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Mercado de fertilizantes apresenta forte volatilidade, e produtores antecipam compras diante de incertezas globais

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Panorama do mercado de fertilizantes: volatilidade e cautela marcam abril

De acordo com o relatório Radar Agro – Relação de Troca com Fertilizantes (abril/2025), elaborado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, o mercado de fertilizantes segue impactado por fatores globais, como a oscilação nos preços do gás natural, políticas de subsídios em países asiáticos e incertezas quanto à exportação de nutrientes por grandes players internacionais. O cenário tem levado produtores brasileiros a anteciparem suas compras, mesmo diante de uma conjuntura marcada por forte volatilidade.

Nitrogenados: queda nos preços atrai compradores

O mercado de nitrogenados, com destaque para a ureia, apresentou recuo nos preços após uma elevação no início do ano impulsionada pelos custos do gás natural. Em abril, a ureia era cotada nos portos brasileiros a USD 377,5/t, abaixo da média dos últimos cinco anos.

Com essa queda, produtores de diversas culturas passaram a acelerar as compras, aproveitando os preços mais baixos em comparação aos registrados em janeiro e fevereiro. A tendência de recuperação parcial nos preços pode ser revertida caso a volatilidade do gás natural volte a influenciar a cadeia produtiva.

Fosfatados: alta sustentada e incertezas com exportações da China

O preço do fosfato monoamônico (MAP) segue em alta, com cotação de USD 697,5/t nos portos brasileiros. O mercado permanece pressionado pela restrição de oferta, cenário que já persiste há meses.

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A indefinição quanto ao retorno da China às exportações de fosfatados preocupa os compradores, especialmente com a Índia ampliando seus subsídios para aquisição interna. Esse movimento tende a limitar ainda mais a disponibilidade global e reforça a estabilidade dos preços em patamares elevados nos próximos meses. Em resposta, compradores em todo o mundo estão antecipando suas aquisições para garantir o abastecimento.

Potássicos: tendência de alta com possível arrefecimento

O cloreto de potássio (KCl) continua sua trajetória de valorização, sendo cotado a USD 355/t nos portos brasileiros. A alta, que já vem desde o início do ano, pode perder força com o fim do ciclo de compras no Hemisfério Norte, em especial nos Estados Unidos, onde os produtores aceleraram os pedidos antes da vigência de tarifas sobre o produto canadense.

A expectativa para os próximos meses é de redução na pressão de preços, já que o mercado global de potássicos não apresenta gargalos relevantes de oferta.

Relação de troca: impactos nos preços das principais culturas

A análise da relação de troca entre fertilizantes e as principais commodities agrícolas mostra variações significativas:

  • Soja: Embora os preços da soja em Chicago e em Sorriso (MT) sigam em queda, a relação de troca com MAP, KCl e ureia mostra uma leve melhora para o produtor, especialmente com a queda da ureia.
  • Milho: O grão apresenta estabilidade nos preços, enquanto a relação de troca com fertilizantes melhorou pontualmente, especialmente em função do comportamento da ureia.
  • Algodão: Os preços seguem dentro da média dos últimos cinco anos, mas a relação de troca se deteriora diante da alta dos fosfatados e potássicos.
  • Café: A relação de troca apresenta estabilidade, com os preços do arábica no Brasil mantendo-se firmes, o que favorece decisões estratégicas de compra.
  • Açúcar: O cenário é semelhante ao do café, com relação de troca moderada diante de preços estáveis no mercado internacional.
  • Trigo: Apresenta relação de troca mais pressionada, especialmente pelo encarecimento dos fertilizantes.
  • Arroz e boi gordo: Ambos demonstram relações de troca menos favoráveis, o que pode exigir mais sacas ou arrobas por tonelada de fertilizante.
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Antecipação de compras e atenção ao cenário global

A Consultoria Agro do Itaú BBA conclui que a antecipação de compras por parte dos produtores brasileiros é reflexo direto de um cenário externo incerto, somado a movimentações políticas e econômicas em países como China, Índia, Estados Unidos e Canadá.

A volatilidade cambial e o comportamento dos preços de energia continuam sendo variáveis centrais na composição dos custos dos fertilizantes. Diante disso, o monitoramento contínuo dos indicadores de relação de troca é fundamental para decisões mais assertivas no planejamento da próxima safra.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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El Niño volta ao radar do mercado de café e pode influenciar oferta global nas próximas safras

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A confirmação de um novo episódio do fenômeno El Niño para o segundo semestre de 2026 reacendeu a atenção do mercado internacional de café. Embora a produção brasileira da safra 2026/27 não deva sofrer impactos relevantes, especialistas avaliam que as alterações climáticas poderão afetar importantes regiões produtoras ao redor do mundo e influenciar as perspectivas de oferta nos próximos ciclos.

De acordo com análise da Hedgepoint Global Markets, os efeitos do El Niño sobre a cafeicultura dependem da intensidade e da duração do fenômeno, além do momento em que ocorre dentro do calendário agrícola de cada país. Por isso, os impactos tendem a variar entre as diferentes origens produtoras.

Safra brasileira 2026/27 segue com perspectiva positiva

No Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, a expectativa é de que a safra 2026/27 não registre perdas significativas em decorrência do fenômeno climático.

Segundo a Hedgepoint, o estágio atual das lavouras reduz os riscos imediatos para a produção nacional. Ainda assim, um outono e inverno com maior volume de chuvas podem provocar atrasos na colheita e aumentar a volatilidade do mercado ao longo dos próximos meses.

Mesmo sem expectativa de impactos relevantes sobre a produtividade da safra atual, o comportamento do clima continuará sendo acompanhado de perto pelos agentes do setor, especialmente diante da possibilidade de fortalecimento do El Niño durante o segundo semestre.

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Florada da safra 2027/28 entra no foco do mercado

Se a produção da temporada atual inspira maior tranquilidade, a mesma situação não se aplica ao próximo ciclo produtivo.

A Hedgepoint alerta que alterações no regime de chuvas e nas temperaturas durante o período de florada poderão influenciar o potencial produtivo da safra brasileira de 2027/28.

A fase de floração é considerada uma das mais importantes para a definição da produtividade dos cafezais. Qualquer irregularidade climática nesse período pode comprometer a formação dos frutos e alterar as estimativas futuras de produção.

América Central e Sudeste Asiático concentram maiores riscos

Enquanto o Brasil tende a enfrentar impactos limitados no curto prazo, outras importantes regiões produtoras apresentam maior vulnerabilidade aos efeitos do El Niño.

Segundo a análise da Hedgepoint Global Markets, países da América Central e do Sudeste Asiático podem sofrer alterações climáticas capazes de prejudicar tanto a safra 2026/27 quanto a temporada 2027/28.

Essas regiões desempenham papel estratégico no abastecimento global de café, especialmente na produção de grãos arábica e robusta, o que faz com que qualquer redução na oferta seja acompanhada com atenção pelos mercados internacionais.

Clima seguirá como principal variável para os preços

Com a possibilidade de um episódio mais intenso de El Niño entre o fim de 2026 e o início de 2027, operadores, exportadores e produtores deverão manter atenção redobrada à evolução das condições climáticas nas principais origens produtoras.

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Embora o cenário atual não indique prejuízos relevantes para a produção brasileira desta temporada, o mercado continua precificando riscos relacionados às próximas safras, uma vez que o equilíbrio entre oferta e demanda mundial depende diretamente das condições meteorológicas.

Segundo Laleska Moda, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets, o comportamento do fenômeno varia conforme a região e o período do ano em que atua.

A especialista explica que, no Brasil, a safra 2026/27 deve ser preservada, mas o andamento da colheita e, principalmente, a florada da safra 2027/28 exigirão acompanhamento constante. Já em países da América Central e do Sudeste Asiático, os efeitos do El Niño poderão ser mais intensos, afetando a produção nas duas próximas temporadas.

Diante desse cenário, o clima permanece como um dos principais fatores de formação das expectativas para o mercado global de café, influenciando decisões de comercialização, investimentos e projeções para a oferta mundial nos próximos anos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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