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Mercado de Grãos: Efeitos do conflito no Mar Negro, exportação de sorgo para a China e estratégias dos fundos de investimento

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O mercado de grãos enfrenta um cenário de incertezas, impulsionado pela intensificação do conflito no Mar Negro e pela recente autorização da China para a importação de sorgo brasileiro. Essas variáveis, somadas às posições estratégicas de fundos de investimento, trazem impactos diretos sobre o comércio global de commodities agrícolas.

Impactos do conflito no Mar Negro

A escalada do conflito entre Ucrânia e Rússia no Mar Negro está gerando preocupações no mercado, especialmente no setor de grãos como o trigo, que é altamente dependente da região para transporte e fornecimento. Ignacio Espinola, analista sênior de grãos da Hedgepoint Global Markets, aponta que as tensões podem levar a um aumento nos custos de transporte devido ao risco de ataques e ao chamado “prêmio de gelo” — um adicional de US$ 1 a US$ 2 por tonelada para mercadorias transportadas no inverno.

“A elevação nos preços de frete também pode impactar o custo CIF final, já que armadores podem se recusar a operar na rota em função da guerra”, observa Espinola. Esses fatores contribuem para um cenário de volatilidade nos preços e oferta global de trigo.

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Brasil-China: abertura para exportação de sorgo

A recente autorização da China para a importação de sorgo brasileiro promete alterar a dinâmica global desse mercado, atualmente dominado pelos Estados Unidos. O sorgo é utilizado principalmente na produção de ração animal e bebidas alcoólicas.

“O Brasil, apesar de ter uma produção 40% menor que a dos EUA, pode começar a competir no mercado global, impactando especialmente a produção norte-americana de milho”, destaca Espinola.

Atualmente, a China absorve 88% das importações globais de sorgo, sendo o principal destino das exportações dos Estados Unidos. Com a entrada do Brasil nesse mercado, é esperado um aumento na produção nacional, possivelmente substituindo áreas dedicadas ao milho pelo sorgo. Essa mudança pode intensificar os efeitos da guerra comercial de 2018, que já havia afetado a exportação de sorgo.

Movimentos dos fundos de investimento

Os fundos de investimento seguem com posições líquidas vendidas em soja, farelo de soja, óleo de soja, milho, algodão e trigo. No entanto, há um movimento recente de redução nas vendas de milho, que caíram para a metade — 15 mil contratos. Há duas semanas, os fundos mudaram suas posições líquidas de curtas para longas, tornando-se compradores pela primeira vez desde 23 de junho, quando mantinham cerca de 2 mil contratos.

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Esse comportamento reflete as especulações em torno do impacto do conflito no Mar Negro e do novo acordo Brasil-China. Além disso, o comportamento da China no mercado de soja, especialmente em relação às compras, permanece como um fator crítico para a formação de preços do complexo soja.

Perspectivas para o final do ano

Com o final de 2024 se aproximando, o mercado enfrenta pressão adicional devido à menor liquidez, provocada pelo encerramento de posições e ajustes de portfólio para fechamento contábil. Os desdobramentos do conflito geopolítico, a entrada do Brasil no mercado de sorgo e as estratégias de fundos de investimento devem continuar influenciando os mercados de milho, trigo e sorgo nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Milho hoje: mercado brasileiro opera com cautela, clima pressiona safrinha e preços oscilam

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O mercado brasileiro de milho mantém um ambiente de cautela nesta terça-feira, refletindo a combinação de incertezas climáticas, oscilações no cenário internacional e dúvidas sobre o tamanho da oferta interna. As atenções seguem voltadas ao desenvolvimento da safrinha, especialmente diante da irregularidade das chuvas em importantes regiões produtoras.

A possibilidade de perdas na segunda safra, com destaque para o estado de Goiás, segue no radar dos agentes. A falta de precipitações pode comprometer o potencial produtivo, sustentando a apreensão entre produtores. Ainda assim, parte do mercado avalia que os preços têm sido mais influenciados pelo ritmo das exportações do que propriamente pelas perdas no campo.

Clima e safrinha limitam negócios no mercado físico

O mercado iniciou a semana dividido entre o avanço da colheita da primeira safra e o risco climático sobre a segunda safra. Esse cenário tem reduzido a liquidez, com compradores adotando postura cautelosa.

Estimativas privadas apontam cenários distintos. Algumas consultorias elevaram a produção da safra de verão em cerca de 4%, projetando 28,6 milhões de toneladas. Por outro lado, há projeções de perdas na safrinha entre 10% e 15% em estados como Goiás, caso o regime de chuvas não se normalize nos próximos dias.

Preços do milho no Brasil seguem regionalizados

As cotações continuam variando conforme a região, refletindo oferta, demanda e logística:

  • Porto de Santos (SP): R$ 66,50 a R$ 69,00 por saca (CIF)
  • Porto de Paranaguá (PR): R$ 65,50 a R$ 69,00 por saca
  • Cascavel (PR): R$ 61,00 a R$ 62,50
  • Mogiana (SP): R$ 63,00 a R$ 65,00
  • Campinas (SP, CIF): R$ 68,00 a R$ 70,00
  • Erechim (RS): R$ 66,50 a R$ 68,00
  • Uberlândia (MG): R$ 55,00 a R$ 58,00
  • Rio Verde (GO, CIF): R$ 56,00 a R$ 58,00
  • Rondonópolis (MT): R$ 48,00 a R$ 52,00
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No Sul do país, o mercado segue com baixa liquidez. No Rio Grande do Sul, a colheita já alcança cerca de 94% da área, enquanto em Santa Catarina está praticamente concluída, com 99%. Ainda assim, o descompasso entre pedidas e ofertas limita o fechamento de novos negócios.

B3 reflete incertezas sobre oferta e demanda

Na B3, os contratos futuros de milho registraram variações mistas, refletindo a divisão do mercado quanto às perspectivas de oferta:

  • Maio/2026: R$ 67,53 (queda de R$ 0,42 no dia e de R$ 1,39 na semana)
  • Julho/2026: R$ 69,79 (alta de R$ 0,13 no dia e de R$ 0,12 na semana)
  • Setembro/2026: R$ 71,23 (recuo de R$ 0,39 no dia e de R$ 0,79 na semana)

Os agentes acompanham tanto o impacto da seca na safrinha quanto o aumento da oferta da primeira safra, o que mantém o mercado técnico e volátil.

Chicago recua após atingir máxima anual

No cenário internacional, os contratos futuros de milho na Bolsa de Chicago operam em queda após atingirem máximas de um ano no início da sessão.

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O contrato com entrega em julho é cotado a US$ 4,83 1/4 por bushel, com recuo de 0,51%. O movimento é atribuído à realização de lucros, além da pressão exercida pela queda do petróleo em Nova York e pela valorização do dólar frente a outras moedas, fatores que reduzem a competitividade do milho norte-americano.

Câmbio e cenário externo no radar

O dólar comercial apresenta leve queda frente ao real, cotado a R$ 4,9477, com desvalorização de 0,38%. Já o Dollar Index avança para 98,52 pontos.

Nos mercados globais, as bolsas europeias operam de forma mista, enquanto as principais praças asiáticas não tiveram negociações devido a feriados. O petróleo WTI, por sua vez, recua para US$ 103,13 por barril.

Perspectivas para o mercado do milho

No curto prazo, o mercado deve seguir sensível a três fatores principais: as condições climáticas no Centro-Oeste, determinantes para a safrinha; o ritmo das exportações, que pode sustentar os preços; e o comportamento do câmbio e das cotações em Chicago.

Diante das incertezas, a tendência é de continuidade no ritmo lento de negociações, com movimentos pontuais e forte dependência de novas informações sobre produtividade e oferta.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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