AGRONEGÓCIO
Mercado da soja apresenta oscilações regionais e altas em Chicago
Publicado em
25 de abril de 2025por
Da Redação
Rio Grande do Sul aguarda fim da colheita para definição de preços
No Rio Grande do Sul, os produtores mantêm cautela à espera da conclusão da colheita, segundo dados da TF Agroeconômica. No porto, as indicações para entrega em abril, com pagamento ao final do mês, situam-se em torno de R$ 135,00 por saca, representando uma queda de 0,74%. No interior do estado, os preços pagos pelas fábricas seguiram os padrões locais:
- Cruz Alta: R$ 134,00 (pagamento em 30/05)
- Passo Fundo: R$ 134,00 (pagamento em 23/05)
- Ijuí: R$ 134,00 (pagamento em 30/05)
- Santa Rosa/São Luiz: R$ 134,00 (pagamento previsto para meados de junho)
Em Panambi, os preços “de pedra” caíram para R$ 124,00 por saca, valor oferecido diretamente ao produtor.
Santa Catarina colhe bons resultados
A colheita de soja em Santa Catarina está próxima do encerramento, com 70% da área já colhida. Os resultados têm superado as expectativas iniciais, tanto para a soja quanto para o milho, com rendimentos excepcionais que, em alguns casos, alcançaram 100% do máximo esperado. No porto de São Francisco do Sul, a saca de soja está cotada a R$ 134,31.
No Paraná, foco se volta ao milho, mas soja ainda movimenta o mercado
No Paraná, embora a atenção comece a se direcionar para o milho, a soja ainda apresenta movimentações relevantes. Os preços por saca foram os seguintes:
- Paranaguá: R$ 134,94 (-1,90%)
- Cascavel: R$ 134,94 (+6,30%)
- Maringá: R$ 124,63 (-2,97%)
- Ponta Grossa: R$ 129,96 (+0,04%)
- Pato Branco: R$ 134,31 (-0,96%)
No balcão, em Ponta Grossa, os preços ficaram em R$ 132,09.
Mato Grosso do Sul praticamente finaliza colheita com alta na produtividade
Até 18 de abril, o Mato Grosso do Sul já havia colhido 99,1% da área plantada com soja, correspondente a 4,4 milhões de hectares. A produtividade média subiu para 54,4 sacas por hectare — um aumento de 11,4% em relação à safra anterior — o que impulsionou a estimativa de produção para 14,7 milhões de toneladas (+18,9%).
Os preços por saca foram:
- Dourados, Campo Grande e Sidrolândia: R$ 119,61
- Maracaju: R$ 122,90
- Chapadão do Sul: R$ 118,93
Esses valores representam quedas de até 6,68%.
Queda de preços no Mato Grosso
No Mato Grosso, os preços da soja também recuaram:
- Campo Verde: R$ 111,80 (-4,73%)
- Lucas do Rio Verde e Nova Mutum: R$ 110,27 (-1,39%)
- Primavera do Leste e Rondonópolis: R$ 117,35 (-4,73%)
- Sorriso: R$ 110,27 (-1,39%)
Chicago fecha em alta com impulso do óleo de soja
No mercado internacional, a Bolsa de Chicago (CBOT) encerrou a sessão com comportamento misto, mas com valorização nos contratos de soja. O contrato de maio, referência para a safra brasileira, subiu 1,23% (US$ 12,75 cents/bushel), fechando em US$ 1053,00. Já o contrato de julho avançou 1,12% (US$ 11,75 cents/bushel), para US$ 1062,00.
O principal fator de alta foi o óleo de soja, que registrou aumento expressivo de 3,63%, sendo cotado a US$ 49,65 por libra-peso. Por outro lado, o farelo de soja recuou 0,72%, negociado a US$ 288,70 por tonelada curta.
Expectativas com o biodiesel e o mercado internacional
A valorização foi impulsionada por rumores de que a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) poderá revisar os mandatos de mistura de biodiesel ainda neste mês. A proposta, que teria origem em empresas dos setores de energia e biocombustíveis, prevê o aumento da utilização obrigatória de biodiesel de soja de 3,35 bilhões para entre 4,75 e 5,5 bilhões de galões nos próximos dois a três anos.
Outro fator de otimismo foi a possibilidade de o Japão — quarto maior comprador da soja norte-americana — ampliar suas importações como parte de acordos tarifários bilaterais com os EUA.
Enquanto isso, persistem as tensões comerciais entre Estados Unidos e China. Apesar de especulações sobre uma possível redução de tarifas de 145% para 50-60%, o governo chinês exige a remoção total das taxas e negou envolvimento em negociações recentes com a gestão de Donald Trump, o que gerou cautela nos mercados.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo
Published
8 horas agoon
20 de agosto de 2026By
Da Redação
Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.
O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.
A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.
A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.
A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.
Isan Rezende
INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.
Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.
Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.
O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.
No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.
Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.
Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.
Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.
Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.
Fonte: Pensar Agro
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