armazenagem de grãos. Para cooperativas de produção, o teto sobe para R$ 200 milhões. Nos projetos destinados a outros produtos financiáveis, o máximo é de R$ 25 milhões. A participação do BNDES pode alcançar 100% dos itens aprovados.

O prazo de pagamento será de até dez anos, com carência máxima de dois anos. As garantias serão negociadas entre o interessado e a instituição financeira credenciada. O programa ficará vigente até 30 de junho de 2027.

Além dos grãos, o PCA permite financiar armazéns e câmaras frias destinados a frutas, tubérculos, bulbos, hortaliças, fibras, açúcar e determinados derivados. Também podem ser apoiadas reformas, ampliações e modernizações, desde que os equipamentos atendam aos critérios estabelecidos pelo banco.

As novas condições são divulgadas em um momento de pressão crescente sobre a infraestrutura. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção brasileira de grãos da safra 2025/26 em 360,8 milhões de toneladas. Já a capacidade útil de armazenagem alcançou 233,8 milhões de toneladas no segundo semestre de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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A diferença entre os dois números, contudo, não representa automaticamente o déficit nacional. A produção ocorre ao longo de diferentes safras, e uma mesma estrutura pode receber e expedir mais de um lote durante o ano. Parte dos grãos também segue diretamente para indústrias, portos e consumidores. Ainda assim, a distância entre o crescimento das colheitas e a expansão dos armazéns revela um gargalo estrutural.

Entre 2010 e 2025, a capacidade estática brasileira cresceu, em média, 2,8% ao ano, enquanto a produção avançou 5% ao ano, segundo levantamento do Observatório Nacional de Transporte e Logística, ligado à Infra S.A. Com base na produção de 2023/24, o estudo calculou um déficit potencial de 88,5 milhões de toneladas.

A situação varia fortemente entre as regiões. Naquele levantamento, o Sudeste apresentava capacidade equivalente a 126,8% da produção regional, beneficiado principalmente pela estrutura existente em São Paulo. O Sul atingia 88,2%. No Centro-Oeste, principal região produtora do país, a proporção caía para 57,9%. Nordeste e Norte apresentavam os menores índices, de 54,2% e 45%, respectivamente.

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Mato Grosso mostra com clareza essa contradição. O Estado possui a maior capacidade instalada do Brasil, com 64,2 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do IBGE. Mesmo assim, por liderar a produção nacional de soja e milho, apresentou no estudo da Infra S.A. a maior necessidade absoluta de armazenagem, estimada em aproximadamente 40,9 milhões de toneladas.

Goiás aparecia com carência próxima de 13 milhões de toneladas. Bahia, Maranhão, Tocantins e Piauí também estavam entre os pontos de maior pressão, refletindo o crescimento da produção em áreas nas quais a infraestrutura não avançou na mesma velocidade. No Sul, apesar da situação comparativamente melhor, Paraná e Rio Grande do Sul ainda registravam insuficiência de capacidade.

Para o produtor, o silo próprio pode reduzir a dependência de armazéns de terceiros, evitar filas durante a colheita e permitir que a venda seja feita em um momento mais favorável. A estrutura também pode diminuir gastos com transporte emergencial e perdas de qualidade.

A decisão exige, porém, um cálculo que vá além da taxa de juros. Construção, secagem, energia, manutenção, seguro, mão de obra, licenciamento e capacidade de utilização ao longo do ano interferem no retorno do investimento. Com as condições já divulgadas, o próximo passo será a abertura efetiva das contratações pelo BNDES.

Fonte: Pensar Agro

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