AGRONEGÓCIO

Mercado de Café Enfrenta Volatilidade com Impactos de Tarifas e Clima no Radar

Publicado em

Em setembro, o mercado de café manteve alta volatilidade, com o arábica ajustando-se após fortes valorizações e o robusta sustentado por preocupações climáticas no Vietnã. O retorno das chuvas no Brasil e sinais de possível redução das tarifas americanas trouxeram algum alívio, mas os efeitos do “tarifaço” ainda pressionam o mercado.

O café arábica iniciou setembro em trajetória de alta, moderando a escalada intensa de agosto. No início de outubro, o primeiro vencimento foi negociado entre USD 3,70 e 3,80 por libra-peso. O robusta, na Bolsa de Londres, permaneceu em torno de USD 4,5 mil por tonelada, acumulando alta de 1,7% desde o início do mês, impulsionado por rumores de possíveis impactos de tufões no Vietnã, justamente no período de maturação e início da colheita.

Chuvas no Brasil e expectativas de redução de tarifas

Além dos ajustes técnicos, o retorno das chuvas no Brasil contribuiu para a correção dos preços do arábica. Paralelamente, sinais de aproximação entre os presidentes dos EUA e do Brasil reforçaram expectativas de eventual redução das tarifas americanas sobre o café brasileiro.

Leia Também:  Probióticos Multicepas: O Papel da Sinergia entre Cepas na Saúde Animal

Enquanto isso, com as tarifas ainda vigentes, importadores americanos têm postergado contratos, e o preço ao consumidor nos EUA segue em alta. Dados de inflação indicam que a bebida encareceu 21% em agosto, em termos anualizados, a maior variação desde 1997, segundo o Financial Times.

Exportações brasileiras registram queda em setembro

Segundo o Cecafé, o Brasil exportou 3,75 milhões de sacas de café em setembro, 18% menos que no mesmo mês de 2024. A retração reflete maior disponibilidade interna de grãos e o fraco fluxo para os EUA, cujos embarques recuaram 52% na mesma base de comparação.

Safra futura e pegamento das floradas no foco

O mercado se prepara para semanas decisivas, com o clima favorável podendo impulsionar a safra 2025/26 e as negociações sobre tarifas americanas trazendo incertezas. Modelos climáticos indicam bons acumulados de chuva até dezembro, essenciais para o pegamento das floradas, que é o primeiro passo para uma produção robusta de arábica no próximo ano.

Apesar de estoques abastecidos e preços atrativos, a volatilidade permanece, exigindo estratégias de fixação de preços e atenção ao câmbio para manter competitividade.

Leia Também:  Vazio sanitário do algodão começa neste domingo em Goiás
Impactos das tarifas americanas e mercado global

O tema das tarifas continua sendo determinante. A manutenção das taxas afeta diretamente o preço ao consumidor nos EUA, enquanto reduz a margem do produtor brasileiro, mesmo diante de preços historicamente atrativos. A normalização das vendas para o maior mercado consumidor global é estratégica tanto para o Brasil quanto para os EUA.

Embora a safra brasileira de arábica 2025/26 tenha ficado abaixo do esperado e o balanço global esteja apertado, os armazéns permanecem abastecidos. A expectativa é de mercado volátil no curto prazo, com oportunidades para fixações que garantam boas margens ao produtor, incluindo estratégias de proteção cambial.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Exportações do agronegócio brasileiro disparam e abril registra segundo melhor resultado da história

Published

on

O agronegócio brasileiro voltou a mostrar força no mercado internacional em abril de 2026. As exportações do setor alcançaram US$ 16,6 bilhões no período, crescimento de 12% em relação ao mesmo mês do ano passado e o segundo melhor resultado mensal da série histórica, ficando atrás apenas de maio de 2023.

Os dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e analisados pela Consultoria Agro do Itaú BBA mostram avanço consistente das vendas externas, puxado principalmente pelo complexo soja, proteínas animais e algodão.

Complexo soja lidera exportações e garante avanço da receita

A soja voltou a ser o principal motor das exportações brasileiras. Em abril, os embarques do grão atingiram 16,7 milhões de toneladas, maior volume mensal do ano, gerando receita de US$ 7 bilhões.

Além do aumento da disponibilidade da safra brasileira, o preço médio da commodity também subiu e alcançou US$ 416 por tonelada, alta anual de 8,4%.

O farelo de soja também apresentou desempenho positivo:

  • Volume exportado: 2,4 milhões de toneladas
  • Crescimento anual: 13%
  • Preço médio: US$ 363/t

Já o óleo de soja teve comportamento distinto. Apesar da queda de 7,8% no volume exportado, os preços avançaram pelo quinto mês consecutivo, alcançando US$ 1.191/t, alta de 15% frente a abril de 2025.

Carne bovina ganha força com demanda chinesa aquecida

O setor de proteínas animais manteve ritmo forte nas exportações, especialmente na carne bovina.

Os embarques de carne bovina in natura cresceram 4,3% em relação a abril do ano passado, somando 252 mil toneladas. A China permaneceu como principal destino, absorvendo 54% do total exportado.

Leia Também:  Índia registra estoques recordes de arroz e maior volume de trigo em quatro anos

O principal destaque, no entanto, veio da valorização dos preços:

  • Preço médio da carne bovina: US$ 6.241/t
  • Alta anual: 24%
  • Alta frente a março: 7,3%

Segundo a análise, os chineses aumentaram os preços pagos pela proteína brasileira, influenciando diretamente o movimento de valorização internacional.

Carne suína e frango seguem em expansão

A carne suína também apresentou desempenho positivo:

  • Volume exportado: 121 mil toneladas
  • Crescimento anual: 9,7%
  • Preço médio estável em US$ 2.497/t

Já a carne de frango in natura somou 417 mil toneladas embarcadas, avanço de 2,5% sobre abril de 2025. Os preços médios chegaram a US$ 1.949/t, crescimento anual de 2,1%.

Açúcar perde valor e etanol recua nas exportações

No complexo sucroenergético, o cenário foi mais desafiador.

As exportações de etanol recuaram 50% em volume frente ao mesmo período do ano anterior, totalizando 87 mil toneladas. Apesar disso, os preços subiram 8%, chegando a US$ 624/m³.

O açúcar VHP registrou:

  • Volume exportado: 958 mil toneladas
  • Alta de 1,2% nos embarques
  • Queda de 23% no preço médio

O açúcar refinado também perdeu valor, com retração de 19% nos preços em relação a abril do ano passado.

Algodão dispara em volume, mas preços seguem pressionados

O algodão em pluma teve um dos maiores avanços do período em volume exportado.

Os embarques atingiram 348 mil toneladas, crescimento expressivo de 55% frente a abril de 2025. Entretanto, os preços continuam em trajetória de queda e recuaram 7,3% na comparação anual, chegando a US$ 1.513/t.

Fertilizantes enfrentam impacto da guerra no Oriente Médio

Enquanto as exportações avançaram, as importações de fertilizantes mostraram desaceleração em abril.

Leia Também:  Vazio sanitário do algodão começa neste domingo em Goiás

O volume total importado caiu 11% na comparação anual, somando 3,2 milhões de toneladas. O mercado segue pressionado pelos impactos geopolíticos da guerra no Oriente Médio, que elevou preços internacionais e gerou dificuldades logísticas.

Entre os destaques:

  • Forte queda nas importações de fosfatados
  • Redução de cerca de 200 mil toneladas de ureia
  • Aumento equivalente nas compras de sulfato de amônio

O MAP foi importado a US$ 733/t FOB, alta de 16% sobre abril de 2025. Já a ureia alcançou US$ 574/t FOB, disparando 55% na comparação anual.

Segundo o relatório, parte relevante dos embarques ainda reflete contratos fechados anteriormente, o que reduz a capacidade dos dados atuais retratarem totalmente as condições mais recentes do mercado global.

Café perde receita mesmo com preços ainda elevados

Outro ponto de atenção foi o café verde.

Entre janeiro e abril de 2026, as exportações do produto somaram US$ 4,1 bilhões, mas o volume embarcado caiu 25% frente ao mesmo período do ano passado. Ainda assim, os preços médios permaneceram elevados em US$ 6.773/t.

Agro mantém protagonismo nas contas externas brasileiras

Os números reforçam o protagonismo do agronegócio na balança comercial brasileira em 2026, especialmente em um cenário global marcado por volatilidade, tensões geopolíticas e juros elevados nas principais economias.

Com forte demanda internacional por alimentos e proteínas, o Brasil segue ampliando sua presença no comércio global, sustentado principalmente pela competitividade da soja, carnes e fibras naturais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA