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MBRF expande parceria com HPDC e lança Sadia Halal, maior potência multiproteína do mercado Halal

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A MBRF e a Halal Products Development Company (HPDC), subsidiária do Public Investment Fund (PIF) da Arábia Saudita, anunciaram a ampliação de sua joint venture, dando origem à Sadia Halal. O negócio, avaliado em US$ 2,07 bilhões, reúne unidades produtivas, centros de distribuição e operações comerciais da MBRF na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait e Omã, além das exportações diretas de frango, bovinos e produtos processados para clientes na região MENA.

A transação representa 7,3% da receita consolidada da MBRF, com faturamento líquido de US$ 2,1 bilhões nos últimos 12 meses até junho e EBITDA de US$ 230 milhões, equivalente a um múltiplo implícito de 9x. Os ativos localizados na Turquia não fazem parte da operação.

Estratégia e fortalecimento do mercado Halal

A Sadia Halal combina experiência industrial da MBRF com o alcance institucional e financeiro do PIF, criando um modelo exclusivo no mercado Halal. A nova configuração inclui também a fábrica de processados e o centro de inovações em construção em Jeddah, além da participação na Addoha Poultry Company, produtora local de frango resfriado em Dammam.

“A expansão da parceria com a HPDC reforça nossa presença em um dos mercados mais lucrativos do mundo, aproxima nossas marcas dos consumidores e abre caminho para um IPO a partir de 2027”, destacou Marcos Molina, chairman da MBRF.

Liderança consolidada e alcance regional

Com mais de 50 anos de atuação, a MBRF lidera o mercado Halal na região do GCC (Conselho de Cooperação do Golfo), com a marca Sadia detendo 36,2% de participação de mercado. Atualmente, a empresa realiza cerca de 111 mil entregas mensais para mais de 17 mil pontos de venda na região.

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O negócio também prevê acordo de fornecimento de produtos de frango e bovino da MBRF para Sadia Halal por 10 anos, com precificação baseada em metodologia de custo total (cost plus +5%).

“A Sadia Halal continuará fortalecendo a base de ativos da MBRF no Brasil, garantindo competitividade global e capacidade de exportação para os principais mercados Halal”, afirmou Fábio Mariano, vice-presidente da MBRF para o mercado Halal e CEO da Sadia Halal.

Participação acionária e IPO planejado

Na data do fechamento, a HPDC terá 10% da Sadia Halal, com planos de aumentar para 30% e até 40% por meio de aportes de capital, sendo 50% primário e 50% secundário. A operação marca o primeiro passo para um IPO, previsto a partir de 2027, sujeito a condições de mercado e aprovações regulatórias.

“O movimento está alinhado com a Visão 2030 da Arábia Saudita, acelerando a transformação sustentável da região em um centro global de produtos Halal”, comentou Fahad AlNuhait, CEO da HPDC.

Compromisso com padrões ESG e governança

A Sadia Halal será pautada pelos mais altos padrões de governança e práticas ESG, consolidando-se como referência global em proteínas Halal, com foco em segurança alimentar e sustentabilidade.

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Potencial do mercado Halal

O mercado Halal movimenta mais de US$ 2 trilhões por ano, sendo a proteína animal o principal segmento. Estima-se que o consumo de alimentos Halal ultrapasse US$ 1,5 trilhão até 2027, impulsionado por uma população muçulmana superior a 1,9 bilhão, com crescimento médio duas vezes maior que o global.

A certificação Halal, além de atender aos padrões islâmicos, é reconhecida como selo de qualidade, higiene e produção ética, atraindo também consumidores não muçulmanos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Estudo da USP aponta 17 pontos que encarecem o frete e entidades do agro cobram mudanças

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Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) deu força à pressão da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete. O levantamento identificou 17 pontos que podem estar elevando artificialmente os valores, sobretudo no transporte de grãos em trajetos curtos e nas operações de maior produtividade.

As conclusões foram apresentadas durante o processo de revisão da regulamentação conduzido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A FPA e entidades do setor produtivo querem que a agência utilize os custos efetivamente observados nas estradas brasileiras, em vez de parâmetros que, segundo o estudo, já não representam a realidade da frota e das transportadoras.

O trabalho foi elaborado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-Log), ligada à USP. Os pesquisadores analisaram jornada de trabalho, consumo de combustível, idade dos caminhões, quantidade de eixos, retorno vazio, depreciação dos veículos e produtividade das operações.

Uma das principais distorções estaria no número de horas trabalhadas. A metodologia atual considera uma utilização mensal de 181 horas para calcular quanto os custos fixos representam em cada viagem. Para os pesquisadores, esse parâmetro indica uma subutilização do caminhão e do tempo legalmente disponível do motorista.

A proposta é elevar a referência para 220 horas mensais. Com mais horas de utilização, despesas como depreciação, remuneração do capital e salário do motorista seriam distribuídas por um número maior de viagens, reduzindo o custo atribuído a cada quilômetro rodado.

Apenas essa alteração poderia diminuir em 7,6%, na média, os valores calculados para o piso. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância percorrida e da configuração do caminhão.

Em uma operação com piso de R$ 10 mil, uma diferença de 11% representa aproximadamente R$ 1,1 mil por viagem. Para uma empresa, cooperativa ou produtor que contrate cem viagens durante a colheita, o custo adicional pode superar R$ 110 mil.

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O impacto é ainda maior nas regiões afastadas dos portos. Como soja, milho, algodão e outras commodities percorrem centenas ou milhares de quilômetros até os terminais de exportação, o frete interfere diretamente no valor recebido pelo produtor. Quanto maior o custo logístico, menor tende a ser o preço pago pela produção na origem.

O estudo também questiona a vida econômica de sete anos utilizada pela tabela para calcular a depreciação dos caminhões. Dados da própria ANTT mostram que os veículos de tração em circulação no país possuem idade média de 16,4 anos.

Na avaliação dos pesquisadores, utilizar um período muito menor concentra a perda de valor do veículo em poucos anos e eleva o custo de cada viagem. A adoção de uma referência de 16 anos poderia reduzir entre 6% e 10% o valor calculado para o transporte de grãos, conforme o percurso e o tipo de composição veicular.

A FPA pretende usar esses resultados para pressionar pela adoção do custo operacional efetivo como base da nova regulamentação. O argumento é que a tabela precisa garantir a remuneração do transportador, mas não pode incluir despesas teóricas ou superestimadas que encareçam artificialmente a movimentação da produção brasileira.

Entidades do setor encaminharam à ANTT 15 contribuições. Entre elas estão a retirada de componentes que não representem desembolso efetivo, a criação de regras específicas para operações de alto desempenho e um tratamento mais preciso para viagens com retorno vazio.

A proposta busca diferenciar situações que atualmente acabam submetidas a parâmetros semelhantes. Um caminhoneiro autônomo que percorre longa distância e retorna sem carga enfrenta custos diferentes de uma transportadora com contratos recorrentes, frota mais produtiva e carga garantida nos dois sentidos.

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A pressão da bancada também alcança a Lei 15.485/2026, que ampliou a fiscalização sobre o piso mínimo e estabeleceu prazo máximo de 30 dias úteis para o pagamento do frete. A FPA participou da negociação do texto aprovado pelo Congresso, mas critica os vetos feitos pela Presidência da República.

Os parlamentares defendem a recuperação de dispositivos que, segundo a bancada, foram construídos para equilibrar a proteção aos caminhoneiros e os custos suportados pelo setor produtivo. Os vetos ainda precisam ser analisados pelo Congresso.

A nova legislação tornou obrigatório o registro da operação no Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e endureceu as punições para contratações abaixo do piso. Em caso de reincidência, a multa pode chegar a R$ 1 milhão, além de outras sanções administrativas.

Para a FPA, reforçar a fiscalização sem corrigir previamente as distorções da metodologia pode obrigar produtores e empresas a cumprir valores superiores ao custo real do transporte. A bancada quer que a revisão da ANTT incorpore as diferenças de distância, idade da frota, número de eixos, produtividade e aproveitamento do retorno.

A discussão exige equilíbrio. O piso foi criado para impedir que caminhoneiros sejam obrigados a transportar cargas por valores incapazes de cobrir diesel, pneus, manutenção e remuneração do trabalho. A revisão defendida pelo agro não pode retirar essa proteção, mas precisa evitar que parâmetros desatualizados reduzam a competitividade da produção.

O estudo da USP coloca números nesse debate. Agora, a disputa será sobre quanto dessas conclusões a ANTT aceitará na nova tabela e se o Congresso derrubará os vetos à lei. Para produtores e transportadores, o resultado poderá definir quem pagará a conta das distorções existentes no cálculo do frete.

Fonte: Pensar Agro

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