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Mercado de feijão enfrenta pressão por clima adverso e aumento da oferta

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O mercado brasileiro de feijão carioca registrou fraco desempenho nesta semana, reflexo da baixa demanda e maior seletividade por parte dos compradores. Segundo Evandro Oliveira, consultor da Safras & Mercado, o volume de negócios foi limitado, mesmo nos dias de maior movimentação. A maior parte dos lotes negociados consistiu em grãos comerciais provenientes de Minas Gerais, São Paulo e Paraná.

Impacto do clima e da oferta no Paraná

No Paraná, o excesso de chuvas resultou em grãos menores e manchados, pressionando os preços e desestimulando os compradores. A escassez de feijões de alta qualidade (nota 9,5 ou superior) continua, com valores acima de R$ 270,00 por saca na Zona Cerealista de São Paulo, dificultando negociações.

“Os produtores têm intensificado a venda de lotes de qualidade inferior, receosos de novas quedas nos preços. Esse movimento, combinado com a retração no consumo no segundo semestre de 2025, deve elevar os estoques de passagem a níveis mais de 60% superiores aos do ano anterior. Apesar disso garantir o abastecimento, aumenta a pressão sobre os preços com a entrada da nova safra”, analisa Oliveira.

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A expectativa é de maior dinamismo no mercado após os recessos de fim de ano, quando a oferta e a demanda poderão se equilibrar melhor frente aos estoques elevados.

Feijão preto: cautela e previsão de oferta elevada

O mercado de feijão preto seguiu lento, impactado pela típica redução da demanda antes das festas de fim de ano. No Paraná, a colheita avança gradualmente, mas a qualidade incerta dos grãos e as condições climáticas mantêm os compradores cautelosos, restringindo as negociações a volumes pontuais.

Os preços permaneceram estáveis, variando entre R$ 220,00 e R$ 240,00 por saca no Sul do Paraná e entre R$ 265,00 e R$ 275,00 por saca em São Paulo para lotes de maior qualidade.

“Houve relatos de vendas pontuais de feijão preto de boa qualidade no Paraná, com valores entre R$ 200,00 e R$ 220,00 por saca. No entanto, a previsão de um mês de janeiro chuvoso gera incertezas sobre a produtividade e a qualidade da safra, ampliando a postura de espera no mercado”, explicou Oliveira.

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Pressão baixista sobre os preços

Com a perspectiva de maior oferta a partir de janeiro, cerca de um terço da primeira safra de 2025 será colhido já no início do ano, o que deve intensificar a pressão sobre os preços. Durante o pico da colheita, há possibilidade de as cotações caírem abaixo de R$ 200,00 por saca.

Ainda assim, as margens permanecem favoráveis para os produtores, considerando apenas os custos diretos de produção. “O comportamento do mercado dependerá do equilíbrio entre oferta e demanda, além das condições climáticas. O cenário, embora desafiador, oferece oportunidades para ajustes estratégicos”, concluiu Oliveira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Raízen reduz moagem de cana em quase 10% na safra 2025/26, mas amplia produção de açúcar e etanol de segunda geração

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A Raízen, uma das maiores produtoras de açúcar, etanol e bioenergia do mundo, encerrou a safra 2025/26 (abril de 2025 a março de 2026) com uma moagem de 70,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, volume 9,8% inferior ao registrado no ciclo anterior, quando foram processadas 78,2 milhões de toneladas.

Segundo a companhia, o desempenho foi impactado principalmente pelas condições climáticas adversas ao longo da safra, que reduziram a disponibilidade de matéria-prima e afetaram a produtividade agrícola dos canaviais. Além dos efeitos do clima, decisões estratégicas relacionadas à otimização dos ativos industriais também contribuíram para a retração do volume processado.

Clima reduziu oferta de cana

Em comunicado ao mercado, a Raízen informou que a principal razão para a queda da moagem foi o impacto das condições climáticas registradas durante o ano-safra.

A empresa estima que a menor produtividade agrícola provocou uma redução de aproximadamente 900 mil toneladas de cana disponível para processamento, refletindo os desafios enfrentados pelos canaviais em diferentes regiões produtoras.

A menor oferta de matéria-prima confirma os efeitos das adversidades climáticas sobre o setor sucroenergético brasileiro, que também atingiram outros produtores ao longo da temporada.

Estratégia operacional também reduziu o volume processado

Além do clima, a Raízen destacou que parte da redução da moagem decorreu de decisões estratégicas voltadas à otimização do portfólio de ativos.

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Entre as medidas adotadas estão:

  • venda de aproximadamente 2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar;
  • hibernação da usina MB, paralisada desde novembro de 2024 e sem operação durante a safra 2025/26;
  • hibernação da usina Santa Elisa, que interrompeu as atividades em julho de 2025.

De acordo com a companhia, desconsiderando esses efeitos extraordinários, a moagem teria alcançado 69,2 milhões de toneladas, o que representaria uma retração mais moderada, de 3,9% em relação à safra anterior.

Mix priorizou açúcar para aumentar rentabilidade

Mesmo diante da menor moagem, a Raízen manteve sua estratégia de direcionar uma parcela maior da cana para a fabricação de açúcar, aproveitando as condições mais favoráveis do mercado internacional.

Na safra 2025/26, o mix de produção ficou em:

  • 53% destinado ao açúcar
  • 47% destinado ao etanol

No ciclo anterior, a divisão havia sido equilibrada, com 50% para açúcar e 50% para etanol.

Segundo a companhia, a alteração do mix acompanhou sua estratégia de maximização de rentabilidade, sustentada pelos preços previamente fixados para o açúcar e pela qualidade da matéria-prima disponível durante a safra.

Produção de etanol de segunda geração avança

Outro destaque apresentado pela empresa foi a evolução da produção de etanol de segunda geração (E2G).

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A Raízen informou que os volumes produzidos cresceram na comparação anual, impulsionados pela estabilização operacional das unidades de:

  • Bonfim;
  • Univalem;
  • Barra.

O desempenho dessas plantas reforça a estratégia da companhia de ampliar a produção de biocombustíveis de maior valor agregado, utilizando resíduos da cana-de-açúcar como matéria-prima e contribuindo para a expansão da oferta de combustíveis renováveis de baixa emissão de carbono.

Perspectivas para o setor sucroenergético

O resultado da safra 2025/26 evidencia os desafios enfrentados pelo setor sucroenergético brasileiro diante das oscilações climáticas, que vêm afetando a produtividade dos canaviais em diversas regiões do país.

Ao mesmo tempo, a decisão da Raízen de ampliar a participação do açúcar no mix de produção demonstra a busca por maior rentabilidade em um cenário de preços internacionais mais atrativos, enquanto os investimentos em etanol de segunda geração reforçam a estratégia de diversificação e fortalecimento da matriz de biocombustíveis.

Mesmo com a redução na moagem, a companhia mantém o foco na eficiência operacional, na otimização de ativos industriais e na expansão de tecnologias voltadas à produção de energia renovável, consolidando sua posição entre as principais empresas do agronegócio e do setor sucroenergético brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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