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Mercado de trigo no Brasil apresenta negócios pontuais em meio a incertezas climáticas

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O mercado de trigo no Brasil tem registrado apenas negócios pontuais, refletindo a postura defensiva dos agentes do setor, motivada tanto pelas quebras de safra em alguns estados quanto pelas incertezas climáticas que ainda podem afetar a qualidade do grão nas regiões onde a colheita não foi concluída. Segundo Elcio Bento, analista da Safras & Mercado, esses fatores têm gerado cautela entre compradores e vendedores, que seguem inflexíveis nas negociações.

“Além do cenário doméstico, os agentes estão atentos às condições das lavouras argentinas. A recente ocorrência de chuvas ajudou a reduzir o déficit hídrico, de acordo com a Bolsa de Buenos Aires. Contudo, as condições das lavouras se deterioraram, o que mantém em dúvida a produção do maior fornecedor de trigo para o Brasil. Enquanto esse cenário de incertezas persiste, os negócios no mercado seguem pontuais, com pouca flexibilidade nos preços”, avaliou Bento.

Mercado no Sul do Brasil

No Rio Grande do Sul, a oferta de trigo da nova safra ainda é limitada, com negócios reportados entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por tonelada. Com o avanço da colheita, a tendência é de que os preços se enfraqueçam, caso não haja problemas significativos com a qualidade do grão. Já no Paraná, o preço de compra na base FOB gira em torno de R$ 1.400 por tonelada. Considerando a quebra consolidada da safra paranaense, é provável que os preços não apresentem grandes quedas nos próximos meses. O custo de aquisição da Argentina e do Rio Grande do Sul deverá balizar as cotações locais.

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Progresso da colheita no Brasil

De acordo com levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até o dia 6 de outubro, a colheita da safra de trigo de 2024 havia atingido 36,7% da área estimada nos principais estados produtores do país (Goiás, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul). Na semana anterior, o índice era de 30,9%, enquanto no mesmo período de 2023, a colheita alcançava 41%.

No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral), ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, indicou que 73% da área estimada de 1,149 milhão de hectares havia sido colhida até o momento. A área de cultivo é 19% menor em relação aos 1,415 milhão de hectares plantados no ano anterior.

No Rio Grande do Sul, a colheita de trigo avançou para 2% da área total, segundo a Emater/RS. Na semana anterior, os trabalhos ainda não haviam atingido 1%, enquanto no mesmo período de 2023, a colheita já alcançava 13%. A média dos últimos cinco anos para o período é de 8%.

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Situação na Argentina

Na Argentina, o déficit hídrico recuou na última semana, embora as condições das lavouras tenham piorado. A Bolsa de Cereais de Buenos Aires não divulgou percentuais precisos sobre a colheita, que ainda se encontra em estágio inicial. Algumas áreas necessitam de chuvas adicionais para sustentar os rendimentos esperados, com boa parte das plantas entrando em estágios críticos de desenvolvimento.

As condições das lavouras argentinas estão divididas entre boas (29%), médias (33%) e ruins (38%). Na semana anterior, os índices eram 36%, 31% e 33%, respectivamente. No mesmo período do ano passado, esses percentuais eram de 14%, 44% e 42%. Atualmente, 49% das lavouras argentinas enfrentam déficit hídrico, comparado a 54% na semana anterior e 50% no mesmo período de 2023.

A área plantada na Argentina é estimada em 6,3 milhões de hectares, superior aos 5,9 milhões do ano passado.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil deve produzir 600 mil toneladas de canola nesta safra

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A canola começa a sair das lavouras brasileiras com uma produção estimada em 601,3 mil toneladas na safra 2025/26, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa crescimento de 74,4% sobre as 344,8 mil toneladas colhidas na temporada anterior e confirma o avanço de uma cultura que fornece óleo para alimentação, farelo para os animais e matéria-prima para biocombustíveis.

A colheita ainda está no início. No Rio Grande do Sul, responsável pela maior parte da produção nacional, aproximadamente 1% das lavouras havia sido colhido até a segunda quinzena de setembro. Cerca de 88% das áreas estavam entre a floração e o enchimento de grãos e outros 9% já se encontravam em maturação, conforme o acompanhamento da assistência técnica estadual.

Isso significa que a safra de canola que aparece nas estatísticas como 2025/26 ainda está no campo. A cultura foi semeada principalmente entre abril e junho de 2026 e deverá ter a colheita concentrada durante a primavera. O plantio da temporada 2026/27, portanto, não começou: ocorrerá somente no primeiro semestre de 2027.

A área cultivada na safra em fase de colheita alcançou 371,1 mil hectares, expansão de 75,1% diante dos 211,9 mil hectares do ciclo anterior. A produtividade média foi estimada pela Conab em 1.620 quilos por hectare, praticamente estável em relação aos 1.627 quilos obtidos em 2024/25.

Os números mostram que o crescimento da produção foi sustentado principalmente pela incorporação de novas áreas. Embora a Associação Brasileira dos Produtores de Canola (Abrascanola) estime 405 mil hectares e um potencial de 607,2 mil toneladas, a referência oficial da Conab permanece em 371,1 mil hectares e 601,3 mil toneladas. A diferença decorre das fontes e metodologias utilizadas nos levantamentos.

O Rio Grande do Sul concentra aproximadamente 353,4 mil hectares, o equivalente a cerca de 95% da área nacional estimada pela Conab. O cultivo também aparece no Paraná, em Santa Catarina e, em menor escala, em outras regiões onde pesquisas procuram adaptar a oleaginosa ao sistema de segunda safra.

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Nas lavouras gaúchas, o desenvolvimento é considerado satisfatório na maior parte das áreas. Os primeiros trabalhos ocorrem em cultivos implantados mais cedo, sobretudo no Noroeste. A evolução da colheita dependerá do amadurecimento dos grãos e de intervalos de tempo seco, necessários para reduzir perdas e preservar a qualidade.

A canola pertence à mesma espécie agrícola da colza, mas foi selecionada para apresentar baixos teores de ácido erúcico no óleo e de glucosinolatos no farelo. Os grãos contêm aproximadamente 38% de óleo, conforme referências técnicas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

A maior parte da produção é destinada à fabricação de óleo comestível. Depois da extração, o farelo rico em proteína pode ser utilizado na alimentação animal, principalmente de bovinos, suínos e aves, respeitadas as formulações nutricionais de cada criação.

O óleo também pode ser empregado na fabricação de biodiesel. Outra possibilidade em estudo é seu aproveitamento na produção de combustível sustentável de aviação, conhecido pela sigla SAF. Esse mercado, entretanto, ainda não está consolidado comercialmente em grande escala no Brasil.

No campo, a canola oferece uma alternativa de renda durante o inverno e amplia a rotação com soja, milho e cereais. Como pertence a uma família botânica diferente, pode ajudar a interromper ciclos de determinadas doenças e plantas daninhas, além de manter o solo coberto e distribuir melhor o uso de máquinas e mão de obra ao longo do ano.

A decisão de plantar exige, porém, comprador previamente definido. A cadeia nacional ainda possui menos pontos de recebimento e esmagamento que a soja, e a distância até a indústria pode reduzir a rentabilidade. A implantação também requer atenção ao tamanho reduzido das sementes, à profundidade de semeadura, ao controle de pragas e ao momento da colheita, porque a abertura das síliquas pode provocar perda de grãos.

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Apesar do crescimento recente, o Brasil ainda ocupa uma posição pequena no mercado internacional. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) projeta produção mundial de 99,97 milhões de toneladas de canola e colza em 2026/27. A safra brasileira equivale a aproximadamente 0,6% desse total.

O USDA não apresenta o Brasil individualmente entre os grandes produtores, incluindo o País no grupo das demais origens. O Canadá lidera a produção entre os países, com previsão de 22,5 milhões de toneladas. A União Europeia, considerada como bloco, deverá colher 20,15 milhões, seguida pela China, com 16,2 milhões, e pela Índia, com 12,4 milhões.

Sozinho, o Canadá produz quase 37 vezes o volume brasileiro. A comparação mostra que o País ainda está distante dos líderes, mas também revela o espaço disponível para crescer. Enquanto a canola ocupa pouco mais de 370 mil hectares no Brasil, as culturas de inverno dispõem de milhões de hectares que permanecem sem atividade comercial em parte do ano.

O ciclo atual será decisivo para saber se a rápida expansão conseguirá se sustentar. Além da produtividade e da qualidade dos grãos, o produtor acompanhará os preços, a capacidade de recebimento das indústrias e o cumprimento dos contratos. Uma colheita próxima de 600 mil toneladas colocará a canola em um novo patamar no País, mas a continuidade dependerá de mercado, assistência técnica e segurança para comercializar a produção.

Fonte: Pensar Agro

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