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Mercado do boi gordo: preços em ajuste e exportações aquecidas

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Um relatório divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA trouxe uma análise abrangente sobre os fatos recentes do setor pecuário e as atualizações nas perspectivas para as principais commodities agrícolas. Entre os destaques, está o desempenho do boi gordo, que apresentou uma leve queda nos preços, apesar do forte fluxo de exportação no início de 2025.

Preço do boi gordo em queda, mas exportações seguem em altaEntre fevereiro e a primeira quinzena de março, o preço do boi gordo registrou um ajuste negativo, acompanhando um movimento semelhante no setor de carne bovina. Apesar da boa oferta de gado para abate, as exportações continuaram em ritmo positivo, superando os volumes registrados no primeiro bimestre de 2024.

Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o abate de bovinos no quarto trimestre de 2024 totalizou 39,3 milhões de cabeças, um aumento de 15,2% em relação a 2023. O abate de fêmeas (vacas e novilhas) cresceu 19%, atingindo um recorde de 16,9 milhões de cabeças, o equivalente a 43% do total. A produção de carne cresceu 14,2% no período, totalizando 10,2 milhões de toneladas equivalentes carcaça (TEC). Descontadas as exportações e acrescidas as importações, o consumo aparente ficou em 6,74 milhões de TEC, 9% acima do registrado em 2023.

O mercado do bezerro também mostrou movimentação. Apesar da valorização ao longo do segundo semestre de 2024, os abates de fêmeas no Mato Grosso permaneceram elevados no início deste ano, conforme apontam os dados do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (INDEA), compilados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA).

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Em relação aos preços, o boi gordo recuou de R$ 325/@ para R$ 310/@ entre fevereiro e a segunda quinzena de março, uma queda de 4,4%. A carcaça casada também registrou retração, embora em menor intensidade, sem impactar significativamente o spread da indústria. Por outro lado, o preço do bezerro em Mato Grosso do Sul subiu 2,4% no mesmo período.

Exportações de carne bovina batem recordes, mas preço médio caiAs exportações de carne bovina in natura continuaram firmes e registraram um novo recorde para fevereiro, com 190,5 mil toneladas exportadas. O volume representa um aumento de 6,7% em relação a fevereiro de 2023 e de 3% no acumulado do primeiro bimestre. No entanto, o preço médio da carne exportada recuou 2% em relação ao mês anterior, após seis meses consecutivos de alta. Esse ajuste foi acompanhado pela desvalorização do dólar em fevereiro, reduzindo o spread das exportações de 8% em janeiro para 3% no mês seguinte.

Perspectivas para o mercado: exportações sustentam equilíbrio dos preçosA tendência é que o bom desempenho das exportações continue a exercer um papel crucial na absorção da oferta e no equilíbrio dos preços do boi gordo. Apesar da ampla disponibilidade de gado terminado, é possível que o ritmo de abate de fêmeas diminua a partir dos próximos meses, após o período mais intenso de descarte de fêmeas vazias.

No mercado futuro, os contratos de boi gordo reagiram no início de março. Os vencimentos para a safra (maio e junho) se afastaram do patamar de R$ 300/@, enquanto os contratos para a entressafra (outubro e novembro) superaram R$ 340/@. Esse movimento eliminou o desconto que existia entre os contratos com vencimento em março e maio de 2025.

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A reação do mercado futuro está atrelada às expectativas de aumento da demanda externa, impulsionadas pela notícia de que a China não renovará licenças de exportação para frigoríficos de carne bovina dos Estados Unidos. Além disso, a China impôs uma tarifa de 15% sobre a carne bovina americana, em resposta às tarifas impostas pelo governo dos EUA a produtos chineses. Há também boas perspectivas com a possível abertura do mercado do Vietnã e do Japão para a carne bovina brasileira, além da habilitação de novas plantas frigoríficas para exportação à China.

Apesar do otimismo, é importante considerar que o Brasil já é o maior fornecedor externo de carne bovina para a China, e a demanda por cortes brasileiros é distinta daquela dos Estados Unidos. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) atualizou recentemente suas projeções e prevê uma leve queda de 0,6% na produção chinesa de carne bovina em 2025, com aumento de 2,2% nas importações, que devem atingir 3,8 milhões de toneladas. Para a Austrália, a expectativa é de crescimento na produção e nas exportações, impulsionado pelos altos níveis de abate de fêmeas.

Diante desse cenário, as exportações seguirão como um fator-chave para o equilíbrio do mercado do boi gordo ao longo de 2025.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil confirma dumping no leite importado, mas tarifa não sai do papel

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O governo brasileiro confirmou que empresas da Argentina e do Uruguai venderam leite em pó ao País em condições desleais, mas manteve suspensas as tarifas criadas para proteger o produtor nacional. A decisão mantém o produto estrangeiro entrando sem a cobrança adicional enquanto são avaliados os efeitos da medida sobre a indústria e os consumidores.

A investigação do Departamento de Defesa Comercial (Decom), ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), encontrou dumping e prejuízo à produção brasileira. A prática ocorre quando uma empresa exporta um produto por valor artificialmente baixo, prejudicando os concorrentes no mercado comprador.

Em junho, o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) aprovou tarifas diferentes para cada exportador, com vigência prevista até 8 de junho de 2031. Dependendo da empresa, a cobrança poderia superar 100% do preço médio do leite em pó importado.

A própria resolução, porém, suspendeu imediatamente a aplicação das tarifas por razões de interesse público. Com isso, o dumping foi reconhecido, mas o leite argentino e uruguaio continua entrando no Brasil sem a medida de defesa comercial.

No fim de julho, o governo abriu uma avaliação para calcular os possíveis efeitos da cobrança sobre produção, distribuição, comércio e consumo. Não há prazo definido para que o Gecex tome uma decisão final.

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A suspensão provocou reação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e de entidades da cadeia leiteira. O setor argumenta que o produto importado reduz o preço pago ao pecuarista e atinge principalmente pequenas e médias propriedades, com menor capacidade para suportar períodos prolongados de baixa remuneração.

“Não adianta reconhecer que há mais de 60% de dumping nesse leite em pó que entra no Brasil e não aplicar as tarifas”, afirmou o presidente da FPA, Pedro Lupion. Segundo ele, a concorrência está retirando produtores da atividade e afetando a economia de pequenos municípios.

A pressão das importações aumentou neste ano. Dados apresentados pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostram que o País importou o equivalente a 1,02 bilhão de litros de leite em produtos lácteos entre janeiro e maio, recorde para o período e crescimento de 10,5% em relação a 2025.

O leite em pó respondeu pelo equivalente a 754 milhões de litros. Argentina e Uruguai forneceram 653 milhões, ou 86% desse volume. Como o produto é reidratado e utilizado por indústrias de alimentos, sua entrada influencia a demanda pelo leite cru produzido no Brasil.

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A CNA sustenta que a tarifa não provocaria aumento relevante no custo da alimentação porque atingiria apenas o leite em pó não fracionado, vendido em embalagens superiores a 800 gramas e utilizado principalmente como insumo industrial. Leite em pó embalado para o consumidor, leite longa vida e queijos não estão incluídos na medida.

O processo foi aberto em dezembro de 2024, após pedido da CNA. A investigação concluiu que houve dumping, dano à cadeia produtiva brasileira e relação entre as importações e o prejuízo interno.

Agora, a disputa está concentrada na aplicação das tarifas. Para o produtor, o reconhecimento da prática tem pouco efeito enquanto a cobrança permanecer suspensa. A proteção somente chegará ao mercado se o Gecex concluir que o benefício para a pecuária leiteira supera eventuais impactos sobre a indústria e os preços ao consumidor.

Fonte: Pensar Agro

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