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Mercado de trigo segue travado no Sul do Brasil, enquanto cenário global aponta safra promissora

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Rio Grande do Sul: retração na área e queda nos preços

O mercado de trigo no Rio Grande do Sul permanece lento, com pouca movimentação tanto nas negociações físicas quanto nos contratos futuros. Segundo a TF Agroeconômica, os moinhos consideram alto o preço de R$ 1.330,00 por tonelada para o trigo local, enquanto o valor projetado para o trigo argentino em dezembro já é inferior a esse patamar. Além disso, a venda de sementes caiu drasticamente no estado — apenas 35% do volume foi comercializado, representando uma redução de 65% na utilização. Estima-se que ainda restem entre 320 mil e 370 mil toneladas de trigo para negociação interna. No mercado externo, o preço de exportação para dezembro está em torno de R$ 1.305,00 por tonelada.

Santa Catarina: lentidão nas vendas e queda nas projeções de produção

Em Santa Catarina, o ritmo do mercado também segue lento e depende da demanda por farinha. Os moinhos indicam preços entre R$ 1.420 e R$ 1.430 CIF, enquanto o preço das sementes gira em torno de R$ 1.500 FOB. O trigo proveniente do Rio Grande do Sul chega ao estado por valores entre R$ 1.480 e R$ 1.500 CIF. A nova safra ainda carece de indicações concretas, mas há relatos de queda de aproximadamente 20% nas vendas de sementes em relação ao ano anterior. A Conab projeta uma redução de 6,3% na produção catarinense, apesar do leve aumento na área cultivada. Os preços da saca seguem estáveis nas principais praças: Canoinhas (R$ 78,00), Chapecó (R$ 75,00), Joaçaba (R$ 76,00), Rio do Sul e São Miguel do Oeste (R$ 78,00) e Xanxerê (R$ 80,00).

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Paraná: mercado travado e disputa entre compradores e vendedores

O mercado da safra velha no Paraná permanece travado. Os vendedores pedem pelo menos R$ 1.550 por tonelada (FOB), enquanto os compradores oferecem até R$ 1.500 por tonelada, posto moinho, com entrega prevista para julho e pagamento em agosto. Já o trigo gaúcho chega a R$ 1.350 FOB, acrescido de frete e ICMS. Para a safra nova, as indicações de compra estão em R$ 1.400 por tonelada para outubro e R$ 1.350 para novembro, mas ainda não há oferta por parte dos produtores. O trigo argentino, com forte presença no mercado, tem cotação de cerca de R$ 1.500 CIF moinho, e o paraguaio é negociado a US$ 285 CIF no norte do estado. O preço da saca teve queda de 0,70% na semana, ficando em R$ 78,70, mas ainda proporciona margem de lucro de 7,03% ao produtor, segundo o Deral.

Cenário global: projeções positivas para a safra de trigo em 2024

Durante a Conferência de Grãos do Conselho Internacional de Grãos (IGC), realizada em Londres nos dias 10 e 11 de junho, especialistas apresentaram perspectivas otimistas para a safra global de trigo. A meteorologista Isabelle Tranter, da Aura Commodities Ltd., destacou que a Europa deverá produzir cerca de 140 milhões de toneladas em 2024, beneficiada por um clima mais seco e aumento da área plantada em países como França, Alemanha e Reino Unido. Embora haja algumas preocupações na França e na Polônia, a produção deve se manter sólida. Na Rússia e na Ucrânia, a produção deve permanecer estável, enquanto nos Estados Unidos há expectativa de crescimento de cerca de 1 milhão de toneladas na safra de trigo de inverno, mesmo com os efeitos do fenômeno La Niña. Em contrapartida, a China enfrenta perdas devido às altas temperaturas e à seca.

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Soja, leguminosas e etanol também ganham destaque no IGC

Além do trigo, o evento abordou outros temas relevantes. Rosalind Leeck, do Conselho de Exportação de Soja dos EUA, afirmou que, apesar da perda de participação no mercado chinês após a guerra comercial de 2017, os EUA têm ampliado seus mercados para a Europa, Norte da África, Sudeste Asiático e México. A crescente regulamentação ambiental na União Europeia pode favorecer a soja americana no continente.

No setor de leguminosas, Sudhakar Tomar, da Aliança Agrícola Índia-Oriente Médio, apontou que a produção mundial dobrou desde 1980, mas o déficit europeu persiste. Milan Shah, da Global Pulses Confederation, ressaltou a importância de manter o comércio internacional aberto para equilibrar oferta e demanda.

Já no setor de biocombustíveis, Doug Berven, da POET, destacou o crescimento da produção de etanol nos Estados Unidos. No entanto, David Carpintero, da ePURE, alertou que o novo acordo comercial entre Reino Unido e EUA pode prejudicar a produção britânica de etanol, ao eliminar tarifas para o produto americano.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Selic a 14,50% pressiona crédito e leva agroindústrias a buscar linhas subsidiadas para investir

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Mesmo com a taxa básica de juros em 14,50% ao ano, o custo do capital segue como um dos principais fatores nas decisões estratégicas das empresas, especialmente no agronegócio. Em um ambiente de crédito mais caro e restritivo, agroindústrias têm intensificado a busca por linhas subsidiadas para financiar investimentos, modernização e expansão.

A definição da taxa pelo Banco Central mantém o crédito tradicional em patamares elevados, impactando diretamente o planejamento corporativo. Projetos passam a ser analisados com maior rigor, considerando retorno ajustado ao risco, impacto no fluxo de caixa e estrutura de capital.

Crédito caro adia investimentos no agro

Com a alta da Selic, operações atreladas ao CDI acompanham o movimento da política monetária, encarecendo financiamentos e reduzindo a viabilidade de projetos, principalmente os de longo prazo e maior intensidade tecnológica.

Nesse cenário, empresas enfrentam um dilema: investir para ganhar competitividade ou preservar liquidez. O resultado, em muitos casos, é o adiamento de projetos produtivos, como ampliação de plantas industriais, aquisição de máquinas e adoção de novas tecnologias.

Além disso, instrumentos do mercado privado, como debêntures e operações estruturadas, continuam concentrados em grandes empresas com maior acesso a investidores e governança consolidada. Para pequenas e médias empresas (PMEs), o crédito se torna mais restrito, com prazos menores, custos mais altos e exigências mais rígidas de garantias.

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Linhas subsidiadas ganham protagonismo

Diante desse cenário, linhas de crédito subsidiadas operadas por bancos de desenvolvimento voltam ao centro da estratégia financeira das empresas, especialmente no agronegócio e na indústria.

Programas voltados à inovação e à digitalização produtiva têm ampliado a oferta de recursos com condições mais atrativas. Iniciativas conduzidas por instituições como BNDES e Finep priorizam investimentos em tecnologias como automação, robótica, Internet das Coisas (IoT) e manufatura avançada.

Com prazos mais longos, carência ampliada e taxas inferiores às do mercado tradicional, essas linhas alteram significativamente o cálculo de viabilidade dos projetos, permitindo que empresas mantenham seus planos de crescimento mesmo em um ambiente de juros elevados.

PMEs ampliam acesso a investimentos

Para micro, pequenas e médias empresas, o impacto das linhas subsidiadas é ainda mais relevante. O acesso a crédito com condições diferenciadas permite diluir o investimento inicial e viabilizar ganhos de produtividade que seriam inviáveis no crédito tradicional.

No entanto, acessar esses recursos exige mais do que identificar a linha disponível. Cada instituição financeira trabalha com critérios técnicos específicos, incluindo métricas de inovação, exigências regulatórias e modelagem financeira estruturada.

Engenharia financeira vira diferencial competitivo

Nesse contexto, a estruturação do funding ganha papel estratégico. A escolha da fonte de capital — considerando prazo, indexador, custo e exigências — passa a influenciar diretamente a competitividade e a sustentabilidade financeira das empresas.

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Consultorias especializadas têm atuado na chamada engenharia de funding, estruturando operações que combinam diferentes fontes de recursos para reduzir o custo médio da dívida e ampliar a capacidade de investimento.

Casos recentes mostram empresas de setores como agronegócio, engenharia, varejo e recursos humanos acessando linhas como o Pró-Inovação, voltado ao financiamento de projetos tecnológicos, com apoio técnico na estruturação e aprovação dos financiamentos.

Estratégia financeira define crescimento

Com a Selic elevada, o crédito tradicional tende a pressionar margens e alongar o prazo de retorno dos investimentos. Nesse cenário, linhas subsidiadas deixam de ser apenas alternativas e passam a integrar a estratégia financeira das empresas.

A definição correta do funding pode determinar o sucesso ou fracasso de um projeto. Escolhas inadequadas comprometem o fluxo de caixa por anos, enquanto uma estrutura bem planejada sustenta o crescimento e melhora a competitividade.

Empresas que tratam o financiamento como variável estratégica conseguem avançar em suas agendas de modernização, mesmo em um ambiente macroeconômico adverso. Já aquelas que dependem exclusivamente do crédito tradicional tendem a operar de forma mais conservadora, priorizando a preservação de caixa.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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